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Quem escolheu vereador nas eleições de 2000, mas nunca soube se o parlamentar está cumprindo com o que prometeu, poderá, a partir de agora, acompanhar todos os passos do representante eleito em um terminal eletrônico. Isso se deve ao Posto da Ouvidoria do Eleitor, lançado pelo Instituto Ágora em Defesa do Eleitor e da Democracia, no último dia 11, no Conjunto Nacional, na avenida Paulista. O Instituto Ágora é uma organização não-governamental e tem como objetivo tornar acessível para o eleitor tudo o que acontece nos bastidores da Câmara Municipal de São Paulo, ou seja, dar o poder de fiscalização ao paulistano. "Queremos mostrar à população o que os vereadores fazem, o que podem fazer, se eles têm trabalhado e até a que horas chegam e saem da Câmara. Queremos que cada eleitor saiba que ele é o responsável pelo político ocupar aquele cargo e que deve acompanhar as suas atividades para tirá-lo dali caso não esteja sendo competente", afirma o diretor do Ágora, Gilberto de Palma. O posto permanente do Conjunto Nacional possui dois totens eletrônicos que conterão informações atualizadas quinzenalmente. Nesses terminais, o eleitor encontra a biografia dos vereadores, o desempenho de cada um, mês a mês, vídeos com perguntas da população feitas aos políticos e as respectivas respostas, os principais eventos ocorridos na Câmara e outros projetos da ONG. A Ouvidoria do Eleitor é uma espécie de "Procon do eleitor". Palma explica que se o eleitor se sentir traído pelo seu vereador, poderá fazer sua reclamação ou denúncia na Ouvidoria. Depois disso, o documento requerido pela pessoa será encaminhado ao Ministério Público para ser analisado. No Posto da Ouvidoria do Eleitor os cidadãos paulistanos também poderão criticar, sugerir, opinar e até fazer perguntas aos parlamentares. A avenida Paulista é o primeiro lugar a receber o posto eletrônico porque é uma das regiões mais movimentadas da cidade - só o Conjunto Nacional recebe cerca de 25 mil pessoas por dia. A meta do Instituto Ágora é levar outros totens para diversos pontos de São Paulo. "Já estamos negociando com os nossos parceiros para que isso seja possível no decorrer de 2003", adianta. Além dos terminais eletrônicos, a ONG também produz mensalmente o boletim E-leitor Cidadão. Trata-se de um informativo que trata sobre os acontecimentos da Câmara e traz informações sobre a produção dos vereadores. As pessoas que se cadastram na Ouvidoria do Eleitor podem escolher, na hora, o político que querem acompanhar mais de perto. A partir de então, elas passam a receber, por email (versão eletrônica) ou correio, notícias sobre os seus vereadores: se eles participaram de alguma CPI, se apresentaram projetos ou tiveram algum aprovado nas últimas semanas. As matérias são feitas por dois jornalistas do Ágora que acompanham diariamente o trabalho da Câmara Municipal. Periferia - Cinco favelas de São Paulo também receberam na segunda semana de dezembro um posto da Ouvidoria do Eleitor. A estrutura é um pouco diferente, pois, ao invés de totens, são simples computadores - a maioria deles doados - que disponibilizam o mesmo programa e conteúdo apresentado na avenida Paulista. "A idéia de levar o conteúdo do totem para essas regiões mais carentes é porque dificilmente os moradores da periferia vão até a Paulista fazer compras, por exemplo. Se deixarmos essas informações só no Centro, muita gente não terá acesso. E os cidadãos da periferia são tão eleitores quanto os executivos da avenida Paulista", ressalta Palma. (Sayuri Nakasato - 13/12/02) |
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