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Dançar maracatu, construir mamulengos, jogar capoeira ou fazer papel machê e instrumentos musicais. Durante o mês de janeiro, filhos e sobrinhos dos detentos do Presídio Juiz Plácido de Souza, em Caruaru (PE), têm infinitas opções de oficinas culturais e educativas para freqüentar. Ministradas e organizadas pelos próprios presos, as atividades e a presença das crianças transformam o ambiente convencionalmente repressor do presídio em colônia de férias. E a idéia é mesmo essa. Criada há quatro anos, pelo diretor da penitenciária, o médico Guilherme Felipe de Azevedo, as oficinas acalmaram os presos, zeraram os registros de violência e tentativas de fugas e rebeliões. "Fizemos uma pesquisa e constatamos que o período de férias escolares deixavam os presos mais estressados e preocupados com os filhos. Janeiro era sempre um mês de confusão e caos", afirma o diretor. Com a falta de espaços educativos e culturais e a necessidade das mães continuarem trabalhando para prover as famílias, as crianças ficavam trancafiadas em suas casas ou nas ruas sem que ninguém se responsabilizasse por elas. "Os presos se preocupam, como qualquer pai, com o futuro de seus filhos. Não querem que eles sigam o mesmo caminho trilhado por eles", explica Azevedo. Todos os 297 homens da Penitenciária Juiz Plácido de Souza - que têm capacidade para 50 presos - participam da iniciativa. Este ano, quase 100 crianças, com idade entre dois e 12 anos, estão frequentando as oficinas, ministradas durante o período da manhã. Além de intensificar os laços familiares, a presença das criança produziu um efeito inesperado. Segundo Azevedo, os presos deixaram de ter rixas e brigas. Como as crianças não escolhem amigos de acordo com as indicações paternas, filhos de detentos brigados tornaram-se amigos e foram responsáveis pela reconciliação de seus pais. (Raquel Souza) |
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