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Esporte pode diminuir a violência juvenil e promover educação Iniciativas espalhadas em todo o Brasil estão mostrando que o esporte não é apenas lazer ou uma boa forma de ascender socialmente. Projetos e programas em todo o país mostram que é possível mediar os estudos, desenvolver a cidadania e contribuir sensivelmente para a diminuição da violência através da atividade esportiva. O projeto "Esporte à Meia-Noite", da Secretária de Segurança Pública de Brasília, por exemplo, deixa a disposição dos jovens quadras esportivas após o horário noturno das escolas. A iniciativa reduziu em 20% o índice de infrações cometidas por jovens. Já 80 escolas municipais da periferia da zona sul de São Paulo conseguiram zerar o número de ocorrências como invasões, depredações e brigas. A mudança veio por conta do programa "Valorização da Vida pela Educação", implantado em 1999, que oferece opções de lazer e cultura para a comunidade. Outro projeto que comprova o poder do esporte é desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com seis universidade do país: das mais de três mil crianças e jovens envolvidas no programa "Educação pelo Esporte" 96% foram aprovados na escola no ano letivo de 1999.
Em Brasília mais de 350 jovens de diferentes regiões do Estado participam do "Esporte à Meia-Noite", programa da Secretaria de Segurança Pública que, de segunda a sexta-feira, oferece atividades esportivas após o horário noturno da escola. "A idéia é fugir um pouco do padrão das ações de segurança pública", conta Adaldei Filha, coordenadora geral do programa. O intuito é fazer com que os jovens se afastem da violência, brigas de gangues e drogas por meio de práticas esportivas. Entre um intervalo do jogo e outro, recebem orientação a respeito do uso de drogas e assistem a palestras sobre sexualidade. A iniciativa de Brasília está surtindo resultados. Ainda não foi concluída pesquisa do primeiro semestre de 2000, mas no final do ano passado houve uma diminuição significativa de 19,72% nos registros de delitos praticados por adolescentes (lesão corporal e porte de arma). "Eles também se aproximaram mais da Secretaria. Embora a gente não cobrasse ficha de inscrição, era difícil saber de que família esse jovens provinham. Atualmente, são eles que nos convidam a gente para conhecer a mãe, o pai, o bairro onde moram", disse Adaldei. A coordenadora também explica que o "Esporte à Meia-Noite" está dando o próximo passo para diminuir a criminalidade entre os jovens. "Com a aproximação, pudemos perceber os reais motivos que levam esses jovens a cometerem delitos. Agora estamos procurando dar qualificação profissional para esses jovens e encaminha-los para empresas que são parceiras do programa", contou. A capitação profissional só é oferecida mediante comprovante de matricula na escola. A experiência
de Brasília começa a ser disseminada para outros Estados.
Adaldei já foi a cidades do Nordeste brasileiro que passam pela
mesma situação de Brasília - existência de
gangues e alto índice de delitos praticados por jovens. "A
nossa prática é muito simples. Não precisa de um
plano mirabolante. Só falta as pessoas terem um insight para fazerem
alguma coisa".
Desde o ano passado, 80 escolas municipais do distrito do Campo Limpo, na zona sul de São Paulo, conseguiram zerar o número de ocorrências como invasões, depredações e brigas. A mudança de comportamento nas escolas está sendo associada ao programa "Valorização da Vida pela Educação", implantado em maio de 1999. O principal objetivo do projeto é fazer com que a comunidade tenha maior participação nas escolas. Segundo a delegada de ensino Maria das Graças Pellerin, a média histórica da região sempre foi de pelo menos uma ocorrência por dia. "A situação estava tão grave que os diretores não conseguiam mais trabalhar", disse. As escolas ficam em bairros como Campo Limpo, Capão Redondo e Jardim Ângela. Dados do Pro-Aim (Programa de Aprimoramento das Informações de Mortalidade, da Prefeitura de São Paulo) mostram que esses bairros estão constantemente entre os dez mais violentos da cidade - só no primeiro semestre de 99 foram registrados 53 homicídios no Campo Limpo. A integração comunitária é feita por meio de atividades culturais, esportivas e mesmo oficinas de artesanato. Pelo menos 15 escolas têm ficado abertas nos fins-de-semana. Os professores voluntariamente coordenam os trabalhos. Algumas escolas de ensino fundamental como a Otoniel Mota e a Dr. João Pedro também buscaram a ajuda da comunidade para reformar a escola. Eliane Tenório da Silva, que tem um filho matriculado na educação infantil da Emei Barbara Eleodora, conta que já ajudou a pintar o muro da escola. "Isso é muito bom porque a escola está sempre bem conservada", disse.
A atividade esportiva pode contribuir significativamente para a diminuição dos índices de reprovação e evasão escolar. Pelo menos é o que está provando o Programa Educação pelo Esporte, desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna (IAS). Os números comprovam: das mais de três mil crianças e jovens envolvidos, 96% foram aprovados na escola no ano letivo de 1999. Houve somente 0,25% de evasão escolar. Comparados aos dados estaduais, esses índices comprovam a efetividade do esporte na promoção da educação integral dos participantes. "A nossa intenção não é formar esportistas, mas dar a crianças e jovens a oportunidade de um desenvolvimento pleno", disse Margareth Goldenberg, superintendente do IAS. Para ela, o esporte seduz as crianças e jovens a participarem do projeto, mas também é um forte instrumento para o desenvolvimento de habilidades como a cooperação, a liderança e o trabalho conjunto. Os pais, professores e monitores do Programa também reconhecem as mudanças dos participantes. Quase todos (cerca de 96,65%) admitem que após o envolvimento com o Educação pelo Esporte as crianças e jovens apresentaram melhoras em relação a mudança no relacionamento com a família, aumento do gosto pela leitura e pela escrita e maior sociabilidade. Os trabalhos são feitos em comunidades carentes que se localizam nas proximidades de seis universidades brasileiras que trabalham em parceria com o Instituto. Segundo Margareth, trata-se de aproveitar melhor os espaços subtilizados das universidades. "Elas possuem uma infra-estrutura de esportes muito boa. Já as comunidades carentes estão do lado de fora e não possuem espaços de lazer. Unimos os dois universos." Também participam da iniciativa professores e estudantes de Educação Física das universidades envolvidas que aprendem novas maneiras de lidar com a profissão. (Raquel Souza) |
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