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Trinta e dois jovens atores da Baixada Fluminense (RJ) vão compartilhar, a partir de terça-feira, do talento de uma das mais consagradas atrizes brasileiras. Fernanda Montenegro comandou uma oficina gratuita de dramaturgia no Sesc de Meriti. A oficina, que tem patrocínio da Telecom, faz parte de um projeto que percorrerá outras quatro cidades brasileiras. A intenção é possibilitar aos jovens a oportunidade de tomar contato com o ofício de ator. O material distribuído e as refeições também serão gratuitos. Pensar e disciplinar a arte dramática é entender a liberdade com que se devem enfrentar as diversas linguagens de interpretação por meio da pluralidade das encenações - diz Fernanda, que trabalhará sobre textos de autores nacionais e estrangeiros. Um encontro com os 32 participantes e grupos de teatro locais, além de atores interessados, marcará o encerramento das atividades: Fernanda afirma que as oficinas de leitura dramática serão uma troca de experiência, tendo em vista o grande interesse e a alta sensibilidade dos jovens artistas. As informações são do jornal O Globo - 17/09/02
Com participação de 300 mil meninos e meninas entre 11 e 14 anos nos três estados Sul, o projeto "Bom de Bola", nascido em 1992 em Santa Catarina, transformou-se em importante oportunidade para a juventude da região que sonha com uma carreira no esporte. Originalmente era um campeonato de futebol amador, chamado de Moleque Bom de Bola, restrito a Santa Catarina. A o mesmo tempo que os participantes do campeonato sonham com oportunidades como a obtida pelo garoto gaúcho Helton Pereira Pinto (revelado pelo campeonato e convocado pela Comissão Brasileira de Futebol (CBF) para o time Sub-15), os organizadores do projeto passaram aproveitar o interesse das crianças pelo esporte para pregar uma série de valores para formar o caráter dos desportistas. Entre eles, a importância do trabalho em equipe, o companheirismo, a valorização do tempo livre e a disciplina. A mudança de foco do projeto é perceptível também na publicidade. Em vez de apenas apresentar crianças praticando esportes, as chamadas televisivas agora mostram, por exemplo, um menino que escreve "xícara" e "chá" corretamente e aponta para a cabeça, para passar a mensagem de que não basta ser bom apenas de bola. Os times participantes, que eram compostos por escolinhas de futebol, passaram a ser de colégios públicos e privados, envolvendo os educadores. "Os jogos começam entre as escolas e depois são realizados entre municípios, transformando-se numa grande festa", diz Teixeira, que é sociólogo. O caráter pedagógico do projeto aparece também em uma série de detalhes. Por exemplo, os professores que atuam como árbitros e técnicos das equipes não podem fumar. Pelo regulamento dos jogos também não existe expulsão. Iniciativa do governo estadual por meio da Fundação Catarinense de Desporto (Fesporte), o projeto recebeu apoio da RBS TV desde a primeira edição. A partir de 1995 cresceu, em função do patrocínio da Parati S/A, que gasta anualmente cerca de R$ 1 milhão no Bom de Bola, dos quais cerca de R$ 800 mil em mídia. Com 1,1 mil funcionários, faturamento de R$ 115 milhões e fábricas em São Lourenço do Oeste (SC), Santa Maria (RS) e São José dos Pinhais (PR), a Parati tem no projeto a sua principal ação social. As informações são da Gazeta Mercantil - 17/09/02
Um estudo da ONG Iser (Instituto de Estudos da Religião) sobre a participação de crianças no crime organizado mostra semelhanças entre a atuação de menores de 18 anos no tráfico no Estado do Rio de Janeiro e de jovens combatentes em áreas de guerra. A pesquisa, coordenada pelo antropólogo Luke Dowdney e divulgada ontem em seminário da ONG Viva Rio, mostra também que as estatísticas de homicídios no Estado do Rio são mais elevadas do que as de Estados dos EUA com gangues e comércio de drogas intensos, como Nova York, Califórnia e Washington. Outra conclusão é que o número absoluto de homicídios por armas de fogo registrado no Rio é superior ao de países que vivem ou viveram recentemente conflitos militares, como Israel, Colômbia, Serra Leoa e Iugoslávia. Os dados constam do estudo "Crianças Combatentes em Violência Armada Organizada". Uma das semelhanças apontadas entre os jovens no tráfico e os jovens soldados é que ambos recebem um "soldo". No Rio, o "soldo" pode ser um salário ou uma comissão. Outra característica comum é a hierarquia. Os menores no Rio recebem armas e exercem funções estabelecidas pelos superiores, tendo chance de ascender na hierarquia do crime organizado. Foram ouvidos 25 jovens menores de idade ou que completaram recentemente 18 anos e que trabalham no tráfico, três ex-traficantes, cem jovens (16 a 24 anos) moradores de favela e 120 adultos. As entrevistas com os jovens traficantes foram feitas em quatro favelas onde eles trabalhavam. Segundo Dowdney, os pesquisadores chegaram aos jovens por meio de lideranças comunitárias. Os demais jovens e adultos participaram de grupos de discussão promovidos pelo Iser ou preencheram questionários. A comparação das estatísticas do Rio com as de Nova York, Califórnia e Washington teve como objetivo mostrar que a existência do tráfico de drogas e a formação de gangues não explicam os altos índices de criminalidade, já que o volume de drogas negociado nos EUA é maior. A comparação das mortes por arma de fogo no Rio com as de países em guerra teve como meta mostrar que os conflitos entre traficantes, principalmente, e a polícia, de forma secundária, causam mais vítimas. Apesar da comparação, os pesquisadores afirmam que a situação do Rio não pode ser considerada como "estado de guerra" porque o Estado não é objeto deliberado de ataque. As facções criminosas têm como objetivo prosperar economicamente, e não substituir ou combater o Estado. As informações são do Jornal Folha de S. Paulo - 17/09/02 |
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