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Um ônibus suíço da Segunda Guerra Mundial, com volante do lado direito; uma improvisação de alto-falante; artistas e comunicadores e uma carroça como palco. Com esse aparato, há dez anos, surgia o Centro Artístico Cultural Belém Amazônia, mais conhecido como a Rádio Margarida, no Pará. "Começamos como uma maneira de levar cultura para a população da periferia amazonense que não tem condições de freqüentar cinemas, teatros e até mesmo o circo", diz Osmar Pancerra, idealizador a rádio margarida. A figura inusitada do ônibus chamava a atenção das pessoas, mas os recados e notícias divulgados pelo alto-falante também: informações sobre saúde, higiene, educação, direitos humanos e cultura amazônica, transmitidos de maneira bem humorada. Para completar, o ônibus tornou-se uma escola ambulante em que oficinas de arte, música e radiocomunicação ocorriam. "Passados os anos, ganhamos prêmios e doações", conta o coordenador da Rádio Margarida. O dinheiro foi suficiente para a compra de novos equipamentos, reforma e ampliação da frota de ônibus (em 1992 foi comprado um ônibus Mercedes) e, consequentemente, maior número de pessoas atendidas. Hoje, eles possuem até uma ilha de edição. Para Pancerra, o grande êxito do projeto é produzir uma linguagem animada que, sem vulgarizar as informações, atinge o público juvenil. O sucesso da empreitada também chamou a atenção de um importante parceiro: a emissora de rádio Liberal, que convidou a ONG para produção de um programa destinado aos jovens. Todos os dias, na sintonia 1330mhzAM de Belém é veiculado o programa da entidade. Além de informações e notícias, a Radio Margarida também produz uma radionovela, que tem como temática o universo juvenil. "Nós estamos, com isso, atendendo a uma população muito maior. Mesmo assim, não iremos parar nosso ônibus, ainda há muita gente sem acesso à educação", concluiu Pancerra. (Raquel Souza) |
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