|
|||||||||||||||||||||
|
Quarenta e quatro pessoas abriram mão das férias de julho para realizarem trabalho voluntário no Piauí, uma das regiões mais pobres do país. São estudantes, professores e profissionais da área de saúde do Colégio Emilie de Villeneuve (colégio particular da cidade de São Paulo) e da Universidade Santo Amaro (Unisa), que se tornaram voluntários do Projeto Piauí. Foram 16 dias de trabalho, realizados em Oeiras, a 309 km ao Sul de Teresina. O programa atuou oferecendo a população atendimento médico, odontológico e laboratorial. Além disso, foram realizadas oficinas voltadas às áreas de saúde, saneamento básico e meio ambiente, e distribuídos medicamentos, óculos e material escolar. O Projeto Piauí foi criado há dois anos pelo grupo Aprendizagem Solidária, uma organização formada por alunos do Colégio Emilie de Villeneuve, que realiza trabalhos sociais há quatro anos. A primeira viagem foi realizada por dois estudantes em 1999, com o apoio do grupo religioso Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Em 2001 a primeira turma de voluntários do Projeto Piauí foi para o estado do Piauí efetivar o trabalho. O projeto não contava ainda com nenhum patrocínio. "O dinheiro foi arrecadado em festas organizadas pelos alunos da escola e doações", conta Maria Angélica Teixeira, coordenadora do programa. Neste ano o projeto contou com o patrocínio da empresa Philips. Segundo ela, essa viagem foi suficiente para a identificação das principais demandas da população local. "Vimos que apenas as atividades educacionais e as doações não eram suficientes. Então surgiu a idéia de fazermos parcerias com profissionais de saúde para que estes pudessem atuar com as pessoas que já estavam doentes ", conta Maria Angélica. No ano seguinte, a equipe fechou uma parceria com a Universidade Santo Amaro, onde alunos e professores das áreas de biologia e saúde ingressaram como voluntários do programa, realizando consultas e cuidando da saúde da população. "A idéia de fazer a parceria com uma universidade foi justamente para que o projeto não desviasse de seu objetivo, que é ser realizado por estudantes", conta Angélica. Para ela, a grande importância do projeto Piauí é justamente colaborar para que esses estudantes sejam, no futuro, pessoas com mais senso de responsabilidade social. "Nossa intenção é que não se forme mais profissionais cujo único objetivo é obter lucros finceiros, e sim formar profissionais que tenham um olhar voltado para questões sociais", afirma. Foram realizadas também oficinas capacitação para líderes comunitários e representantes da população continuassem a reproduzir o trabalho. "O mais importante é que a comunidade não dependa mais dos projetos que chegam de fora do estado, e sim que continuem multiplicando o conhecimento que receberam", diz Angélica. Os alunos do Emilie, além de auxiliar as equipes de profissionais, colocaram em prática um projeto próprio: construíram uma cisterna, com capacidade para armazenar 15 mil litros de água, e um equipamento para retenção de energia solar. Além disso, fizeram na cidade um horta comunitária. “Pude perceber que os moradores têm ‘sede’ da nossa presença e das nossas instruções”, comenta a aluna do Colégio Emilie, Juliana Verardi Serrano. No total, foram beneficiadas diretamente 1,5 mil pessoas de 13 comunidades da zona rural daquele município. Os voluntários iniciaram as atividades em 30 de junho, depois de 50 horas de viagem, de ônibus, e de meio dia montando os três consultórios improvisados, sendo um na escola da comunidade, outro em uma casa particular e o último em uma fábrica de farinha. (Cássia Gisele Ribeiro - 22/07/03) |
|
|||||||||||||||||||