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Hip Hop educa jovens para os problemas urbanos A prefeitura de Santo André encontrou uma maneira para mobilizar jovens a lidar com questões como saneamento básico, limpeza das ruas e preservação de áreas de mananciais. Com a criação de uma Assessoria da Juventude, o poder público está utilizando os elementos do Hip-Hop (break, rap, grafite e discotecagem) para fazer com que os jovens contribuam para a conservação da cidade. O grafite, por exemplo, acabou diminuindo a quantidade de pichações de Santo André e está dando uma cara nova para os bairros da cidade. Leia mais
Em Brasília, experiência semelhante é promovida pela Secretaria de Segurança Pública que está resolvendo os problemas de depredação e pichação na cidade satélite de Ceilândia. Com o programa "Picasso não pichava", são oferecidos cursos de pintura, desenho e computação gráfica para os adolescentes, que aprendem a conservar o lugar em que moram. Leia mais
Da estação de trem até a prefeitura de Santo André é necessário caminhar cerca de dez minutos. Mas é o suficiente para perceber que o centro da cidade está limpo. Percebe-se que, entre um prédio e outro, ainda há esboços de grafites não concluídos, mas pouco se vê de pichação. O muro da estação, por exemplo, é grafitado e o mesmo acontece com um outro bastante próximo à sede da prefeitura - este ano, ele serviu como tela para os jovens artistas de rua que, munidos de spray e idéias, participaram da III Mostra de Grafite de Santo André. O evento foi promovido pela prefeitura e contou com a ajuda dos grupos de grafiteiros espalhados por toda a cidade. A Mostra é um dos frutos de uma política municipal, que implementou, em 1997, uma assessoria especial que lida com assuntos ligados à juventude. Esse órgão cria mecanismos de escuta para a população juvenil e organiza políticas que potencialize projetos e programas sócio-culturais. "Nós trabalhamos com cinco eixos: informação, formação, expressão, convivência e participação do jovem", contou Katia Coelho, assessora técnica de juventude da prefeitura de Santo André. Para isso, programas como a construção de um Centro de Referência Juvenil e núcleos culturais foram adotados para atender à demanda juvenil. Ícaro, 20, é um exemplo de como essa ação pode dar certo. Grafiteiro, ele agora ministra oficinas para comunidades da periferia de Santo André, junto com seu grupo, o Traços. O último trabalho aconteceu em um posto de saúde do Jardim Cara. Foram oito meses de trabalho com a participação de 70 jovens. "A iniciativa atingiu outras pessoas. Tinham mães que vinham comentar com a gente que seus filhos tinham melhorado na escola", conta. O grafite acabou dando uma cara nova ao bairro. "O posto de saúde foi todo grafitado e as ruas ficaram mais limpas". Com a oficina, o posto de saúde passou a ser um centro de convivência e informação. Além disso, os participantes estão conseguindo convites remunerados de comerciantes locais para trabalharem com o grafite. Segundo Katia, a arte da rua funciona como um instrumento pedagógico, à medida em que os jovens não vão para os muros sem refletir sobre conceitos de política, saúde, segurança, cidadania, educação e trabalho. "Há uma construção de pensamento feita antes de se ir para os muros. Um grupo de grafiteiras faz oficinas em uma casa de apoio a mulheres vítimas de violência. O que será que elas vão pintar? Um grupo trabalha em uma usina de reciclagem de papel e têm que reciclar o material que usam, aprendendo a preservar o ambiente", disse. A assessora explica que a grafitagem de muros não é uma política de contenção dos pichadores, e sim uma medida reflete na diminuição da poluição visual que é mais eficaz do que o mero policiamento. "A ação policial pode estar matando um artista e construindo um ladrão", acredita. (Raquel Souza)
Para conter o índice de pichação e depredação de prédios, patrimônios históricos e muros da cidade, a Secretaria de Segurança Pública de Brasília fez de tudo: exposição fotográfica que mostrava a sujeira das ruas, controle de lojas fornecedoras de spray, mutirão de limpeza chamado "Limpando a Barra" e a implantação de um disque denúncia (que já recebeu mais de 300 ligações). Mas foi com a arte que a secretaria está resolvendo os problemas de depredação e pichação de uma das regiões da periferia de Brasília, a cidade satélite de Ceilândia. É o programa "Picasso não pichava", que oferece cursos de pintura, desenho e computação gráfica para os adolescentes. A idéia é inspirada nas experiências de Nova York, EUA, que adotou medida semelhante para conter o problema. Um ônibus busca os jovens em suas residências e escolas por volta das 22h30 e os conduzem para o local do curso. Às 2 da manhã retornam às suas casas. Segundo Carlos Vogado, coordenador geral do Programa, é nesse horário que costuma ocorrer os delitos. "Embora eles estivessem envolvidos com pequenas infrações, a maioria dos jovens tinha um lado artístico ou algum envolvimento com a arte", disse Vogado. O que faltava era potencializar esse lado e dar oportunidade para a profissionalização, contou o coordenador. No "Picasso não pichava" ninguém é obrigado a frequentar todas as aulas diariamente, embora sejam distribuídos lanches e cestas básicas para a famílias. O adolescente assume um só compromisso: não pichar. A Secretária do Trabalho disponibilizou recursos junto ao Fundo de Amparo ao Trabalhador. A Administração Regional de Ceilândia cedeu o local e o transporte e a Secretaria da Solidariedade o lanche e cestas básicas. A comunidade foi quem identificou grupos juvenis que praticavam o delito. "Cada um fez sua parte", disse Vogado. No curso, eles têm o acompanhamento de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais. O projeto também está empregando alguns jovens, ex-pichadores, como monitores de produção artística. Os alunos que não mostrarem vocação para pintura, desenho ou computação, são direcionados para o teatro e música. O projeto trabalha com 132 adolescentes de Ceilândia. A infra-estrutura do programa será ampliada até o final do ano para atender 300 jovens em Brasília. Mas a expectativa é de que se atinja também as cidades satélites de Samambaia e Planaltina. Até o dia 27/08 estará acontecendo no Espaço Cultural Renato Russo a exposição de 50 quadros feitos pelos participantes do "Picasso não pichava". Os trabalhos estão a venda e parte do que for arrecadado será revertido para os jovens. (Raquel Souza)
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