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Constatando que adolescentes infratores possuíam dificuldades de inserção no mercado de trabalho, pois carregavam o estigma de terem praticado delitos, a Defensoria Pública do Distrito Federal criou, em 1996, o Projeto Vida Nova cujo objetivo é retirar os adolescentes do círculo vicioso da criminalidade. Cumprindo a pena em semiliberdade, os jovens freqüentam escolas e trabalham prestando serviços de office-boys à Defensoria Pública. Levam e buscam processos nas varas da Justiça, tiram cópias de documentos e fazem trabalhos administrativos. Pelo serviço recebem um salário mínimo por mês, com carteira assinada. O dinheiro ganho é empregado na compra de objetos pessoais e para ajudar a família, uma vez que a maioria é de origem humilde. Um ponto a mais para a cidadania dos 60 participantes. Como resultado do Projeto, o índice de reincidência entre os adolescentes assistidos é de apenas 3,3%, um dos mais baixos conhecidos. (As informações são do Jornal de Brasília)
Aprender fazendo e observando a natureza. Com essa filosofia, a professora Maria Augusta Cabral de Oliveira aproximou temas ligados à ciência e à saúde de crianças de comunidades carentes. Fazendo hortas ou observando o ciclo de vida de borboletas, durante um ano, o modelo foi aplicado em crianças de 7 e 11 anos que freqüentam o centro comunitário da favela do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo. A iniciativa foi tomada pela professora após constatar que, nas turmas das primeiras séries do Ensino Fundamental, há uma valorização do ensino de Língua Portuguesa e Matemática. Assim, desperdiça-se o fascínio que o mundo físico, químico e biológico pode despertar nas crianças. (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
Um grupo formado por 20 detentos do COC (Centro de Observação Criminológica), presídio do Complexo do Carandiru, apresentou esta semana seu mais novo trabalho. Após ensaios e muita leitura, eles representaram a peça "O Rei da Vela", de Oswald de Andrade, no Carandiru. O grupo estreou esta semana, para os presos, "O Rei da Vela", de Oswald Andrade. A apresentação também foi aberta ao público por dois dias. O diretor do espetáculo, Jorge Spínola, que nos últimos três anos montou no presídio também "O Auto da Compadecida" e "A Pena e a Lei", ambas de Ariano Suassuna, diz que o teatro é uma forma dos presos montarem seus quebra-cabeças pessoais. Oswald de Andrade escreveu "O Rei da Vela" em 1933, se trata de uma crítica à elite burguesa por sua hipocrisia, sua degradação e sua subserviência ao imperialismo norte-americano. (As informações são do jornal Folha de S. Paulo)
O espetáculo ainda não tem nome, nem roteiro. Mas algumas coisas já se sabem: nascerá de um texto coletivo, feito por crianças, e terá enorme variedade de sons e ritmos. E o mais importante: deve incentivar a criatividade e a auto-estima de jovens carentes ou em situação de risco. Essa é a proposta do projeto educativo internacional Cenas da Infância, trazido ao Brasil por meio de uma parceria entre a Associação Meninos do Morumbi, o British Council e o grupo de teatro do Reino Unido David Glass Ensemble. Devem participar do trabalho 80 crianças e adolescentes. Em novembro, Glass volta ao Brasil para iniciar a oficina com os educadores e as 80 crianças e preparar o espetáculo. As atividades devem durar duas semanas. O trabalho é fundamentado em técnicas como clown, mímica e dança. Há seis anos o grupo criado por Glass em 1989 aplica conhecimentos cênicos em teatros comunitários, montando oficinas e espetáculos com jovens vítimas da guerra, de violência e miséria. Cerca de 10 mil crianças de países como Camboja, China, Tailândia e Argentina já participaram do Cenas da Vida. "No Brasil, gostaria de trabalhar temas que evoquem a possibilidade de transformação." (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo)
Fernando Barcellos, 19 anos, nunca assistiu a uma peça de teatro na vida. Seu negócio sempre foi o soul. O baiano Gustavo Melo, 26 anos, acabou de fazer uma ponta na novela Um Anjo Caiu do Céu, da TV Globo; Patrícia Costa, 30 anos, traz em seu currículo de atriz a montagem de Zumbi dos Palmares e o filme Orfeu, de Cacá Diegues. Já a doméstica Edna Coelho, 47 anos, tem como bagagem uma única peça, num evento comunitário em Santa Teresa. Personagens tão diversos foram unidos por uma proposta étnica. Os quatro fazem parte da trupe de 20 atores da Cia Teatral dos Comuns, um grupo composto por negros e disposto a levar aos palcos apenas temas afro-brasileiros. A primeira peça, Capoeira - a roda do mundo , que estréia em outubro na Fundição Progresso, pretende contar a história do negro no Rio de Janeiro. Apesar da capoeira no nome, o espetáculo tem samba, rap, soul - todo o arsenal da cultura negra espalhado pelos morros e esquinas da cidade. Os atores da Cia Teatral dos Comuns foram selecionados durante um workshop dedicado à leitura e discussão de autores como o geógrafo Milton Santos, o teórico em Comunicação Muniz Sodré e os poetas Cruz e Souza e Augusto dos Anjos. Condição explícita e obrigatória: ser afro-descendente. A proposta étnica-engajada da nova companhia, como se pode imaginar, não arrebatou patrocinadores. ''Levei mais de uma centena de nãos. As empresas não querem atrelar sua imagem a um conteúdo étnico'', lembra Hilton. Apenas a Eletrobrás concordou em colocar R$ 90 mil na peça, dos R$ 360 mil orçados. Mesmo com apenas um quarto do dinheiro necessário, o diretor da companhia decidiu seguir adiante. Os atores recebem uma ajuda de custo que varia de meio a dois salários mínimos. (As informações são do Jornal do Brasil) |
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