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Em abril, terá início uma nova turma no programa Barco Escola, que está acontecendo em Ubatuba, litoral norte de São Paulo. O projeto tem como objetivo formar jovens, entre 13 e 15 anos, em agentes multiplicadores de conservação da natureza. Os Guardiões dos Oceanos, como são chamados os meninos que participam do projeto, são treinados para contribuir com a proteção das praias, do mar e a participar de projetos ambientais em toda a extensão do litoral norte. Segundo Juliana Cortez, fundadora do programa, a admiração pela beleza do litoral norte de São Paulo foi o principal incentivo para que ela criasse o projeto. Ela afirma que a idéia é que os alunos assimilem a importância de conservar a sua cidade e de criar limites para o crescimento do turismo. "Embora impulsione a economia local, o turismo também pode ameaçar a sua beleza, quando polui o meio ambiente", disse ela ao site da Cidade Escola Aprendiz. O projeto piloto, que foi implantado há um ano e teve duração de quatro meses, formou 30 alunos. A próxima turma terá 60 estudantes. O projeto conta com a parceria da Fundação de Estudos e Pesquisas Aquáticas (Fundespa), Fundação Alavanca (que cede o espaço para as aulas), Associação de Monitores de Ecoturismo de Ubatuba (Ameu) e apoio financeiro da iniciativa privada. As aulas incluem dinâmicas de grupo, oficinas de aquarela, pintura, teatro e exibição de vídeos de preservação ambiental, que visam promover reflexão e estimular o senso crítico dos alunos sobre meio ambiente e educação ambiental. Saídas de escuna para Ilha Anchieta complementam as aulas, possibilitando aos alunos a prática de atividades como trilhas e mergulhos e a participação em palestras sobre a Mata Atlântica e a história do município. Juliana conta que, mesmo morando lá, os alunos nunca tinham andado de barco, ferramenta que ela considera fundamental para se conhecer a vida marinha e despertar o interesse de zelar pela sua preservação. Para participar do projeto, os adolescentes podem ser de ambos os sexos, estar matriculados em alguma escola pública de Ubatuba, saber nadar e ter autorização dos pais. A seleção, realizada pela Fundação Alavanca, inclui ainda entrevistas para avaliar o grau de interesse dos alunos. A primeira turma desenvolveu algumas ações de intervenção local, para colocar em prática o que aprenderam no curso: limpeza de mangue, reivindicação de coleta de lixo junto à associação de moradores e a Prefeitura e palestras de conscientização ambiental em escolas. Neste ano, Juliana pretende realizar uma articulação mais eficiente: consolidar a parceria com a rede municipal de ensino, o poder público local e as direções das escolas para verificar como cada um desses atores pode ajudar. Esta nova etapa vai incluir aulas de laboratório, formação em educação ambiental para os professores das escolas e curso profissionalizante de ecoturismo para os jovens formados, para que os "guardiões" possam gerar renda atuando como guias. Atualmente, o projeto atua apenas em Ubatuba, mas a coordenadora diz que a intenção é expandi-lo para outras cidades do litoral norte de São Paulo, com características semelhantes. "A população dessa região acha que não existe risco ambiental no local. É necessário mobilizar os moradores para modificar os seus hábitos, não apenas para evitar danos ambientais, mas também para melhorar a sua qualidade de vida", diz.
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