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Sem medo de enfrentar a violência, um grupo de 20 mulheres conseguiu tirar meninos e meninas da situação de rua e ainda mudar o cenário urbano da cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas. No bairro de Alto do Cruzeiro, um território de assaltantes, prostitutas e pistoleiros, elas se reuniram no Movimento Pró-Desenvolvimento Comunitário e criaram, no meio da zona de meretrício da cidade, uma escola para atender crianças e adolescentes que se prostituíam ou perambulavam pelas ruas. "Havia muitas crianças no meio daquela bagunça, queríamos tirá-las de lá", relembra Maria Alves Silva, uma das fundadoras do Movimento. A comunidade acabou apelidando a iniciativa de Projeto Oásis. "O nome foi sugerido pelos participantes, que achavam a escola um paraíso frente àquela realidade", diz Maria. Atualmente, 300 estudantes de 4 a 17 anos participam das aulas de educação formal, teatro e reciclagem de papel. Além de tirar as crianças das ruas e da prostituição, a empreitada mudou o bairro. "Com a nossa presença, os homens deixaram de freqüentar os prostíbulos, o que fez com que grande parte deles fechasse", conta Maria. A atual administradora do Projeto Oásis conta que as mulheres que continuam com casas de prostituição adotaram alguns parâmetros antes inexistentes, como garantir que crianças não façam programas ou frequentem os bordéis, e evitar bagunças ou desordem, entre outros. Com isso, a criminalidade diminuiu. As famílias voltaram a residir no bairro e a fama de Alto do Cruzeiro mudou: "Hoje as pessoas não vêm aqui procurando prostitutas, todas querem é conhecer o nosso Oásis e os métodos construtivistas que utilizamos", concluiu Maria. (Raquel Souza) |
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