|
||||||||||||
|
Para Instituo, professor é a garantia de qualidade de ensino De acordo com dados do Ministério da Educação, entre 1994 e 1999, o número total de estudantes que concluíram os oito anos do ensino fundamental cresceu cerca de 50%. A taxa de atendimento escolar na faixa de 7 a 14 anos passou de 89,1% para 96,2% nesse mesmo intervalo. Desses estudantes, cerca de 32, 4 milhões (90,5% do total) estão em escolas públicas. Se temos quantitativamente um crescimento significativo, a preocupação com a qualidade do ensino das escolas públicas não deixa de despertar a atenção de quem se preocupa com a educação no país. Unindo esforços, empresários ligados à Câmara Americana de Comércio e educadores de escolas públicas criaram, há dez anos, o Instituto Qualidade no Ensino (IQE), uma organização não-governamental que atua em escolas públicas de São Paulo, Campinas e Recife. O objetivo da iniciativa é reforçar a competência e a autonomia da escola na implementação e acompanhamento da qualidade da aprendizagem e na relação professor/aluno. Desde que foi criado, o instituto já atuou em 19 escolas - para benefício de 24.591 estudantes. Nove delas são escolas do Estado de São Paulo. O trabalho está ligado principalmente a melhoria da educação das séries iniciais do Ensino Fundamental. "É um período crítico e básico da educação. É nos quatro anos iniciais que se decide se uma criança vai ou não ter autonomia sobre o que aprende no decorrer da vida", disse Suzete Rigo, coordenadora geral do IQE. Para alcançar seus objetivos, o IQE não inventou uma nova máquina, ou usou da tecnologia para melhorar a educação das séries iniciais. Foi com um programa de valorização, acompanhamento e qualificação profissional dos professores da rede pública (sobre conteúdos de língua portuguesa e matemática) que o programa vem obtendo sucesso. Segundo a coordenadora, o trabalho em cada escola dura cerca de quatro anos e nesse período o professor conta com um apoio semanal da sua atividade. Assim, é possível que o profissional medite sobre sua prática e conte com uma atenção especial para os problemas do cotidiano de uma nova proposta. "Especialista da área de ensino de língua portuguesa e matemática acompanha uma vez por semana todo o trabalho. O professor não conta apenas com um suporte sazonal. Se a gente colocou uma nova proposta, então temos que acompanhá-la, dar atenção ao professor", contou Suzete. As ações do instituto estão ligadas a matérias básicas do programa escolar, os profissionais são incentivados a lançar novas propostas de ensino que ofereçam autonomia para o estudante buscar novos conhecimentos. Além disso, há uma dedicação especial para alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem. O núcleo piloto, formado por três escolas da periferia da cidade de São Paulo, encerrou as atividades no final do ano passado com os seguintes resultados: até 1994, 26% dos alunos dessas escolas conseguiam média sete em língua portuguesa e só 10% obtinham a mesma nota em matemática; hoje, o percentual subiu para 67% na primeira matéria e 31% na segunda. "O trabalho foi importante porque despertou no professor a necessidade de saber mais. Nem sempre os profissionais estão preparados para lidar com a realidade do aluno da escola pública de uma periferia", contou Édina Prado Cristone Mantuaneli, diretora da escola estadual Eurico Gaspar Dutra, localizada no Jardim São Luís, Zona Sul da cidade. Apesar da resistência inicial, segundo Édina, o que se verificou é o aumento da auto estima dos professores. A melhoria da qualidade de ensino aproximou a relação dos pais com a escola. Da omissão descrita pela diretora, as famílias passaram a participar dos eventos e do cotidiano escolar. "Acho que os pais se sentiram compensados pelo serviço prestado na escola, a medida em que, os problemas de aprendizado de seus filhos diminuíram e a escola se tornou mais atrativa". A diretora não despreza que um bom salário para os professores da rede pública seja um fator importante para garantir um trabalho eficiente. Mas segundo ela, com a experiência do IQE ficou comprovado que é necessário a valorização do trabalho do professor. (Raquel Souza)
Programa apóia iniciativas de professores e comunidade para melhorar escola Na aldeia indígena onde vive o povo Ticuna, localizada à beira do rio Solimões, tradição e atualidade vivem juntas. Na escola, onde frequentam aproximadamente 750 crianças, a preocupação em preservar os valores antigos e a sintonia com o mundo atual é uma constante. Moradores tornam-se educadores e, por meio da música, resgatam lendas e história da comunidade indígena. Bem distante dali, no bairro da Cidade Líder, Zona Leste paulistana, a escola municipal de educação infantil Prof. Luiz Pereira investe na formação de um acervo literário de contos de fadas. O objetivo é melhorar o desenvolvimento da linguagem, a imaginação e trabalhar os problemas emocionais e éticos das crianças a partir dos elementos presentes nesse gênero literário. Iniciativas como as descritas ocorrem em mais de 2.400 escolas em todo o Brasil, que, desde 95, passaram a contar com o apoio do programa "Crer Para Ver", iniciativa da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e Natura Cosméticos. O programa seleciona e financia projetos para melhoria da educação pública que envolvam organizações não-governamentais (ONGs) e escolas municipais e estaduais, da educação infantil ao ensino fundamental. Os recursos são provenientes da rede de participação voluntária das consultoras Natura que, ao vender seus produtos, arrecadam recursos e divulgam as idéias do Crer Para Ver em todo o país. Dessa rede participam também artistas, fotógrafos, publicitários, fornecedores e colaboradores. Segundo Ana Maria Wilheim, superintendente da Fundação Abrinq, a preocupação do projeto é promover uma educação de qualidade que aposte na diversidade. Segundo a superintendente, não existe uma resposta única para os problemas das escolas em todo o Brasil, cada uma possui uma demanda própria que varia de acordo com a realidade em que está inserida. "É por isso que as ações possuem base em projetos que nascem dentro da comunidade ou do grupo escolar", disse. O programa "Crer Para Ver" distribui material institucional nas escolas públicas, centros comunitários e ongs. Os interessados cadastram os projetos que devem enfocar temas como a gestão democrática, o aprimoramento das práticas educativas e a formação de professores. "São projetos para escolas públicas, mas eles devem ter um poder de disseminação com o restante do bairro", contou Ana Maria. (Raquel Souza)
Na Zona Leste, comunidade e professor são protagonistas de mudança na escola A medida em que as eleições vão se aproximando, a periferia da Zona Leste é bombardeada com panfletos, comícios e promessas de mundos e fundos dos candidatos. Não é diferente a atual eleição para prefeitura de São Paulo. Sem exceção, as caravanas dos políticos da cidade já passaram por bairros como Itaquera, São Matheus, São Miguel Paulista, Cidade Tiradentes e Guaianases. Sem pedir licença, eles invadem, poluem muros e deixam muito papel por onde passam. Entretanto, sem a sujeira habitual, no sábado passado, dia 26/08, foi a convite da comunidade que representantes dos principais candidatos à prefeitura de São Paulo se reuniram na escola estadual Condessa Filomena Matarazzo. Mudando a dinâmica dos "showmícios", os representantes debateram propostas para educação com mais de 200 pessoas - grande parte estudantes - que fizeram perguntas e se comprometeram em formular um documento sobre o que acharam dos planos de governo de cada candidato. O evento foi promovido pelo Fórum de Educação da Zona Leste, que reúne membros da comunidade e educadores em discussões quinzenais sobre o tema. Este ano, o trabalho da entidade está relacionado à eleição - e a possível sensibilização de toda comunidade acerca do assunto. "Com o evento, todos aprenderam muito mais sobre cada proposta. Embora as pessoas não estejam acostumadas com esse modelo de debate, foi melhor do que qualquer monólogo", disse o estudante Milton Alves, 24 anos, membro do Fórum. As ações do Fórum são apenas exemplos de como as organizações comunitárias e escolas da região leste paulistana estão conseguindo se mobilizar em prol da educação. Na Cidade Tiradentes, é com o Hip-Hop que o grupo juvenil Força Ativa está promovendo encontros musicais, sarais e debates no ambiente escolar. Outras sete organizações fazem trabalhos semelhantes contando com a parceria da organização não governamental Ação Educativa. Que criou, em 1997, o programa Integrar pela Educação, que conta com apoio financeiro da Kellogg Foundation. A iniciativa visa estreitar relações dos movimentos comunitários com as escolas e com o poder público. Ao invés de um programa fechado, segundo Renato Marcio do Nascimento, assessor do Ação Educativa, o desafio imposto pela fundação estrangeira era o de compor um programa onde os potenciais de todos os grupos envolvidos pudessem ser explorados num regime de cooperação. "Fomos desafiados no sentido de não ser um projeto escrito por uma ONG, mas por todos os interessados". A iniciativa atrai, a cada dia que passa, mais interessados. "Estamos trabalhando agora com o Sesc-Itaquera, com conselhos tutelares da região e já temos duas escolas municipais nos acompanhando", disse Nascimento. (Raquel Souza) |
|
||||||||||