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Há pouco mais de uma semana um dado espantou grande parte dos educadores brasileiros. De cada cinco alunos que cursam o ensino fundamental ou médio no Brasil, um deve receber uma má notícia daqui a dois meses, quando terminarem as aulas: a reprovação. A estatística do Instituto Nacional de Pesquisa Educacional (Inep), do Ministério da Educação, revela um quadro ainda mais grave quando comparada a outra pesquisa, realizada pela Unesco: entre 107 países estudados, apenas cinco - todos da África - superam o Brasil em índices de repetência no ensino fundamental. Problemas como a falta de estrutura nas escolas e o pouco interesse dos pais em manter os filhos na sala de aula causaram a extinção do advento de programas de transferência de renda como o Bolsa-Escola e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti). Ao longo dos anos, a política incisiva do MEC com investimentos no ensino fundamental não conseguiu reduzir os índices de repetência no nível previsto. Já o ensino médio, considerado o ''primo pobre'' do sistema, enfrenta uma realidade ainda menos animadora: escassez de recursos e a inadequação dos currículos de estudantes que atravessam a conturbada adolescência. Para o professor e pesquisador Rubem Klein, responsável pelas estatísticas do Laboratório Nacional de Computação Científica do Ministério da Ciência e Tecnologia, nenhuma justificativa consegue explicar o que os números traduzem tão bem: a persistência de altos índices de reprovação. Segundo ele, as primeiras séries são, historicamente, pólos de concentração do problema. “A questão não é o ciclo ou a série, mas o modo de ensinar. Formação e qualificação ainda são grandes problemas. Professores chegam à sala de aula com baixa escolaridade, em função da pouca perspectiva da profissão, que não é atraente, com baixos salários”, afirma Leia
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