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A precariedade das rodovias brasileiras criou, há mais de uma década, um tipo diferente de profissional: crianças que sustentam suas famílias com os trocados que recebem dos motoristas por taparem os buracos das estradas. O motorista é obrigado a andar, em média, a 40 quilômetros por hora para escapar de tantos buracos. Minutos antes, o menor joga uma pá de terra sobre o buraco e aguarda a recompensa: algumas moedinhas jogadas no chão. Um dia de trabalho nas estradas do interior do Norte e Nordeste rende de R$ 3,00 a R$ 5,00, dependendo da boa vontade dos motoristas. É que a cota de trocados pode ter acabado por já terem passado por muitos tapadores de buracos no percurso. A má qualidade das rodovias do país gerou também um outro tipo de crime: o roubo de carga e de passageiros tal a baixa velocidade com que o motorista tem que dirigir. Pelo que anunciou o presidente Fernando Hebrique, os tapadores de buracos estão com sua sub-existência ameaçada. Um total de R$ 180 milhões serão liberados para 18 estados para a recuperação dos trechos mais danificados das estradas. Além disso, no segundo semestre deverão ser abertas licitações para terceirizar a manutenção de rodovias no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A miséria do sertão terá que ser contornada com uma maior criatividade. |
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