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Cerca de 383 mil pessoas que moram em São Paulo são analfabetas. Os dados fazem parte do Mapa do Analfabetismo lançado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Leia mais:
A Unesp (Universidade Estadual Paulista) vai encerrar nesta sexta-feira (06/06) as inscrições para o processo seletivo de inverno 2003. Os interessados devem se inscrever pela Internet. Leia mais:
A dona-de-casa Valderez de Souza Freitas não tem nenhum problema de visão, mas, muitas vezes, alega que "esqueceu os óculos" em casa para não preencher alguma ficha ou um cheque. Recados telefônicos, ela "esquece" de anotar. As artimanhas são para esconder um problema que, em São Paulo, atinge 383 mil pessoas: o analfabetismo. "É muito triste uma pessoa de 44 anos dizer que não sabe escrever", afirma ela, que participa de um programa de alfabetização para adultos no Parque São Lucas (zona leste). As aulas, realizadas dentro de um posto de saúde, são promovidas pela ONG Alfabetização Solidária em parceria com a Universidade São Judas. Assim que souber escrever direito, a dona-de-casa pretende enviar uma carta para a irmã, que mora em Afogados da Ingazeira, no interior de Pernambuco. "Lá tinha escola, mas eu tinha que trabalhar na roça para ajudar a família." Aos 18, ela mudou para São Paulo, em busca de trabalho. O processo migratório é apontado por Regina Esteves, superintendente do Alfabetização Solidária, como uma das principais causas do analfabetismo em São Paulo. Ela afirma que uma pesquisa da entidade mostrou que 76% dos alunos atendidos na cidade vêm do Nordeste. "Nós temos em São Paulo a maior concentração absoluta de pessoas não-alfabetizadas, mas não podemos ver esse dado de forma isolada. O combate ao analfabetismo deve ser uma política nacional para atingir também a causa desse problema nos grandes centros", afirma Esteves. Na esfera municipal, uma das formas encontradas para enfrentar o analfabetismo é o Mova (Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos), instalado pela prefeitura no ano passado. O programa é
executado por ONGs que já trabalhavam com educação.
"O objetivo é ir onde a escola ainda não foi",
diz Marisa Darezzo, diretora de educação de jovens e adultos
da Secretaria Municipal de Educação. A Secretaria Estadual de Educação afirmou ontem, por meio de sua assessoria, que não possui nenhum programa voltado especificamente para a erradicação do analfabetismo. Entretanto, a pasta lançará hoje o Programa de Alfabetização e Inclusão (PAI). O objetivo desse projeto é alfabetizar, em quatro anos, 700 mil pessoas com idade superior a 15 anos. (Folha de S. Paulo - 05/06/03)
Cem municípios concentram 22,4% dos jovens e adultos analfabetos no País, segundo o Mapa do Analfabetismo lançado ontem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). Fazem parte dessa lista 24 capitais, incluindo São Paulo, que lidera o ranking de cidades brasileiras com maior número absoluto de pessoas iletradas acima de 15 anos: 383 mil. Em segundo lugar, vem o Rio, com 199 mil. Embora abriguem a maior quantidade de analfabetos, São Paulo e Rio têm posições diferentes no ranking em termos relativos. Menos de 5% da população das duas capitais não sabe ler nem escrever - no caso de São Paulo, a taxa é de 4,9%; no Rio, de 4,4%. No Brasil, a taxa é de 13,6%, o equivalente a 16 milhões de pessoas. Mas o Ministério da Educação (MEC) estima que o total de analfabetos funcionais incapazes de usar no dia-a-dia a linguagem escrita possa chegar a 30 milhões. Apesar do crescente acesso da juventude pobre à escola, o País continua marcado pela desigualdade. Os índices de analfabetismo em famílias com renda acima de 10 salários mínimos chega a ser 20 vezes menor do que entre quem ganha 1 salário mínimo. Os dados mais alarmantes vêm do Norte e Nordeste. Jordão, no Acre, é o campeão de analfabetismo no País, com uma taxa de 60,7%. Ou seja, de cada dez moradores, seis não escrevem nem lêem. Dos 5.507 municípios pesquisados, os 20 com as piores taxas são do Norte e Nordeste. São João do Oeste, em Santa Catarina, vive realidade distinta. Com taxa de 0,9%, é a cidade com menor índice de analfabetismo. As 20 menores taxas foram registradas no Sul. Na lista, o melhor desempenho do Sudeste coube a Águas de São Pedro (SP) e a São Caetano do Sul (SP), que ficaram em 27.º e 28.º lugar respectivamente. O diretor de Tratamento e Disseminação de Informações Educacionais do Inep, José Marcelino, destacou que, embora as maiores taxas estejam no Norte e Nordeste, em termos absolutos o problema tem abrangência nacional. Afinal, metade dos jovens e adultos que não sabem ler nem escrever mora em 586 municípios. O secretário
de Alfabetização do MEC, João Luiz de Carvalho, disse
que as grandes cidades dispõem de mais recursos para erradicar
o problema. Por outro lado, segundo ele, carecem de "solidariedade",
atitude mais freqüente nos pequenos municípios.
O Mapa do Analfabetismo no Brasil mostra que em apenas 19 dos 5.507 municípios pesquisados a população conclui, em média, oito ou mais séries do ensino regular período necessário para o término do ensino fundamental, que vai da 1.ª à 8.ª série. Definido como obrigatório pela Constituição, esse nível de escolaridade não é atingido na imensa maioria das cidades brasileiras. Em 1.796 delas, segundo o mapa, a escolarização média de adultos e jovens com mais de 15 anos é inferior a quatro séries concluídas. A média nacional é de seis. Não é à toa que, em termos de analfabetismo, o Brasil aparece atrás de Argentina, Chile, Costa Rica, Trinidad e Tobago, México e Colômbia no último ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas. Por causa disso, o ministro da Educação, Cristovam Buarque, usa o termo "abolição" quando promete acabar com o analfabetismo. O mapa aponta a relação entre a escolaridade da população e o grau de analfabetismo. Niterói (RJ), cidade com a maior média de séries concluídas (9,5), tem taxa de 3,6% de analfabetos. Dos 19 municípios que superam a média de oito anos, 7 são paulistas, incluindo São Paulo (média 8,02). Já em Guaribas (PI), onde o governo lançou o programa Fome Zero, os moradores concluem em média apenas uma série do ensino regular. E a taxa de analfabetismo é de 59% quase tão alta quanto a de Jordão, no Acre, a maior do País (60,7%). (O Estado de S. Paulo - 05/06/03)
Para tentar erradicar o analfabetismo no país até 2006, conforme promete, o Ministério da Educação criou neste ano uma secretaria específica para o assunto. Em três meses, a secretaria firmou convênios para capacitar 27.100 alfabetizadores, que ensinarão 451 mil pessoas a ler e escrever. (Folha Online - 05/06/03)
A Unesp (Universidade Estadual Paulista) vai encerrar na próxima sexta-feira, dia 6, o período de inscrições para o processo seletivo de inverno 2003. (Folha Online - 04/06/03) |
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