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Colégio forma suas últimas normalistas O Instituto da Educação, RJ, formará este ano a
última turma de normalistas. O curso que já foi ícone
de uma geração será extinto para adaptar-se às
exigências da nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional). Consciência ecológica no jardim de infância Professora do Distrito Federal é premiada por trabalho ecológico
desenvolvido com alunos do jardim da infância.
Colégio forma suas últimas normalistas A normalista do Instituto de Educação do Rio de Janeiro, personagem da paisagem carioca que encantou gerações e foi tema da minissérie Anos Dourados, nos anos 80, na TV Globo, vai desaparecer. Este ano, formam-se as últimas professoras primárias do tradicional colégio estadual, que extinguiu o curso de nível médio a fim de atender à nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a partir de 2007, todos os professores da 1ª à 4ª série do ensino fundamental deverão ter curso superior. Antecipando-se à mudança da legislação, o instituto já oferece a formação desde 1999. O clima é de consternação e saudosismo entre professores, pais e a direção do instituto, que preferiam adiar a medida por alguns anos - até porque as outras 25 escolas normais do Estado continuarão a oferecê-lo. Além disso, a procura pelo curso sempre foi grande, como indica o número de formandos deste ano (419 meninas e 1 rapaz) e o entusiasmo deles. "Ainda existe demanda por professoras primárias e as meninas que se formam aqui têm acesso ao mercado de trabalho", diz o diretor-geral do Instituto de Educação, Hasenclever Martinelli. "Elas poderiam continuar seus estudos já exercendo uma profissão." A decisão de extinguir o curso foi da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), órgão do governo do Estado ao qual o Instituto de Educação é subordinado desde 1997. Na época, foi a solução encontrada pelo então governador Marcello Alencar para sanar os problemas que o centenário colégio atravessava, desde a conservação do prédio, tombado pelo município, à dificuldade de contratar professores e de manter o nível do ensino. "Pensou-se que, por meio de uma fundação, seria mais fácil obter recursos", lembra Martinelli. "Mas não ocorreu isso." Além do fim do Curso Normal, que dura três anos e já foi referência para todo o País, a direção do Instituto de Educação lamenta a decadência do colégio causada, na sua opinião, pela dificuldade de entrosamento com a direção da Faetec. O colégio tem 5 mil alunos, da creche ao Normal Superior. Os laboratórios não funcionam por falta de material, a quadra olímpica está desativada e a piscina permanece fechada. Tais deficiências levaram à interdição da creche, que atendia 90 crianças. "Toda a verba deve ser remetida à Faetec, que a distribui entre outras instituições subordinadas a ela e, assim, o dinheiro nunca chega ao Instituto de Educação", diz a presidente da Associação de Pais do instituto, Fátima Rodrigues. O diretor-geral da Faetec, Augusto Azevedo, tem outra opinião. "Não faz sentido dar ao aluno um diploma que ele não poderá usar dentro de poucos anos", afirma. Quanto à falta de verba, ele crê que o problema é a má gestão. "Administramos 14 escolas e o instituto é o único que tem esse tipo de problema." Para a diretora acadêmica do colégio, Léia Szrajbman, as dificuldades ocorrem justamente quando a instituição começava a se recuperar de um período de crise aguda. "Nos ano 80, houve o sucatamento geral do ensino público, mas a tendência começou a se reverter nesta década porque a Constituição de 1988 determina que o ensino médio é responsabilidade dos Estados", diz Léia. "Além disso, com a recessão, a classe média tirou os filhos da escola particular e começou a pressionar pela boa qualidade da escola pública." É com essa pressão que a direção do instituto conta para tentar reverter a decisão de fechar o curso normal de nível médio. O Instituto de Educação, que fica na Tijuca, foi criado em 1932, com base no projeto de Escola Nova de Anísio Teixeira, que defendia ensino igual para todos. Em outras épocas, passaram pelos bancos da escola as atrizes Marieta Severo e Tônia Carrerro, a poeta Cecília Meirelles, a atual socialite Gisela Amaral e milhares de outras adolescentes. Muita sonhavam com a independência propiciada pela carreira de professora e com um romance, de preferência, seguido de casamento, com os alunos do Colégio Militar. Exatamente como o personagem de Malu Mader na minisérie Anos Dourados. Ela vivia uma recatada normalista e um tumultuado romance com Felipe Camargo, que interpretava um cadete do Colégio Militar. Hoje, as adolescentes continuam a acreditar que o curso normal seja um caminho de realização. A maioria das formandas de 2000 pretende fazer os concursos para professora de ensino fundamental que a Prefeitura do Rio deve realizar no ano que vem e já se prepara, como Patrícia Maria, que nunca estudou em outro estabelecimento. Outras alunas conseguiram seu primeiro emprego por terem estudado no instituto. Charlene de Queiroz foi uma das alunas escolhidas pela Fundação Leão XIII para estágio remunerado, enquanto o emprego de Carla de Barros numa creche particular foi garantido quando ela disse ser aluna do Instituto de Educação. Há ainda as que pretendem ter outras profissões, mas garantiram um emprego desde já, como Suzana Neris, que quer ser engenheira. Por tudo isso, ax-alunas choram o fim do Curso Normal Médio. "É como se cortassem um pedaço do meu coração", lamenta a diretora-administrativa do colégio, Ena Faria Toledo, formada lá em 1962. "É triste ver uma tradição acabar assim, num momento em que há uma demanda por parte de alunos e pais pelo curso." (O Estado de S. Paulo) Consciência ecológica no jardim de infância O ar serve para secar a roupa lavada ou para fazer a pipa subir no céu. A terra tem como destinação a construção de casas ou existe, simplesmente, para que as crianças possam brincar. A água, além de ser bebida, permite que os peixes nadem. Assim, com sua visão infantil, os alunos da professora Sandra Regina Rosa Salim, do Jardim de Infância II, de Sobradinho, definiram a função de três dos quatro elementos da natureza. Tudo para desenvolver a sensibilidade e formar uma consciência ecológica. O trabalho, que envolve leitura, pesquisa, confecção de livros artesanais, elaboração de murais coletivos, visitas a parques ecológicos e coleta seletiva de lixo, rendeu a Sandra Regina um prêmio do Ministério da Educação e Fundação Orsa. No dia 13, a professora de Sobradinho e outros 25 educadores de todo Brasil receberão, em Brasília, o Prêmio Qualidade na Educação Infantil. A Sandra caberão um diploma e um kit com material de apoio pedagógico,
além de R$ 3 mil. Para ela, no entanto, a premiação
não é o mais importante. "Não vou negar que
o dinheiro é bom, mas o melhor de tudo isso é o reconhecimento
de um Preocupada com o meio ambiente, especialmente com a água do Planeta, Sandra resolveu desenvolver um trabalho de conscientização de seus alunos, crianças com idade entre cinco e seis anos. A partir dos quatro elementos da natureza - ar, terra, água e fogo -, a professora elaborou um programa de trabalho para todo o ano. Com folhas de papel branco, as crianças puderam, por exemplo, criar seus próprios livros, utilizando frases sobre a função de cada um dos elementos e desenhos coloridos. Um aquário para peixes se transforma, em sala de aula, em um terrário, como chamam as professoras. Na caixa de vidro são colocadas várias camadas de terra e plantas, como pés de feijão, cujo crescimento pode ser acompanhado pelos alunos, assim como o desenvolvimento de minhocas e alguns insetos. Um plástico transparente sobre a caixa permite que os pequenos cientistas entendam a formação das chuvas. "Eles estão aprendendo, aos poucos, a criar, a participar e a respeitar a natureza", afirma ela. O Prêmio Qualidade na Educação Infantil pretende valorizar e difundir experiências pedagógicas relevantes realizadas por professores de educação infantil. São selecionados representantes de cada estado e do DF - Amapá e Minas Gerais não participaram este ano. A melhor experiência do País receberá uma Kombi equipada com televisão, vídeo e outros aparelhos, que transformarão o veículo em uma sala de aula móvel, a ser utilizada pelo município onde trabalha o ganhador. A premiação, no entanto, não é uma experiência nova para Sandra Regina. No mês passado, ela recebeu o Prêmio ao Professor 2000, oferecido pelo GDF, com um trabalho sobre literatura. (Jornal de Brasília) |
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