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Fumo na adolescência é associado ao desenvolvimento de ansiedade Pesquisa aponta que jovens fumantes estão mais propensos a terem distúrbios de ansiedade. Aqueles que consomem cerca de 20 cigarros por dia estão 12 vezes mais expostos a doenças como sindrome do pânico e agorafobia do que os não- fumantes. Leia mais.
Fumo na adolescência é associado ao desenvolvimento de ansiedade Contrariamente à crença popular de que os adolescentes que fumam são jovens nervosos, que usam o tabaco para se acalmarem, um novo estudo sugere que fumar muito pode ter o efeito oposto e, de fato, aumentar o risco de se desenvolver certos distúrbios de ansiedade no final da adolescência ou no início da idade adulta. O estudo, que será publicado na quarta-feira (8) pela revista "The Journal of the American Medical Association", descobriu que, comparados aos não-fumantes, os adolescentes que fumavam ao menos 20 cigarros por dia tinham 12 vezes mais probabilidades de mais tarde sofrerem de ataques de pânico e cinco vezes mais de distúrbio de ansiedade generalizada e de agorafobia, medo de espaços abertos que incapacita algumas pessoas de saírem de casa. "Esses distúrbios severos de ansiedade podem ter início poucos anos depois que o adolescente começa a fumar um maço por dia", disse Jeffrey G. Johnson, autor do estudo e professor assistente de psicologia clínica da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia. Johnson disse que esperava que as descobertas persuadissem os adolescentes a pararem de fumar ou nem começarem. Alan I. Leshner, diretor do Instituto Nacional de Abuso de Drogas, disse que o estudo era importante porque mostrava que fumar cigarro pode causar rapidamente um dano emocional em adolescentes, muito antes do aparecimento dos efeitos físicos como o câncer de pulmão ou doenças do coração. De que forma fumar pode aumentar a ansiedade não se sabe. Johnson e seus co-autores do Instituto Nacional de Saúde Mental e do Centro Médico Mount Sinai em Nova York, disse que o aumento da ansiedade pode ser devido aos efeitos da nicotina no cérebro ou dos níveis diminuídos de oxigênio nos fumantes. Johnson disse que estudos de outros pesquisadores haviam demonstrado que problemas respiratórios e a falta de oxigênio podem iniciar ataques de pânico, descoberta que ajudou a convencer a ele e seus colegas a continuarem sua pesquisa. O estudo é o segundo a sugerir que o fumo pode levar a distúrbios emocionais em adolescentes. Um artigo na revista de pediatria "Journal Pediatrics" de outubro relatou que os adolescentes que fumavam tinham quatro vezes mais chances do que os que não fumavam de desenvolver a depressão. Já os adolescentes deprimidos tinham igual chance de começar a fumar do que os não-deprimidos. O estudo de Johnson incluiu 688 jovens do norte do estado de Nova York, que foram entrevistados entre 1985 e 1986 aos 16 anos de idade, e depois entre 1991 e 1993, com a idade média de 22. Os entrevistadores perguntaram sobre os hábitos de fumar e utilizaram pesquisas especiais formuladas para identificar problemas psiquiátricos, incluindo os distúrbios de ansiedade. As pessoas com um distúrbio de ansiedade generalizado têm freqüentemente sensações de medo e ansiedade, muitas vezes acompanhados de sintomas físicos como aceleração cardíaca, sudorese e falta de ar, disse Johnson. Ele descreveu os ataques de pânico como "medos repentinos e inesperados, que vêm do nada e crescem rapidamente" e disse que os ataques podem ser tão intensos que as vítimas sentem-se como estivessem tendo um ataque cardíaco ou até morrendo. As pessoas com agorafobia têm reações parecidas aos ataques de pânico. Os pesquisadores descobriram que os adolescentes que já tinham distúrbios de ansiedade aos 16 anos tinham as mesmas probabilidades de fumar do que os que não apresentavam esses distúrbios. Em ambos os grupos, 14 a 15% começaram a fumar ao menos 20 cigarros por dia no início da idade adulta. "Os distúrbios de ansiedade durante a adolescência não contribuíram para o fumo exagerado", disse Johnson. "Não houve associação, nem mesmo uma sugestão de associação entre os dois fatores". Aos 16 anos, 39 adolescentes, ou 6%, fumavam ao menos 20 cigarros por dia. Seis anos depois, 4 tinham desenvolvido agorafobia, 8 distúrbio de ansiedade generalizada e 3 distúrbio do pânico. Aqueles que fumavam menos ou não fumavam apresentaram taxas bem menores de distúrbios desse tipo. Os pesquisadores disseram que as diferenças em distúrbios de ansiedade nos jovens adultos não puderam ser explicadas por diferenças em idade, sexo, temperamento na infância, uso de álcool ou drogas na adolescência, ansiedade e depressão na adolescência ou pelas características dos pais quanto ao nível educacional, distúrbios psicológicos ou fumo. Johnson disse que sua pesquisa não determinou exatamente quanto tempo seria necessário para uma pessoa que fuma muito aumentar seus riscos de desenvolver distúrbios de ansiedade, nem revelou se parar de fumar ajudaria a acabar com os distúrbios. (New York Times) |
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