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As escolas públicas do ensino infantil e do ensino médio poderão ficar sem professores em dez anos. Isso porque muitos estão quase se aposentando e não há novas contratações. Leia mais:
Para aprender inglês não basta só aprender gramática, é necessário prestar atenção nos movimentos e sons que saem da boca, para poder ter fluência no idioma. Leia mais:
Pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) mostra que, em dez anos, poderá faltar professores no ensino básico (do infantil até o antigo segundo grau) das escolas públicas brasileiras se o governo não abrir concurso para contratar novos profissionais. Os números levantados em dez estados mostram que a maioria dos professores tem entre 40 anos e 59 anos, estando, portanto, próxima da aposentadoria. A média do tempo de serviço dos 4.656 professores entrevistados é de 15 anos. As mulheres, que hoje se aposentam depois de trabalharem 25 anos, representam 83% dos professores, o que piora ainda mais o quadro. No magistério, os homens se aposentam após 30 anos de serviço. Além da formação dos professores estar aquém do necessário, a maioria já está no meio de carreira e candidatando-se à aposentadoria, afirmou Juçara Dutra Vieira, presidente da CNTE. Juçara disse ainda que a incerteza sobre o futuro do regime previdenciário piora ainda mais a situação. Muitos professores estão pedindo aposentadoria proporcional para assegurar direitos adquiridos. A reforma da Previdência, de 1998, estipulou idades mínimas para aposentadorias: 60 anos para homens e 55 para mulheres. Mas para quem ingressou no serviço público antes de 98, a regra de transição prevê que a mulher pode se aposentar com 48 anos e o homem aos 53 anos. (O Globo - 11/04/03)
A pesquisa mostrou ainda que 38,9% dos profissionais de educação estão com idades entre 25 a 39 anos. Apenas 2,9% estão na faixa entre 18 a 24 anos. Esse dado demonstra a progressiva diminuição do ingresso de novos professores nas escolas, disse a presidente da CNTE. Dos 4,6 mil entrevistados, 75% são professores e 25% são funcionários das escolas. A confederação concluiu que a médio prazo, em cerca de dez anos, o país irá começar a sofrer com a escassez de professores, especialmente nas áreas técnicas, como matemática, química e física. Esses professores estão sendo mais bem remunerados no ensino privado. O levantamento mostra que a maioria dos educadores recebe salários que variam entre R$ 200 e R$ 1.000 (54%). No quesito saúde, a maioria não pratica atividade física e 43% já foram submetidos a alguma cirurgia. Foram entrevistados trabalhadores em dez estados: Tocantins, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Paraná, Alagoas, Mato Grosso, Piauí, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul. (O Globo - 11/04/03)
Você adoraria falar inglês fluentemente, mas não consegue se adaptar à decoreba de muitos cursos tradicionais, não vê resultados práticos na ênfase dada à gramática e sente um bloqueio quando tenta se expressar: já experimentou algo na linha do "affective learning" (ensino afetivo)? O método parte do princípio de que os alunos têm necessidades diferentes e cada um deve descobrir o seu jeito de chegar ao mesmo objetivo falar inglês. A idéia é "aprender a aprender". Não chega a ser uma psicanálise em sala de aula, mas os estudantes são estimulados a se expor e a procurar em si próprios respostas para perguntas de ordem pessoal e didática. "Eu mesma fui do tipo que perguntava tudo e muitas vezes era encarada como a aluna 'pentelha', que atrapalha a aula", diz a professora Lilian Raicher, 43, que cursou letras na universidade de Tel Aviv e fez pós-graduação em linguística na PUC. Basicamente, seu curso é de pronúncia, um dos fatores que mais "travam" o aprendizado. Ela explica que a primeira coisa que o aluno vai fazer é ouvir e associar os sons, como todo mundo faz na infância com a língua nativa. Na aula para um grupo de funcionários de uma seguradora, Lilian apresenta um quadro fonético com 44 símbolos dos sons em inglês e os faz ouvir os fonemas isolados. A professora pede aos alunos que imitem o movimento que ela faz com a boca, observem os músculos que mexe, a abertura do maxilar, a posição da língua com relação aos dentes e ao céu da boca. Funciona quase como uma aula de mímica. "Eles vão associar o movimento da boca ao som produzido", explica Lilian. Parte da primeira aula é dada em português. "Quero que todos entendam que a gente tem de partir do que já conhece e procurar semelhanças", diz a professora, cujo curso tem cerca de 32 horas em dois meses e custa em média R$ 280. "Essa brincadeirinha dos porquês, das origens das coisas, me fez dar passos sem perceber. Você quebra a expectativa do abre-livro, fecha-livro, decorar, repetir. Em um curso normal, quando a gente chega àquele ponto de 'phrasal verbs' (expressões idiomáticas formadas por verbos), parece que não vai para frente", diz o analista de sistemas Roberto Matsuda, 35, que já frequentou três cursos tradicionais e teve aulas com três professores particulares. O primeiro contato de Lilian com o método que adota ocorreu na PUC, quando era aluna da professora Camila Lieff, morta em 2002. Camila desenvolveu a chamada abordagem humanista do aprendizado de línguas, que tem seguidores como o professor inglês Adrian Underhill, reconhecido na Inglaterra pelos bons resultados obtidos em cursos para estrangeiros. "A aula da Camila era diferente de tudo o que eu conhecia, o método era apaixonante", lembra Zaina Abdalla Nunes, 48, professora da Faculdade de Comunicação e Linguística da PUC e, durante 23 anos, da Cultura Inglesa, escola que também oferece métodos alternativos de ensino. Em suas aulas de prática de pronúncia, Zaina também observa a reação dos alunos ao quadro fonético inglês e os sensibiliza para as diferenças com o português. As tarefas de casa são gravadas pelo aluno em fitas cassete e depois ouvidas por Zaina, que faz um levantamento das necessidades prioritárias de cada um. "Às vezes, o aluno tem 10 milhões de dificuldades de pronúncia: se eu falar, ele vai embora no ato. Seleciono o primordial e reforço a atenção naquele ponto para não desmotivá-lo", diz. Ao mesmo tempo, o aluno é submetido ao que Zaina chama de "produção expontânea". Ele vai falar dele, o que gosta, o que não, por que faz o curso. Zaina explica que as turmas não são grandes, no máximo 12 alunos, como a maioria das classes de inglês. O diferencial é o tipo de abordagem centrada no aluno, com enfoque exclusivo na pronúncia. "Aqui o princípio de tudo é a pronúncia, enquanto em curso tradicional ela é parte de um contexto geral", explica. Além das aulas para universitários, ela pretende ministrar no próximo semestre um curso de 15 semanas (45 horas), aberto à comunidade e promovido pelo departamento de inglês da PUC . Nas aulas de Lilian Raicher, que acredita que o aprendizado de inglês tem a ver até com auto-estima, a professora conta com o suporte de uma psicóloga em sala. "Muitas vezes, o aluno se sente julgado, intimidado ao falar, e isso pode ser contraproducente. Trabalhamos com um diário onde ele anota suas principais dificuldades", diz a psicóloga Fátima Gomes, 46. Fátima os ajuda a superar as dificuldades pessoais, e Lilian, as de expressão verbal. Num outro caso de abordagem humanista do aprendizado, a professora Vera Cabrera Duarte, 50, criou o que batizou de "living drama". As aulas se baseiam no tripé psicologia da educação, ensino da língua e teatro. "É muito comum encontrar alunos que preferem ficar calados do que dizer bobagem. Num teatro, que mistura exercícios de livre associação, as bobagens são até bem-vindas", diz Vera. O curso tem 15 aulas de três horas cada, sempre aos sábados, e custa R$ 510. Ela explica que o pré-requisito para quem se inscreve é que tenha um "nível intermediário". A própria Vera reconhece que o termo é vago, mas diz que, se alguém sabe um pouco menos, ou mais, o teatro se encarrega de promover a interação. "Considero esse ambiente facilitador. A convivência traz a intimidade, melhora a qualidade emocional das relações", acredita. Logo no início, a professora-atriz Bárbara de Araújo, 26, propõe uma brincadeira em que os alunos tentam equilibrar bexigas entre as testas, espalmam para o alto e dançam sem deixá-las cair. "Em um espaço em que o aluno canta até a música do sapo, ele não vai ter vergonha de mais nada. Esse é o plano: todo mundo se expõe e o inglês vai saindo. O importante aqui é se comunicar", explica Bárbara, que morou nos EUA um ano e é integrante da Companhia Teatro de Narradores. Para o gerente de atendimento do Ibope Derli Pravato, 38, que já possui um bom nível de inglês, mas se considera muito autocrítico, as aulas funcionam. "Sem dúvida esse curso ajudou a me soltar um pouco mais, falar as coisas sem livros de gramática por perto nem a preocupação mecânica de dizer tudo corretamente", diz. (Folha Equilíbrio)
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