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Foi lançado nesta segunda-feira (11/08), em Recife, pelo presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, e o secretário Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, João Luís Homem de Carvalho o projeto “Por um Brasil Alfabetizado”. Leia mais:
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Chalita disse também que o que se espera desse projeto não são simples reuniões, mas ações concretas, como pintura, cinema, projetos de geração de renda e reflexão sobre drogas. Toda a comunidade pode participar. Quem quiser ser voluntário pode procurar a escola mais próxima ou acessar o site do Programa Escola da Família http://projetos.pca.com.br/bolsistas/index.do. (Agência Ponto Edu – 11/08/03)
O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Armando Monteiro Neto, e o secretário Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, João Luís Homem de Carvalho, lançam na tarde de hoje, em Recife, o projeto Por um Brasil Alfabetizado. (Folha Online – 11/08/03)
Em uma sala modesta com 20 terminais de computador conectados em rede, monitores treinados auxiliam e ensinam jovens e crianças carentes a usar as máquinas, redigir textos, trabalhar com imagens e acessar a internet. Todas as tarefas são executadas com software livre considerado o ''genérico'' da informática e a administração do espaço fica a cargo da comunidade local. O modelo dos telecentros de inclusão digital, adotado com sucesso pela prefeitura de São Paulo, será estendido a todo o Brasil. Em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), o Ministério Extraordinário da Segurança Alimentar e Combate à Fome vai levar o projeto a cidades atendidas por seus programas. Na era da informação, a possibilidade de comunicação em rede é garantia da liberdade de expressão do cidadão. Se o Estado não agir, apenas a elite continuará com esse direito assegurado argumenta Sérgio Amadeu, diretor do instituto, que coordenou a instalação dos telecentros em São Paulo e hoje preside o ITI. Para atender as cidades do semi-árido nordestino e da Amazônia, o plano é contar com o auxílio de outro projeto federal, iniciado na gestão anterior, mas com algumas modificações. O Gesac, do Ministério das Comunicações, pretendia levar internet rápida via satélite para os pontos mais distantes do território nacional. Originalmente, o programa previa computadores isolados em locais públicos e acesso gratuito apenas a sites do governo. Agora, o satélite vai se comunicar com os telecentros, onde dezenas de pessoas poderão trabalhar ou estudar com os computadores. Parte das conexões deve ser feita com escolas públicas que já possuem computadores mas acessam a internet por telefone - método caro e pouco eficiente. Outros dois projetos do governo federal para a difusão de telecentros envolvem iniciativas da Eletronorte e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A companhia energética conclui ainda este ano a instalação da Rede Floresta de Inclusão Digital, um conjunto de 20 telecentros na região amazônica. O ministério vai usar o modelo paulistano para mudar e ampliar sua rede de telecentros voltados para pequenos empresários. A necessidade de informatização das microempresas esbarra no custo da instalação de programas e de manutenção. A conversão dessa rede para o software livre visa a superar o entrave. (Agência do Brasil – 11/08/03)
Quando assistiu ao documentário Caminhos e Parcerias na TV Cultura, a escritora Cristina Porto caiu em prantos ao ver a situação de fome e miséria de dezenas de crianças que vivem às margens do Rio São Francisco e da sociedade. Mochila nas costas, fez uma série de viagens percorrendo cidades e povoados próximos ao leito do rio e outros mais distantes, no sertão. A vida e a situação de tantos brasileiros foi anotada, registrada e transformada em quatro livros da coleção Caminhos do São Francisco. Já estão nas livrarias os dois primeiros volumes, Imagens do Sertão e Reflexos dos Olhos d'Água. Até o fim do ano serão publicados os dois últimos, Sombras na Claridade e Saudades do Rio Mar. Para narrar as histórias do Velho Chico, Cristina Porto conta com a ajuda de uma personagem especial. Jaciobá, para os índios urumaris, significava o reflexo da Lua nas águas do rio. Com auxílio de uma fada madrinha, o espelho d'água vira menina e desvenda os mistérios e a situação do rio, muitas vezes maltratado pela poluição, outras pelo descaso. A personagem é a própria autora que narra suas experiências e a vida dos sertanejos. Em Imagens do Sertão (FTD, 55 págs., R$ 12,10), fruto das primeiras viagens ao interior de Alagoas e Sergipe, Cristina mostra a desolação causada pela fome e o belo trabalho desenvolvido por uma organização não-governamental, a Visão Mundial. "Quando assisti ao documentário Caminhos e Parcerias fiquei chocada ao saber que no Brasil tínhamos crianças com o peso de um passarinho, como o Rogerinho. Não podia ficar parada. Entrei em contato com os produtores do documentário e cheguei até o pessoal Visão Mundial foi quando defini meu roteiro", conta a escritora. Na obra, Cristina destaca a solidariedade entre as pessoas. Conta a história do menino Rogerinho, que com 1 ano e meio pesava apenas quatro quilos e meio. Ao mesmo tempo, demonstra como o trabalho em parceria da ONG com a prefeitura e a conscientização da população dão frutos. "A Visão Mundial faz uma trabalho emergencial e a médio prazo, como a implantação de filtros de barro com vela para a água. O trabalho exige paciência, algumas pessoas chegaram a arrancar a vela dos filtros, para a água sair mais rápido. Acho que parceria é a palavra-chave nessa situação. Pessoas da própria comunidade, conscientes dos seus direitos, passam a agir na sociedade, que, articulada, se mobiliza. Esse trabalho comunitário é muito importante, também temos responsabilidade, nós também somos governo." Já em Reflexos dos Olhos d'Água (FTD, 52 págs., R$ 12,10), as experiências da autora são traduzidas pela curiosidade e pelo impacto de conhecer a nascente do rio, o brotar da vida na Serra da Canastra. Longe de ser descritivo ou chato, Cristina dá voz aos moradores da região, com direito a fotos de personagens marcantes de cada cidade, como os simpáticos primos Chico Bentinho e Nico Bento, anciãos com histórias de vida ligadas ao Velho Chico. A autora também registrou paisagem, flora e fauna local por meio das imagens. Os livros se completam com as ilustrações de Luiz Maia. A fronteira entre Minas e Bahia serve de cenário para Sombras na Claridade e, para dar unidade à coleção, Saudades do Rio Mar, o último volume da série. "Nessas obras observo questões indígenas, não apenas o aspecto cultural, mas também a situação em que vivem. Também percorri a região da represa de Sobradinho, conversei com pescadores que apontaram para o problema da reprodução dos peixes e a dificuldade de viver da pesca." (O Estado de S. Paulo – 11/08/03)
O propósito de apresentar a realidade brasileira às crianças está em aflorar o sentimento de cidadania, de acordo com Ceciliany Alves, gerente editorial da FTD, que apoiou a realização da coleção Caminhos do São Francisco, de Cristina Porto. "As crianças, no geral, são poupadas dessa situação de pobreza, queremos que elas conheçam esse Brasil distante e compreendam que este também é o País delas. É um trabalho de conscientização, além de mostrar como agir dentro do seu universo. Os jovens leitores sabem que podem e devem agir na sociedade." Neste caso, a ficção procura contar um aspecto da realidade para a sociedade. "Eu não conhecia meu País, boa parte da população não sabe o que é a miséria agravada pela seca. Muita coisa mudou, posso dizer que minha vida é o meu trabalho. Pretendo organizar cursos para professores, conhecer meus afilhados, mandar material didático para lá. Enfim, tenho trabalho para toda a vida." Outros livros sobre cidadania completam as prateleiras das livrarias. Um manual escrito por Carlos Eduardo Novaes e ilustrado por César Lobo, Cidadania para Principiantes - A História dos Direitos do Homem (Ática, 215 págs., R$ 19,90), deixa claro o conceito de cidadania em letras garrafais: "Cidadania é o direito de que todos termos direitos!" O autor faz um mergulho na história, explica o conceito e o diferencia da filantropia ou do paternalismo, confusões muito freqüentes. Com humor e irreverência, a dupla mostra quais foram as principais conquistas da humanidade, desde a Grécia Antiga, e destaca a situação do Brasil: "Há anos, o Brasil vem sendo um dos campeões mundiais da injustiça social e da má distribuição de renda (um terço da nossa população vive na miséria). Dito isso, fica a pergunta final: como é possível alcançar a igualdade de direitos pressuposto da cidadania diante de tamanha desigualdade social e econômica?" Para completar, uma pequena coleção editada pela Unicef em parceria com a Ática, o Guia da Criança Cidadã trata da convivência com as diferenças, com o dinheiro e com a violência. A coleção aborda questões do cotidiano como ir às compras, a importância do trabalho e dos valores das coisas. Também destaca situações de guerra, desigualdades sociais e como enfrentar as diferenças físicas e econômicas. Mais que moda, marketing ou slogan político, formar um cidadão é assunto sério. Para a professora de Psicologia da Educação do curso de Pedagogia da PUC de São Paulo, Neide Saisi, esse tipo de formação deve começar no berço. "Quando a criança pequena se sente respeitada, ou seja, quando é ouvida e tem suas necessidades atendidas pelos adultos que a cercam, pais ou educadores, ela aprende com esse adulto a respeitar. Ela passa a gostar de si própria e do adulto, passa então assumir as normas de conduta desse adulto. Ele passa a ser a sua referência." Conceito de justiça - Assim, pelas atitudes dos adultos as crianças passam a compreender o conceito de justiça, aprendem a ouvir os outros e a expor suas opiniões, as primeiras noções de democracia. "As crianças aprendem por meio da experiência, ela passa a atuar, a desenvolver a compreensão de mundo, a sociabilidade, passa a adquirir as noções de cidadania. O exemplo dos adultos é muito importante. Se uma criança tem como referências o respeito, a justiça, ela desenvolverá as noções de cidadania." Da mesma forma, uma criança desrespeitada tende a transgredir. Quanto aos adolescentes, o ponto fundamental está em ouvi-los. Para Neide, ouvir muitas vezes implica mudar a própria maneira de atuar em relação ao jovem. "Não basta impor, mas sim discutir as normas. Ao perceber que é ouvido, o adolescente passa a se sentir responsável por suas atitudes." Para ela, livros, peças teatrais, entre outras manifestações funcionam como um complemento importante para a formação dos cidadãos. "Creio que todo esse material serve como caminho, principalmente se estiverem acessíveis às crianças e aos adolescentes. Creio que o conceito de cidadania existe na prática, cabe a nós apresentarmos propostas e estimularmos as atitudes", afirma a gerente da Fundação Abrinq, Ely Harasawa. (O Estado de S. Paulo – 11/08/03) |
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