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Música ajuda na alfabetização de crianças Projetos espalhados pelo país unem educação e música para resgatar a cultura e ajudar na construção do conhecimento de crianças carentes. Leia mais.
Música ajuda na alfabetização de crianças A música é cada vez mais usada para alfabetizar, resgatar a cultura e ajudar na construção do conhecimento de crianças carentes. Projetos que envolvem a música na reintegração social se espalham no país e são exemplos de sucesso. Uma projeto recente, ainda em fase de implantação, vai permitir que 160 crianças e adolescentes carentes do Espírito Santo tenham aulas na escola da Orquestra Filarmônica do Estado. É um projeto que envolve a iniciativa privada e o governo. Em 2002, estes jovens devem integrar uma orquestra (leia texto abaixo). "A música atrai a criança, serve de motivação, deixa-a mais atenta e é um instrumento de cidadania, contribuindo para a elevação de sua auto-estima. A isso se deve o grande número de projetos de educação através da música no Brasil e seu sucesso", disse a assessora de comunicação do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), em Brasília, Florrance Bauer. Segundo a diretora de cultura da Didá Escola de Música, em Salvador, Vivian Queiroz, a rotina das oficinas de percussão, teclado, bateria, canto e instrumentos de corda desenvolve nas crianças e adolescentes, sem que eles percebam, valores como disciplina e integração. "Aprender um ritmo exige perseverança, cuidado com o instrumento e integração. É preciso entender que seu som, sozinho, não é muita coisa. Ele só sobressai se estiver em um conjunto", afirma. Para Vivian, a grande concentração deste tipo de projeto na Bahia se deve à presença da música, desde muito cedo, no cotidiano das crianças. "Elas têm uma sensibilidade musical impressionante, em grande parte porque acordam e dormem ouvindo música." Essa atração, porém, não é exclusividade dos baianos. "Eu brinco que quando os meninos começam a tocar os tambores, os outros, que ainda estão em casa, correm para cá", diz Vilma Carijós, diretora do Centro Educacional Daruê Malungo, em Recife. Além de aulas de percussão e de outras oficinas culturais, o Daruê Malungo oferece aulas de alfabetização. O método de ensino, porém, é baseado na música. "Aqui o "a" é de atabaque, e não de avião, o "b" é de berimbau e o "c", de caxixi. Também utilizamos como texto letras de música", diz Vilma. De acordo com ela, é mais fácil para os alunos aprender desta forma "por fazer parte da vivência deles". Um outro projeto, o "Música na Escola", parceria da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro com o Conservatório de Música Brasileira, também trabalha a música em classes de alfabetização. Os professores da rede municipal fazem oficinas de capacitação em que têm aulas de voz, construção de instrumentos e cultura popular. Depois, aplicam o que aprenderam em sala de aula. O educador musical Sérgio Henrique Alves de Andrade ressalta, porém, que a música não entra como uma atividade recreativa, e sim na construção do conhecimento. "O professor, por exemplo, pega uma parlenda, que são rimas infantis, explica o que é, brinca disso com os alunos, discute possibilidades, pega uma parlenda pronta e trabalha com aquele texto e sua origem", explica. Para o educador, um ponto importante do projeto é o resgate cultural. "As crianças geralmente não têm acesso à música popular, à diversidade de ritmos. Quando levamos isso para a sala de aula, elas se interessam", diz ele. (Folha de S. Paulo)
Jovens terão aula com orquestra Instrumentos como oboé, violino e tuba farão parte do dia-a-dia de jovens carentes do Espírito Santo. A partir do dia 15, eles terão aulas na escola de música da Orquestra Filarmônica do Estado. A proposta é que em 2002 integrem uma Orquestra Filarmônica Jovem Amadora. As Secretarias de Ação Social de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica estão selecionando 160 crianças e adolescentes, entre 12 e 17 anos, para o projeto. "Mais do que um projeto de educação musical, é um projeto de cidadania. Queremos motivá-los, através da música, a voltar para a escola", disse a diretora do Departamento de Assistência à Criança e ao Adolescente da Prefeitura de Vitória, Naya Nunes de Athayde. As aulas fazem parte do "Vale Música Academia de Ensino", um projeto da Companhia Vale do Rio Doce. O investimento, segundo o coordenador da Fundação Vale do Rio Doce, Frederico Daiber Moncorvo, será de R$ 184 mil em dois anos e meio. "Além do pagamento dos professores, que são músicos da própria orquestra, com esse dinheiro compramos 38 instrumentos, como trombone, clarinete e violoncelo", disse. Nas aulas, que serão às sextas-feiras, os jovens aprenderão teoria musical, canto coral e a tocar os instrumentos. Para estimular os alunos, o maestro Helder Trefzger pretende utilizar muitos temas brasileiros, que são familiares aos jovens. "Na maioria das vezes as crianças nunca viram uma orquestra. Esta é uma forma de levar música erudita para elas, além de estimulá-las a estudar", aposta. O "Vale Música Academia de Ensino" surgiu do sucesso de um outro projeto, o "Vale Música Concertos Didáticos", também em parceria com a Associação de Amigos da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo. No projeto, estudantes da rede municipal assistem às apresentações da orquestra no Teatro Carmélia Maria de Souza, em Vitória. Depois, eles conhecem a função e a sonoridade dos instrumentos, a composição de uma orquestra e conversam com o maestro sobre música erudita e popular. "Quando o maestro pergunta quem gostaria de tocar um instrumento, a maioria levanta a mão", conta Moncorvo. Trefzger considera essas experiências importantes também para revitalizar a orquestra, que, na sua opinião, estava esquecida. (Folha de S. Paulo) |
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