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O colunista da Folha de S. Paulo, Carlos Heitor Cony, comentou, em sua coluna de domingo, o livro da ex- menina de rua Esmeralda Ortiz. Segundo ele, a sociedade precisa ser mais solidária. Leia mais.
Especialista do Instituto Florestan Fernandes afirma que a transferência de crianças de 4 a 6 anos das creches para a pré-escola vai contra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). De acordo com ela, cerca de 25 mil crianças podem ser prejudicadas. Leia mais.
Tem 21 anos, fugiu de casa, fumou maconha e crack, cheirou cola, roubou, aliou-se a traficantes, foi estuprada pelo padrasto e por senhores que catam meninas de rua. Tomava banho no chafariz da praça da Sé. Chama-se Esmeralda do Carmo Ortiz. Escreveu um livro, "Por que não dancei". Como diz Gilberto Dimenstein, que coordenou o projeto editorial e escreveu o prefácio, ela foi a repórter de si mesmo. Uma reportagem que é uma pauta para muitas reflexões da sociedade que produz Esmeraldas e continuará fabricando outras, no grande gueto das cidades grandes e ricas. A história dela não chega a ser uma revelação. De uma forma genérica, todos sabemos como são fabricadas em série essas Esmeraldas. Ela não dançou, como diz no título do seu livro, porque, entre outras coisas, sabia que um chuveiro podia ser não apenas a alternativa ao chafariz da Sé, mas um objetivo, um projeto de vida. Ela inicia o seu relato enaltecendo o seu chuveiro, ""que vai limpando a gente por dentro e por fora". Dos 8 aos 15 foi militante de um grande exército de Brancaleone, a geração do crack, que anda de um lado para outro da cidade acreditando que terá a posse de um reino inexistente. O processo por que passou dificilmente será compreendido pelos seus companheiros de rua e miséria. Mas pode ser entendido por nós, nós que nunca tomamos banho num chafariz público. Esmeralda não dançou porque teve ajuda e se ajudou. Mostrou as entranhas da noite e da rua, mas também mostrou que pode haver um caminho de mão dupla: a vontade própria e a colaboração de segmentos da sociedade que, ainda escassamente, estão conscientes de que a realidade pode ser mudada. Esmeralda teve a ajuda de grupos que se dedicam a exercer a cidadania
não em forma de protesto inútil, mas de solidariedade permanente.
Cerca de 25 mil crianças entre 4 e 6 anos de idade podem ser prejudicadas se o decreto municipal 38.869/99 entrar em vigor. É o que afirma Rose Pavan, coordenadora do grupo de políticas sociais do Instituto Florestan Fernandes, responsável pela elaboração dos projetos sociais para o governo Marta Suplicy (PT). Pelo decreto, a partir de janeiro do próximo ano, as crianças nessa faixa etária não poderão mais ser matriculadas em creches, e sim em pré-escolas. As creches atenderiam apenas crianças entre 0 e 3 anos e 11 meses. "Estamos solicitando a revogação do decreto e a manutenção dos atuais convênios até julho de 2001, para que a nova gestão possa tomar providências", diz Rose. Segundo ela, o próprio parecer do Conselho Nacional da Educação abre a possibilidade de mudanças da lei para que cada município se adapte de acordo com suas condições. Rose diz que o futuro secretário do Bem-Estar Social, Evilásio Farias, reuniu-se, na sexta-feira passada, com a atual secretária da pasta, Alda Marco Antonio, para tentar achar uma solução para o problema. Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Flariston Francisco da Silva, o maior problema trazido pelo decreto é que as pré-escolas funcionam em um turno de apenas quatro horas, enquanto as creches permanecem com as crianças em tempo integral. "Está havendo uma violação dos direitos dos pais -que não têm onde deixar os filhos enquanto trabalham- e das crianças que não têm onde ficar após a escola." Além disso, em alguns bairros de São Paulo, como Jardim São Norberto (zona sul) e Jaguaré (zona noroeste), as Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil), nem sequer existem. Segundo Silva, o conselho emitiu uma resolução apontando uma terceira alternativa para o problema. A resolução, diz ele, propõe a criação de centros de educação infantil que funcionem em período integral e possam atender crianças das creches e das pré-escolas, após o fechamento. (Folha de S. Paulo) |
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