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A Instituição social do banco Bradesco atende mais de 100 mil alunos em 38 escolas. A grande maioria é ocupada por estudantes da comunidade, que procuram educação gratuita e de qualidade. Leia mais.
O presidente Fernando Henrique Cardoso lança amanhã, em Águas Lindas de Goiás (GO), o novo programa Bolsa-Escola do governo federal. O programa deverá beneficiar cerca de 5 milhões de famílias com filhos matriculados em turmas da 1ª à 8ª série. Leia mais.
A pergunta que mais se ouve nos corredores da Fundação Bradesco, na Cidade de Deus, em Osasco, é quando o mapa brasileiro vai estar completo. Ali ninguém está reinventado a geografia. Eles estão realizando o sonho do fundador do banco, Amador Aguiar, que um dia acreditou ser possível espalhar a experiência de educação gratuita e de qualidade por todo o País. Na semana passada, começaram as aulas para os 1.100 alunos em Rio Branco, no Acre, penúltimo Estado a ter uma escola da rede. Agora, com unidades em 25 Estados e no Distrito Federal, só falta fincar uma bandeirinha sobre Roraima, o que deve ocorrer em um ou dois anos. Hoje, a fundação tem 38 escolas de educação básica, supletivo e profissional espalhadas em localidades como Bodoquena (MS), Cacoal (RO), Gravataí (RS), Paragominas (PA), Rio e Salvador. Já são atendidos 101.500 alunos, um crescimento de quase 8 vezes nas duas últimas décadas. Funcionários do banco e seus filhos respondem por menos de 10% das vagas. A maioria é ocupada por estudantes da comunidade. Isso só não ocorre na Cidade de Deus, onde funciona a matriz da empresa. Quando foi criada a primeira unidade, em 1962, pretendia-se formar quadros para o próprio banco. Atualmente, nove em cada dez estudantes de Osasco têm algum vínculo com o Bradesco. Assistem a aulas na mesma sala filhos de diretores, gerentes, escriturários e serventes. Foi numa viagem de negócios que Amador Aguiar decidiu levar os trabalhos da fundação para o restante do País. Ao conhecer Conceição do Araguaia, no Pará, onde o banco tinha planos de investimento, o banqueiro espantou-se com a pobreza. As demandas eram tantas que ele só pensou em construir uma unidade escolar. Enviou diretores da Cidade de Deus para o município e em 1971 inaugurou a primeira escola fora da sede. Sem ter concluído o curso primário, Aguiar sabia da falta que a educação faz. "Não tínhamos o que copiar, nem havia modelos prontos", lembra o diretor da fundação, João Cariello de Moraes Filho. Ex-professor e ex-diretor escolar, Cariello está há mais de 30 anos na instituição e é quem cuida pessoalmente da escolha de cada localidade para as novas escolas. Ele dirige o projeto ao lado de Denise Aguiar, neta do fundador do banco. As unidades escolares foram sendo criadas com a preocupação de atender às necessidades de cada região. Além da educação básica, que vai do ensino infantil ao médio, há cursos técnicos como de agropecuária, informática, eletrônica, administração e contabilidade. As unidades de Bodoquena e Canuanã (TO), localizadas em zona rural, são internatos, onde os alunos só voltam para casa nas férias. A mágica para crescer e oferecer tanto em tão pouco tempo está no sólido patrimônio da fundação. O orçamento de R$ 113 milhões para 2001 é de causar inveja a qualquer rede de escolas particulares. É a maior investidora em projetos sociais, não só no Brasil como no mundo. Isso corresponde a cerca de R$ 1 mil por aluno durante o ano. É quase o dobro do que o gasto médio por estudante do ensino fundamental nas escolas públicas brasileiras. Metade desse dinheiro vem de doações de empresas do banco e do clube de seguros Top Clube Bradesco. A outra parte é a administração de recursos próprios. A fundação é um dos maiores acionistas do Bradesco. Com tanto dinheiro, as escolas conseguem oferecer de graça não só o ensino, mas também uniforme, alimentação e material escolar. A exceção fica por conta dos alunos de Osasco, onde muitos pais podem arcar com as despesas de livros, cadernos e uniforme. "Temos recursos materiais e humanos para nos aproximar dos grandes colégios", afirma a cearense Mirian Linhares Pereira, diretora da unidade de Cidade de Deus. "Mas, infelizmente, ainda somos uma gota d'água em relação às demandas por educação no Brasil." Quem imagina que o lado certinho do banco chega também às unidades da fundação está coberto de razão. Lá, as aulas começam pontualmente e a disciplina é cobrada a todo momento. Se um aluno faltar dois dias seguidos, representantes da escola vão até sua casa. Se for reprovado dois anos seguidos, é jubilado. Como é oferecida merenda, não há lanchonetes nas escolas. Entrar sem o uniforme que tem a logomarca da fundação, nem pensar. Na década de 80, a fundação decidiu investir na teleaula, atingindo assim o público adulto. Com a Fundação Roberto Marinho, criou o Telecurso 2º Grau, um curso supletivo apresentado na televisão. Hoje, 22 mil de seus alunos estão na teleeducação. Nas suas unidades e em 60 empresas com as quais a instituição mantém convênio, professores complementam a aula virtual. Atualmente, os técnicos da fundação estudam levar esse tipo de ensino para os presídios. No ano passado, um novo passo foi dado. Além de colaborar com o programa Comunidade Solidária, a fundação decidiu oferecer cursos de alfabetização para o seu público. Funcionários do banco, parentes e pessoas da comunidade onde a escola está presente puderam se cadastrar para as aulas. Em 2000, 1.038 jovens e adultos iniciaram o aprendizado, mas o cadastro já chega a 14 mil pessoas. Quando a estudante da 8ª série Carla Regina Touro, de 14 anos, descobriu que seria oferecido o curso de alfabetização, correu para dar a notícia à mãe. "Eu não vou, não. Tenho vergonha", respondeu Maria de Fátima, de 37, a ex-lavradora do Paraná que nunca estudou para ajudar o pai na colheita de café, feijão e milho. Um ano depois de voltar a estudar, e já tendo aulas de 3ª e 4ª séries, ela é motivo de orgulho para as duas filhas e o pai, gerente do banco. "Foi como se voltasse a enxergar." Carla virou a filha coruja: "Ela está indo mais rápido do que eu." É nas regiões carentes que o trabalho da fundação mais se torna visível. A unidade, inserida no meio de tantas demandas, vira uma referência para a comunidade. Leonardo Pereira de Oliveira, de 12 anos, está na 7ª série da escola em Registro, no Vale do Ribeira, uma das regiões mais pobres de São Paulo. Em 1998, uma enchente obrigou a família a se mudar para um bairro carente da cidade. No mesmo ano, seu pai morreu e as dificuldades aumentaram. A sorte é que Leonardo continuou na escola. A mãe, Vera Lúcia, que tinha um pequeno comércio, hoje sobrevive de bicos. Ainda é cedo, mas ela já torce para que o filho abrace uma vocação que começa a surgir. Na fundação, ele está se destacando nas aulas de informática, até ajudando os colegas da sala. "Aprendi umas coisinhas. Aqui, a gente aprende a se preparar para o futuro." (O Estado de S. Paulo)
O presidente Fernando Henrique Cardoso lança amanhã, em Águas Lindas de Goiás (GO), no entorno de Brasília, o novo programa Bolsa-Escola do governo federal, que este ano vai beneficiar, com R$ 1,7 bilhão, cerca de 10 milhões de crianças e jovens do País. Famílias com renda per capita inferior a meio salário mínimo receberão entre R$ 15 e R$ 45 por mês, com a condição de que seus filhos freqüentem a escola. O programa deverá beneficiar cerca de 5 milhões de famílias com filhos de 6 a 15 anos matriculados em turmas da 1ª à 8ª série. A freqüência mínima às aulas deverá ser de 85%. O dinheiro será repassado a cada família, de preferência à mãe dos alunos, por meio de um cartão magnético para saque em agências bancárias credenciadas. Ações - Todos os municípios do País poderão ser beneficiados. Para isso, deverão inscrever-se no programa em março e desenvolver ações socioeducativas em contrapartida, como atividades culturais ou aulas de reforço. Cada município também deverá criar um conselho de acompanhamento do programa, tal como é feito no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), para coibir desvios. (O Estado de S. Paulo)
A Secretaria Estadual de Ação Social e Cidadania inaugurou hoje, na Cidade de Deus, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, a primeira das cinco Escolas de Pais, destinadas a assistir aqueles que têm filhos em situações de risco social, morando em abrigos ou vagando pelas ruas da cidade. As outras quatro escolas serão implantadas em Padre Miguel e Santa Cruz, também na zona Oeste, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e no centro do Rio. De acordo com dados da FIA (Fundação para a Infância e Adolescência), desde julho de 2000 foram acolhidos 1.689 jovens que perambulam pelas ruas do Rio de Janeiro. Desse total, 814 foram entregues às suas famílias e 507, levados para abrigos temporários. Os demais tiveram outros encaminhamentos. Nas escolas de pais, os técnicos do projeto vão analisar cada caso e identificar os fatores que provocam o abandono e levam os jovens a buscar refúgio nas ruas. (Folha OnLine)
Das cerca de 6 mil escolas estaduais do Estado de São Paulo, 20%, no máximo, têm Associação de Pais e Mestres (APM) ativa. A estimativa, da Secretaria de Estado da Educação, evidencia a baixa participação dos pais nas escolas. Na tentativa de mudar essa situação, o Movimento Pró-Educação está negociando, com a Secretaria da Educação, a realização de cursos de capacitação para pais, com o objetivo de estimulá-los e ensiná-los a participar, de forma ativa, da vida escolar dos filhos. "Queremos reativar o movimento de pais, que já foi muito atuante no passado, pois acreditamos que sem a participação deles, a qualidade de ensino não vai melhorar", analisa Elisa Toneto, do Pró-Educação. A APM e o Conselho de Escola são os principais canais oficiais que os pais podem utilizar para participar do cotidiano da escola. Em linhas gerais, a primeira colabora com a administração do colégio e o segundo é a instância máxima de decisão da escola, tanto no plano pedagógico, quanto na definição de normas e regras. O volume de recursos transferidos às APMs é uma indicação do poder que elas possuem: a cada ano, o governo do Estado de São Paulo repassa às APMs R$ 100 milhões. O objetivo é desburocratizar os mecanismos de repasse de recursos às escolas e dar a elas a oportunidade de se organizarem como preferirem, estimulando sua autonomia. Esse dinheiro pode ser usado de diversas maneiras: compra de equipamentos e material didático ou pagamento de funcionários, entre outras coisas. Recentemente, a Secretaria da Educação repassou às escolas recursos para que elas comprassem computadores. "Demos as especificações gerais, mas cada escola comprou os seus equipamentos", diz Maria Cândida Perez, assessora da secretaria. Esses canais permitem
que os pais interfiram em outros aspectos da vida de seus filhos na escola.
"Já conseguimos até melhorar a qualidade da merenda",
conta a dona de casa Carolina de Fátima de Oliveira Costa. Mas, apesar dos canais existirem, a integração entre a escola e os pais ainda é incipiente e tende a melhorar conforme se amplia o processo de democratização da sociedade brasileira. A avaliação é da secretária estadual da Educação de São Paulo, Rose Neubauer. "A comunidade tem pouca experiência de relacionamento com o serviço público e na demanda pela qualidade", diz a secretária. Esse aspecto, aliado à diversificação da clientela da escola pública, dificultam a integração. "A comunidade tem de saber o que quer da escola e lutar por isso", diz Rose. Para ela, a diversificação da clientela - resultado da ampliação do atendimento nos últimos anos - trouxe para a escola grupos sociais que antes não participavam dela. Por isso, é preciso abrir novos canais de comunicação, a fim de que essas novas demandas sejam atendidas. Nesse processo, tanto a escola tem de se adaptar, se abrir, quanto os pais têm de se envolver e procurar participar. "As reuniões de APM são um pouco como as reuniões de condomínio; são cansativas, difíceis", diz ela. "Mas é fundamental estar presente." Daí a diferença do que ocorre na escola particular e na pública. "A escola privada não é, em si, melhor do que a pública, mas ela sabe que tem de prestar contas do serviço que está prestando; uma escola é boa porque sabe que vai ser cobrada", diz a secretária. (O Estado de S.Paulo) |
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