|
||||||||||||||||||||||
|
A partir de 2004, o Ministério da Educação vai transformar gradativamente o ensino médio em obrigatório. Leia mais:
No próximo domingo (15/06), os estudantes que irão prestar o Exame Nacional de Ensino (Enem) ou vestibular poderão treinar e aperfeiçoar seus estudos pela Internet. Leia mais:
Decreto que está sendo preparado pelo Ministério da Educação pretende transformar o ensino médio em obrigatório gradativamente a partir de 2004. Ou seja, alunos que terminam a 8ª série do fundamental devem ter garantia de oferta de vagas e de condições de permanência na escola. Para isso, o governo federal estuda, entre outras medidas, criar uma bolsa para alunos do período noturno e expandir o Bolsa-Escola para jovens de 16 a 19 anos. Já os Estados teriam de garantir a estrutura, como escolas e professores, o que hoje não existe: estudo do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) aponta que, para atender à demanda atual, são necessários 235 mil professores no ensino médio e 476 mil da 5ª à 8ª série. Mas, nos últimos anos, os cursos de licenciatura formaram 457 mil professores, gerando déficit que chega a 254 mil docentes. Hoje, de cada cem alunos que entram no ensino fundamental, 59 terminam a 8ª série. Dos que ingressam no médio, 74% conseguem chegar ao terceiro ano. O ensino médio compõe a educação básica e está sob responsabilidade dos Estados. Por não ser obrigatório, pode não haver vaga para toda a demanda, e não adianta o aluno recorrer à Justiça. O decreto deve incluir também o aumento de duração da educação média de três para quatro anos a partir de 2007. Ao tornar o ensino médio obrigatório, a União tem de repassar contrapartidas aos Estados, como o valor per capita da merenda (hoje em R$ 0,13/dia) e livros didáticos. Para o próximo ano, o MEC prevê gastar R$ 60 milhões na compra de 2 milhões de livros de física, química, biologia e matemática para alunos do primeiro ano. Sobre a merenda, o governo está fazendo o estudo dos custos e a viabilidade orçamentária. Segundo o secretário de Educação Média e Tecnológica, Antonio Ibañez Ruiz, a proposta é tornar obrigatório o primeiro ano do ensino médio em 2004, o segundo ano em 2005 e o terceiro em 2006. Um dos objetivos da implantação gradativa é permitir que ocorram ajustes de orçamento. Para 2007, ficaria previsto o início do quarto ano, cujo formato será definido. A idéia é que os alunos não sejam obrigados a cursá-lo, mas o Estado terá de oferecê-lo. Já para a implantação da bolsa, o secretário disse que pretende usar R$ 20 milhões de recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e beneficiar até 80 mil pessoas. Isso daria uma média de R$ 250 por estudante. Dos 8,71 milhões de matrículas no ensino médio em 2002, segundo o Censo Escolar, 4,25 milhões são do período noturno. Entre os que estudam à noite, apenas 2,83% estão na rede privada. O governo avalia ainda que há 5 milhões aptos a fazer o ensino médio, mas que estão fora da escola ou no ensino fundamental. Ruiz diz que, até 2004, os professores receberão um livro que visa ajudá-los a trabalhar com as novas diretrizes curriculares e com a interdisciplinaridade. O MEC fará na próxima semana, em Brasília, seminário para discutir mudanças na educação profissional. Entre os temas está o Proep (Programa de Expansão da Educação Profissional), criado em 1997 e previsto para acabar em 2006, com recursos do BID. São US$ 500 milhões, sendo a metade contrapartida do governo federal, dos quais US$ 200 milhões foram gastos. Por falta de recursos, o Proep está em fase de reavaliação. O governo já pagou US$ 6 milhões de multas ao BID por deixar de usar o empréstimo no prazo previsto. Segundo Ruiz, o MEC está tentando desbloquear o recurso previsto para este ano (que era de R$ 62 milhões e caiu para R$ 42 milhões) e aumentar a dotação orçamentária do programa. (Folha de S. Paulo - 13/06/03)
A partir de domingo, estudantes que estão se preparando para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou para o vestibular terão a oportunidade de treinar e aperfeiçoar seus estudos, sem sair de casa, com os Simulados Online (www.diariosp.com.br/simulados). Trata-se de parceria entre o DIÁRIO, o Globo On Line, o Colégio 24 Horas, o Curso GPI e outros cinco jornais do país. Serão três provas voltadas para o Enem e outras três para o vestibular. Cada simulado fica no ar durante seis dias. Os testes do Enem ocorrem entre os dias 24 de junho e 1º de julho, 5 e 11 de agosto e 19 e 25 de agosto. Já os voltados para o vestibular acontecem entre 16 e 22 de setembro, 7 e 13 de outubro e 28 de outubro e 3 de novembro. Os interessados precisam apenas se cadastrar no site. Cada simulado terá a duração de duas horas e meia. Um relógio aparecerá na tela para cronometrar o tempo. O aluno será avisado quando o horário estiver para terminar. Após o teste, basta apertar uma tecla para saber o resultado e ver o gabarito. O aluno também receberá por e-mail uma análise de seu rendimento em relação aos outros participantes. (Diário de S. Paulo - 13/06/03)
Computadores e outros recursos eletrônicos estão tomando mais espaço nas escolas brasileiras, mas correm o risco de permanecerem no cotidiano dos alunos e professores apenas como um jeito novo e mais caro de fazer as mesmas e velhas coisas. Como ocorre com toda tecnologia nova, há uma forte tendência de "domesticação" dessas ferramentas, por exemplo, usando um computador superpotente como uma simples máquina de escrever. "Corremos o risco de ter muitas desilusões com a tecnologia nas escolas", alerta Eduardo Chaves, professor titular de Filosofia da Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A primeira onda de "tecnologização" em larga escala do ensino brasileiro está mostrando que as velhas práticas e vícios resistem à necessidade de mudanças, por vezes, à força. "Há desde o professor que simplesmente substitui o quadro negro pelo Power-Point e acha que está inovando, até o diretor que tranca os computadores e diz que não há como usá-los", diz Chaves, que é consultor do Instituto Ayrton Senna no programa Sua Escola a 2000 por Hora. A experiência com cerca de 28 mil alunos e 560 educadores de escolas em dez Estados, iniciada em 1999 em parceria com Microsoft e Vivo, pode ser considerada um laboratório de introdução de novas tecnologias. O programa instalou computadores em escolas selecionadas a partir de projetos elaborados por estudantes e professores de 5.ª série ao ensino médio. Entre os alunos, a receptividade e a capacidade de explorar os novos recursos é enorme, mas entre professores e diretores predomina a dificuldade de assimilação. "Muitos não querem mostrar que sabem menos que os jovens, e daí vêm as atitudes de resistência." O programa, no entanto, registra casos em que a chegada dos computadores provocou transformações positivas nas escolas, com alunos, professores e diretores envolvidos em processos de estudo e pesquisa mais criativos e produtivos. Nesses casos, é criado um clima de mudança, desestabilizando as posturas opressivas e autoritárias do professor e ampliando as possibilidades de estudo e aprendizado. O desafio está justamente em aproveitar esta função desestabilizadora para redefinir o espaço e o tempo na escola, antes que ocorra uma domesticação e tudo se acomode como antes, segundo Adriana Doll Martinelli, coordenadora do projeto. As novas tecnologias abrem caminho para um aprendizado que faz mais sentido para o aluno, porque permite executar projetos e pesquisas sobre situações reais da comunidade, forçando-os a buscar na matemática, língua portuguesa e nas outras disciplinas os recursos para elaborar soluções. "Alunos e professores vivem uma experiência colaborativa de aprendizado", diz. E a comunidade ganha com essa inserção da escola na sua rotina. Mas é preciso também mudar a escola. Professores e dirigentes precisam aceitar novos papéis. "Transmitir informações aos alunos, de maneira tradicional, está ficando obsoleto, já que os estudantes captam informações sozinhos", diz Chaves. "Agora o educador tem de ajudar o aluno a analisar e aplicar as informações." (O Estado de S. Paulo - 13/06/03) |
|
||||||||||||||||||||