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Resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) revelam melhora no desempenho dos alunos da rede pública. A diferença entre as médias dos estudantes das públicas e das particulares caiu quatro pontos. Leia mais.
Acordo que prorrogaria a matrícula das creches e pré-escolas fracassa e impossibilita a permanência de crianças de 4 a 6 anos nas primeiras. A intenção do futuro secretário da Educação era prolongar o prazo até o início da gestão de Marta Suplicy. Leia mais.
Os estudantes do ensino médio de escolas públicas evoluíram mais na prova de redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) do que os alunos das particulares. Com isso, a diferença entre as médias dos estudantes das redes pública e particular, que em 1999 era de dez pontos, caiu para seis na prova deste ano. Os resultados do Enem, divulgados ontem pelo Ministério da Educação, mostraram que a média geral subiu dez pontos. Com isso, passou de 50,37 para 60,87, em uma escala de zero a cem. A média de redação dos alunos de escolas públicas subiu 12,4 pontos, ficando em 57,8. Nas particulares, o crescimento foi de 8,8 pontos e a média ficou em 63,9. Este ano, 352.487 estudantes fizeram o exame, que não é obrigatório. Na parte objetiva, em que entram questões de todos os conteúdos do ensino médio, as notas praticamente não mudaram. "Esses resultados mostram que os professores já estão assimilando as propostas da reforma do ensino médio", afirmou o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. "As habilidades cobradas no Enem são as propostas na reforma", disse o ministro. A coordenadora do Enem, Maria Inês Fini, afirma que as mudanças trazidas com a reforma explicam a melhoria tanto dos alunos das escolas públicas quanto das particulares. Não se sabe, no entanto, o motivo de uma ter melhorado mais que a outra. "Não temos dados para ter essa resposta", disse a coordenadora. O Ministério da Educação também anunciou que, a partir de 2001, a inscrição do Enem será gratuita para estudantes matriculados na rede pública. Devido à cobrança da taxa, alunos já chegaram a recorrer à Justiça para tentar obter o direito à gratuidade. Se os estudantes seriam aprovados com média seis na prova de redação, nas questões objetivas, o resultado não é melhor, principalmente na escola pública. A média dos estudantes da rede pública ficou em 44,1 de um total de cem pontos. Na particular, a nota ficou em 58,9. "Na área de códigos e linguagens, a reforma já está mais disseminada. Há uma melhor compreensão", disse Maria Inês. Nas outras áreas avaliadas -são cinco, chamadas de "competências" no exame -, a que teve a média mais baixa foi a definida como "enfrentar situações problema", com 49,32. Nessa área poderiam entrar questões de física, química, história, geografia e todas as outras disciplinas, mas envolvendo a solução de problemas do dia-a-dia. Uma delas perguntava, por exemplo, por que é necessário um período de adaptação de quem sai de uma cidade no nível do mar para a capital boliviana, La Paz, a 3.700 metros de altitude. Mesmo sendo bons, os resultados do Enem não podem ser encarados, segundo o MEC, como uma amostra de como anda o ensino médio do país. "Os alunos que fazem o Enem são 50% da escola particular e 50% da pública, quando no país os da rede privada são apenas 14%", afirmou Paulo Renato. (Folha de S. Paulo)
Diferentemente dos vestibulares, que normalmente têm questões específicas de cada disciplina, o Enem trabalha com as chamadas "competências". São cinco áreas usadas como parâmetros para a correção tanto da prova de redação quanto da parte objetiva. A primeira delas é o domínio de linguagens. Não apenas o português formal, mas códigos e símbolos usados na comunicação. A segunda é a capacidade de compreender fenômenos. As três seguintes são: enfrentar situações-problema, construir argumentações e elaborar propostas. A prova é composta de uma redação e 63 questões de múltipla escolha. A parte objetiva tem 20% de questões consideradas fáceis, 40% com dificuldade média e outros 40% difíceis. As perguntas não são separadas por disciplinas, mas avaliam uma ou mais das "competências" usando uma das áreas de conhecimento do conteúdo do ensino médio. Em nenhuma das questões é necessário usar fórmulas decoradas. "Não é uma prova para medir o uso de fórmulas, mas as habilidades que os estudantes desenvolveram ao terminar o ensino médio", disse Maria Inês Fini, coordenadora do Enem. O Enem começou a ser aplicado no país em 1998. O exame não é obrigatório, mas a nota tem sido usada por 182 instituições de ensino superior no processo de seleção. Em São Paulo está a maior parte das que aceitam a nota, incluindo a USP (Universidade de São Paulo) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). (Folha de S. Paulo)
Mais do que o tipo de escola, a renda da família e a escolaridade dos pais são fatores que influenciam no desempenho dos estudantes que fizeram o Enem. O levantamento socioeconômico dos alunos mostra que, a medida que a renda familiar vai aumentando, crescem também as médias dos estudantes, tanto em redação quanto na parte objetiva da prova. Isso acontece com os alunos das escolas privadas e, principalmente, com os que vieram do ensino público. Nas questões objetivas, a média dos estudantes que vêm de famílias com renda até um salário mínimo é de 32,8 pontos. Entre os com renda maior que 50 salários mínimos (mais de R$ 7.550), a média chega a 55,7. Nas escolas privadas, as notas dos alunos mais pobres é maior -48,3. Mas também há um crescimento significativo quando a renda familiar cresce. São 15,2 pontos a mais na média. "Logicamente não é apenas a escola, mas o contexto social", disse Maria Helena Castro, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas em Educação). "Uma família com renda melhor terá mais acesso a bens culturais." A escolaridade dos pais também aparece como um fator de alta influência nos resultados. No caso dos alunos da escola pública, a diferença das médias entre aqueles que têm pai sem instrução e os que são filhos de pós-graduados chega a 20,3 pontos. Na escola particular, a diferença é de 16,1. (Folha de S. Paulo)
O futuro secretário municipal do Bem-Estar Social, Evilásio Farias, disse que tentou, em vão, negociar com o atual secretário da Educação, João Gualberto Meneses, a prorrogação do prazo das matrículas na rede municipal de ensino para janeiro. Um contato anterior com a atual secretária da Assistência Social, Alda Marco Antônio, já havia falhado. O objetivo de Farias era permitir que, após a posse da prefeita eleita Marta Suplicy (PT), cerca de 35.000 crianças entre 4 e 6 anos, atualmente matriculadas em creches municipais, tivessem direito à rematrícula. Segundo o decreto municipal 38.869 de 99, a partir de 1º janeiro as crianças nessa faixa etária só poderão estudar em pré-escolas, como as Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil), que normalmente não funcionam em período integral como as creches. De acordo com Farias, o atual secretário classificou a sugestão como impossível. Uma outra alternativa apresentada por Farias, também recusada, foi a substituição das matrículas por cadastros provisórios. O prefeito Celso Pitta (PTN) disse ontem que não se trata simplesmente de revogar um decreto, já que a determinação, segundo ele, vai ao encontro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada em 1996. "Quanto ao fato dessas crianças passarem a ter um tempo de permanência menor nas instituições de ensino, isso significa também que crianças de 0 a 4 anos, que antes não tinham vagas nas creches, passarão agora a ter." Para o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Flariston Francisco da Silva, o prefeito age como se bastasse definir quem vai ficar sem atendimento. "A postura do secretário da Educação, que administra as Emeis, e da secretária da Assistência Social, que administra as creches, é cômoda e irresponsável." Para Silva, os secretários se contentam em jogar a culpa um para o outro, sem se preocupar com a responsabilidade social da questão. Mães de crianças entre 4 e 6 anos, atualmente matriculadas na creche municipal Coração de Maria (centro), estão desesperadas por não poderem matricular seus filhos na creche para o ano que vem. "A gente sai às 7h para trabalhar, deixa as crianças sem se preocupar e só vem pegar às 17h. Na Emei, nós vamos deixá-las às 7h e pegar às 11h. As mães que trabalham não podem ficar com as crianças", afirma a doméstica Ivanise Isaura da Silva, 28. A diarista Maria do Carmo Araújo, 31, que tem seis filhos, três deles matriculados na creche, disse que vai ter que deixar de trabalhar se a lei entrar em vigor. "Eu achei essa decisão horrível", afirma Maria, que não conseguiu vagas para as crianças nas Emeis. Na manhã de ontem, cerca de 50 mães e diretoras de creches da capital paulista se reuniram na praça da Sé (centro) para discutir as consequências do decreto municipal. Com cartazes nas mãos, elas diziam ser contra a decisão da prefeitura. Tumulto - A PM foi chamada ontem por vizinhos para tentar controlar uma discussão entre mães que esperavam para matricular seus filhos na Emei Professor Ítalo Bettarello, no Jardim Brasil. O tumulto começou porque uma mãe teria furado a fila para poder matricular o filho. De acordo com informações de um funcionário que não quis se identificar, a confusão começou ontem, por volta das 7h, e em pouco tempo foi controlada. A escola, na zona norte, está em época de matrícula para crianças de 4 a 6 anos, e algumas mães estão no local desde domingo. Segundo o funcionário, uma mãe ficou nervosa e começou a gritar depois que outra passou na sua frente. Quando os policiais chegaram, a mãe que não teria respeitado a fila já havia ido embora. (Folha de S. Paulo) |
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