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Escolas aumentam vagas para período integral frente ao aumento da procura. Educadores lembram, porém, que nem sempre deixar a criança o dia todo no colégio é a melhor alternativa. O convívio familiar é essencial. Leia mais.
Estudantes que obtiveram isenção na taxa do vestibular da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) repetem o mau desempenho verificado no exame da Fuvest. Para o pró-reitor de graduação da Unicamp, esses dados lembram que a reserva de vagas nas universidades não seria solução para a melhora no ensino. Leia mais.
Aulas do currículo escolar pela manhã, inglês, judô, balé, natação e até esgrima à tarde. Tudo num mesmo lugar. Serviço completo para pais endinheirados, que trabalham fora o dia todo e não querem deixar os filhos em casa, com avós e empregadas. É isso o que oferecem as escolas de período integral. Embora alguns pedagogos não concordam com a iniciativa, o número de ofertas e matrículas cresce a cada ano em São Paulo. "São os pais que pedem às escolas esse serviço," diz o presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), José Augusto Mattos Lourenço. A instituição prepara uma pesquisa para mostrar o crescimento do número de escolas que oferecem ensino em período integral - fato já constatado pelo Sieeesp. O Colégio Brasil Europa, no Itaim Bibi, está abrindo, pela primeira vez em seus 43 anos, um turno em que os alunos podem ficar entre 7h30 e 18 horas na escola. Segundo a direção, o novo serviço não terá custos adicionais na mensalidade, que gira em torno de R$ 600. A diretora Inês Reingenheim explica que o colégio não precisou investir em infra-estrutura porque já oferecia atividades extracurriculares como esportes, música e teatro. Até agora, cerca de 25 crianças foram matriculadas. "Os pais preferem deixar os filhos aqui a ficar levando-os para vários lugares o dia todo." A psicóloga e pedagoga da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Anete Maria Busin Fernandes, considera o período integral prejudicial à formação. A criança precisa circular por vários espaços e conhecer novos amiguinhos para saber "lidar com a diversidade", segundo a especialista. "É fundamental que ela fique também em casa, onde tem seus brinquedos e a rotina da família." A jornalista Ana Cristina Leite relutou muito, mas acabou matriculando seus dois filhos, de 8 e 3 anos, no período integral do Colégio Brasil Europa. "A babá faltava às vezes e me deixava na mão," diz. "Com a escola eu posso contar sempre." O Colégio Maria Imaculada fica próximo à Avenida Paulista, um centro empresarial repleto de pais preocupados em definir onde deixar os filhos enquanto trabalham. Para oferecer período integral, a escola está investindo R$ 1 milhão na construção de salas, cozinha, centro esportivo e vestiário. O retorno parece garantido: a mensalidade vai de R$ 819 a R$ 953, conforme a idade. A escola ainda oferece um diferencial que pode provocar polêmica: uma câmera volante que permite aos pais ver o que seus filhos estão fazendo, pela Internet, em horas determinadas. "Isso é para dar mais confiança e tranqüilidade aos pais", diz a pedagoga do colégio, Maria Cecília Camargo. Peter Makhlouf, pai de Victor, de 3 anos, um futuro aluno da escola, aprova a idéia. "Se vejo pela Internet que ele está brincando ou nadando, isso me acalma." A novidade não agradou a educadores. "A criança precisa desenvolver sua autonomia e ter direito à individualidade", diz a professora da Universidade de São Paulo (USP) e pedagoga Lisete Arelaro. Anete Maria, da PUC, também lembra que há uma grande diferença entre impor limites e controlar. "A câmera é uma invasão de privacidade", diz ela. Outro aspecto que deve ser discutido, segundo a professora, é o papel dos pais na educação dos filhos: "Eles não podem entregar para a escola a tarefa de educar." "Quero dar qualidade total de vida para o meu filho", diz o consultor Vital de Miranda, que acaba de matricular George, de 9 anos, no período integral do Colégio Santo Agostinho, no Paraíso. A escola investiu R$ 300 mil para proporcionar uma "extensão da casa" aos seus alunos neste ano. As atividades incluem expressão corporal, música, inglês e brincadeiras para crianças até a 4ª série, por R$ 522 mensais. Os pais podem escolher se querem os filhos a semana toda em período integral ou em alguns dias. "Agora meu filho vai voltar para casa com a lição feita, pronto para dormir", diz Miranda. (O Estado de S. Paulo)
Escolas que investem há mais tempo no ensino em período integral também perceberam que o interesse dos pais por esse tipo de iniciativa está aumentando. O Colégio Albert Sabin, no Butantã, tem 60 vagas disponíveis para os alunos que ficam das 7h30 às 18 horas. Este ano, na primeira quinzena de janeiro, restavam apenas 9 vagas, enquanto na mesma época do ano passado, pouco mais de 30 crianças estavam matriculadas. "A procura aumentou 12% neste ano", diz Miriam Tricate, diretora do Colégio Magno, que há 29 anos oferece ensino em período integral. A escola tem uma academia de ginástica própria, com piscina coberta e aquecida, e oferece mais de 30 atividades, que podem ser escolhidas pelo próprio aluno, como esgrima, alpinismo, circo e sapateado. "Mas isso não é um clube", diz Miriam. Segundo ela, o rendimento dos alunos em período integral tem sido bem melhor que o dos demais. A pedagoga Lisete Arelaro, da USP, acha uma boa iniciativa a escola deixar que as crianças escolham as atividades que farão fora do currículo escolar. Porém, discorda da diferença de aprendizado. "Os alunos não sabem menos ou mais porque estão em período integral", afirma. Para ela, a criança também aprende muito em contato com amigos fora do espaço escolar. A Escola Morumbi organizou seu período integral há três anos, em parceria com a escola de línguas Cultura Inglesa e com a Fórmula Academia. Este ano, as matrículas cresceram 30%. Os pais pagam em torno de R$ 600 para deixar os filhos o dia todo no colégio e ratificam essa decisão mês a mês. "Se quiserem, podem deixar os filhos apenas dois ou três meses em período integral", diz a orientadora pedagógica da escola, Sônia Campelo. (O Estado de S. Paulo)
Mais de 90% dos candidatos carentes que conseguiram isenção da
taxa de matrícula para o vestibular da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp) foram reprovados na primeira fase do concurso. Dos 1.651 alunos que
participaram do programa, apenas 141 (8,54%) passaram para a segunda etapa, iniciada
ontem em 17 cidades do País. (O Estado de S. Paulo)
Dos 10.408 candidatos ao vestibular da Universidade Federal Fluminense (UFF)
que tiveram as suas provas anuladas no fim do ano passado, 9.318 conseguiram concluir
ontem, pela manhã, a segunda etapa de testes da primeira fase do concurso.
O índice de faltosos foi de 10%. Concorrendo a vagas nos cursos de enfermagem,
medicina, nutrição, engenharia química, química e
química industrial da UFF, os candidatos de ontem tiveram que fazer novos
testes de múltipla escolha de matemática, biologia, história
e geografia. As provas para os seis cursos foram anuladas porque cerca de 200
estudantes, que haviam chegado atrasados num dos locais de exame, invadiram salas
e rasgaram exames. (O Globo) |
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