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A Prefeitura de São Paulo oferecerá 6.000 bolsas de estudo em cursinhos pré-vestibulares comunitários e particulares. Para concorrer, o candidato deverá ter renda familiar de até 1.000 e se inscrever até o dia 30 de março. Leia mais:
Para melhorar o ensino dos alunos, algumas escolas particulares estão ensinado os pais como orientar seus filhos a fazer os deveres de casa e a estudar para uma prova na própria casa. Leia mais:
A Prefeitura de São Paulo está oferecendo 6.000 bolsas de estudo em cursinhos pré-vestibulares comunitários e particulares. As bolsas serão destinadas a estudantes com renda familiar de até R$ 1.000. (Folha de Online - 17/03/02)
Escolas particulares estão ensinando os pais a virarem uma espécie de professor doméstico. Os colégios fazem palestras, reuniões e até mandam professores para organizar o dia-a-dia dos alunos na própria casa deles. A idéia não é que os pais ensinem matemática ou português, mas que saibam orientar os filhos sobre a maneira certa de estudar. Fazer lição de casa num ambiente desorganizado ou estudar para uma prova sem método nenhum pode atrapalhar o rendimento do aluno. Disfunção típica de quem está indo mal na escola é não rever a matéria do dia, não fazer a lição de casa ou fazê-la sem condições adequadas: com a TV ligada, o cachorro latindo ou o irmão mais novo chorando. Alguns não têm nem escrivaninha para apoiar livros e cadernos. O problema é que muitas famílias não sabem nem o que fazer para ajudar os filhos. "Os pais pedem muito a nossa ajuda. Eles ficam totalmente perdidos na organização do estudo em casa", disse Nausica Riatto, orientadora de 5ª e 6ª séries do colégio Nossa Senhora das Graças, o Gracinha, de São Paulo. O colégio produz cadernos com orientações e procedimentos para os pais ensinarem seus filhos a estudar melhor em casa. São entregues anualmente aos pais dos alunos de 5ª e 6ª séries. O projeto começou em 2001. Entre as recomendações, o documento registra que os pais devem estabelecer um horário fixo para realização de tarefas e estudos. Também é sugerido que a família supervisione a realização das tarefas, verificando se foram mesmo feitas e se há dúvidas. A rede Pitágoras, com sede em Belo Horizonte, mas com 380 escolas associadas e 180 mil alunos espalhados pelo país, usa palestras para orientar as famílias. Os pais vão mensalmente à escola participar de encontros sobre um tema escolhido anualmente. Neste ano, a discussão é justamente sobre lição de casa. São realizados encontros com profissionais que apresentam diferentes perspectivas sobre o problema. Além disso, faz congresso de pais duas vezes por ano, com reuniões de um dia inteiro para discutir problemas pedagógicos. O colégio Brasil, de ensino fundamental, na zona leste de São Paulo, vai começar neste ano a fazer, nas reuniões trimestrais com os pais, uma simulação do estudo em casa. Os pais vão fazer o papel dos filhos estudando em seu ambiente doméstico para que entendam as dificuldades enfrentadas e as formas de solucioná-las. Segundo Gleice Cataldo, diretora-geral do colégio, falta organização para o início do estudo. "O dicionário da casa está num quarto, o livro do aluno em outro, e ele vai estudar na cozinha. Em termos de metodologia, precisamos ensinar muito aos pais", declara. A escola tem um outro projeto, desde o ano passado, que é o Professor Delivery. Um professor visita a casa do aluno para fazer um diagnóstico de como ele estuda e como é o seu ambiente: se tem método para aprender cada disciplina, se conta com material adequado, se há um lugar e um horário certo para fazer a lição. Depois, o professor sugere as mudanças necessárias e acompanha até que o aluno apresente melhoras na realização de seus deveres de casa. No ano passado, o projeto foi direcionado a alunos da 5ª à 8ª séries do ensino fundamental. Neste ano, vai incluir a 3ª e a 4ª. A escola Carlitos, no Pacaembu (região central de São Paulo), manda todo começo de ano para a casa dos alunos um roteiro de como fazer lição de casa. É voltado para os estudantes do ensino fundamental, mas os pais devem também ler para auxiliar os filhos a se programarem. "Ajuda os pais a orientar os filhos sobre como se organizar e ter disciplina para fazer lição de casa", diz Laura Piteri, orientadora educacional. Entre as orientações, o manual recomenda a escolha de um local bem iluminado e a disposição e a colocação do material escolar à mão. O colégio também distribui periodicamente textos de publicações educacionais estrangeiras com dicas sobre, por exemplo, como estimular a leitura ou como fazer os filhos se interessarem pela lição de casa. (Folha de S. Paulo - 17/03/03)
Pedro Henrique Sinigaglia Nassif, 14, não sabia nem onde estava o lápis na hora de fazer a lição de casa. Na verdade, ele quase nunca fazia suas tarefas. "Eu não entendia a matéria, não sabia como fazer", diz o aluno, que, no ano passado, esteve para ser expulso da 6ª série do rigoroso colégio Visconde de Porto Seguro, por causa do mau desempenho e do comportamento. Ele mesmo diz que era desconcentrado e não tinha hora para estudar. "Hoje chego em casa e vou estudar. Depois é que entro na internet, vou falar com amigos. Chego a gostar de fazer tarefa." A mudança radical aconteceu depois que aprendeu a se organizar. Sua mãe, Maria Cristina Tosca, pediu ajuda à professora particular Marisa Taniguti, que tem uma escola de estudo orientado. Além de mudar os hábitos do próprio aluno, ela sugeriu que a mãe acompanhasse as tarefas mais de perto. Segundo Taniguti, a família tem papel decisivo. "Há relação estreita entre mau desempenho escolar e atitude dos pais." Para ela, há comportamentos comuns em histórias de fracasso escolar. "São pais que não ajudam na lição de casa, não verificam o material, não vêem a agenda, desconhecem o mundo escolar do filho. Não sabem seu comportamento nas aulas, as relações com professores e amigos." Taniguti é taxativa com relação à responsabilidade das famílias. "O fracasso escolar está muito relacionado aos pais. Se os alunos têm dificuldades de aprendizagem, sempre há pais omissos." Seu programa de treinamento inclui participação ativa da família. Ela faz entrevistas com os pais e os alunos. Propõe as mudanças com base nas deficiências que encontra e depois acompanha o resultado uma vez por semana, fazendo reuniões com os pais, durante três a quatro meses. Altera o programa recomendado se for necessário. Entre as suas orientações, estão o melhor método para o aluno estudar, horário para fazer as tarefas e exercícios periódicos em casa para verificar a eficiência do aprendizado. Gleice Cataldo, do Colégio Brasil, diz que "é preciso haver um mínimo de acompanhamento afetivo. Olhar o material, ver se não há lição para fazer. O que mais pesa é a desatenção. Não se trata de comprar o melhor computador, basta dar 15 minutos de atenção ao filho". Walter Braga, presidente da rede Pitágoras, inclui como indicador básico do resultado obtido na escola a relação da família com os alunos. "Os pais acompanham os filhos ao cinema, a atividades culturais? Discutem certos problemas com eles? Participam rotineiramente das atividades escolares, como reuniões e festas?", questiona. (Folha de S. Paulo - 17/03/03)
"Os alunos não ficariam mais aprendendo só o que cai no vestibular. Eles receberiam uma orientação especial no quarto ano." Ruiz defende que este ano seja opcional e que o estudante possa escolher o que quer estudar. "Para os que quisessem entrar na universidade, haveria um aprofundamento nas disciplinas que os ajudassem no vestibular", explica. "Para os interessados na educação profissional, o quarto ano teria uma grade curricular específica e, quem vai logo para o mercado de trabalho, ganharia uma preparação para ser comerciante ou secretária, por exemplo." Se for para ter mais chances no vestibular ou para sair mais preparado para o mercado de trabalho, os estudantes não se importam de ficar mais um ano na escola - desde que ele não seja apenas uma extensão do que já é ensinado nos três anos atuais. "Acho a idéia válida se pudermos nos aprofundar nas áreas de interesse. Quanto mais a gente aprender, melhor", diz o estudante do 3.º ano de uma escola estadual Daniel Pereira, de 18 anos. "E teremos mais chances no vestibular, sem ter de pagar cursinho." Também no último ano, Alexandre Gutschow, de 17, é outro que aprova a idéia. "Um quarto ano bem estruturado, com professores competentes, nos daria mais chances tanto de entrar na universidade quanto no mercado do trabalho", diz. "Mas acho que tem de melhorar a qualidade, porque, se for igual à que temos nesses três anos, não vai adiantar nada." A estudante Michelle Gonçalves Malaquias, de 16 anos, garante que faria o quarto ano. "Só assim a gente teria chance de entrar em uma boa faculdade", afirma. "Mas, para dar certo, seria preciso bons professores, que fossem tão ligados aos vestibulares quanto os dos cursinhos. Não adiantaria nada continuar tendo aula do mesmo jeito dos três primeiros anos, porque o ensino está bem fraco." Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Felipe Maia, o projeto é "interessante". "O aluno da escola pública teria mais oportunidade de se preparar e aumentaria seus conhecimentos numa área específica", diz. "Mas tem de melhorar a qualidade no todo." (Jornal da Tarde - 17/03/03)
A proposta do MEC será discutida na segunda quinzena de abril com especialistas que estão divididos. A educadora Guiomar Namo de Melo, que foi relatora da Reforma do Ensino Médio, acredita que, antes de se fazer a ampliação, é preciso melhorar os três anos já existentes. "Agora, se houver verba para melhorar a qualidade e também for criado o quarto ano, não vejo problema." Esse novo ano, afirma, só não pode ser uma extensão do que já é dado nos três anos. "Não precisamos de mais tempo para ensinar o mesmo conteúdo. É preciso que os alunos aprendam coisas novas." A ex-secretária municipal de Educação, Eny Maia, que foi coordenadora dos Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, lembra que a reforma ainda nem foi implementada e que só depois disso uma extensão deveria ser discutida. "A proposta já previa um ensino modular, com disciplinas optativas que permitiriam ao aluno direcionar seus estudos para o mercado de trabalho ou a universidade", diz. "Acho que, antes de tudo, ela precisa ser parte do dia-a-dia das escolas." (Jornal da Tarde - 17/03/03) Antes de construir a escola ideal que tanto quer, o governo federal vai ter que resolver um problema de base: o atraso escolar. Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas e Estatísticas Educacionais (Inep) do Ministério da Educação, divulgado na terça-feira 11, revelou que a situação educacional é mais grave do que se pensava. Segundo a pesquisa, 41% dos alunos que ingressam no ensino fundamental abandonam os estudos antes de completá-lo. E 39% dos que permanecem têm idade superior à adequada para a série. Do total de alunos que cursam a educação básica, apenas 40% terminam o ensino médio e levam em média 13,9 anos para isso. No Norte e Nordeste do País, a demora é ainda maior. Os estudantes gastam em média 15,1 anos. O ensino superior também apresenta desigualdades. Dos jovens com idade entre 25 e 34 anos, 24% concluíram o ensino médio e apenas 6% fazem universidade. O que quer dizer que nada menos que 70% têm só o ensino fundamental. A pesquisa destacou ainda a situação do professorado, que ganha em média R$ 530 por mês. 46,7% dos que dão aulas no ensino fundamental não têm curso superior. Para o presidente do Inep, Otaviano Helene, há defasagem em todos os níveis. "Os dados apontam que a situação da educação no País é calamitosa e estamos muito aquém de ter um ensino ideal", afirma ele. Assegurar a melhora na qualidade do ensino exige mais investimentos. Segundo Helene, o governo destina cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto para a Educação, mas esses recursos também são usados para pagar a aposentadoria de professores e suprir hospitais universitários. O investimento por aluno no Brasil é muito baixo. "A média nacional é de R$ 668/ano para estudantes do ensino fundamental e R$ 701/ano para os do médio. A média mundial chega a 30% da renda per capita do País. O que equivale dizer que no Brasil deveria girar em torno de R$ 2 mil", afirma. Os números são alarmantes, porém para a professora Maria Thereza Fraga Rocco, da faculdade de educação da USP, a situação já foi pior. "Nos últimos anos houve aumento da escolaridade. O governo passado aumentou o número de alunos nas salas de aula e priorizou a melhora no ensino. Todos os professores das séries iniciais deverão, a partir de 2007, ter formação superior. Isso é preocupação com a qualidade do ensino", afirma. O fato é que
ainda há muito por fazer para erradicar o mal maior que é
a evasão escolar, com seus assustadores 41%. Mas para isso é
preciso disponibilizar um sustento mínimo para as famílias
pobres, como faz o programa Bolsa Escola, cuja eficiência e extensão
exigirão um pouco mais de empenho do governo. Se houvesse essa
garantia, talvez não se repetissem casos como o do segurança
Wagner Malvez, que aos 13 anos, quando ainda cursava a segunda série
do ensino fundamental, teve que trocar a sala de aula pelo calor dos fornos
de uma padaria. Hoje, aos 34 anos, sem saber ler ou escrever, Wagner lamenta
a falta (Isto É - 17/03/03)
Com as propostas em prática, ele poderia garantir que seus estudantes tivessem as mesmas chances dos alunos dos colégios particulares na hora do vestibular. Mas nenhuma medida será tomada antes de passar por uma ampla discussão, garantiu em entrevista ao JT. . A Reforma do Ensino Médio já prevê que 25% das disciplinas sejam optativas nos três primeiros anos. Ela não coincidirá com o quarto ano? . Acho muito importante que a reforma seja implementada e não acredito que o quarto ano será repetitivo. Os 25% dos primeiros anos deverão ser preenchidos com optativas que formem o jovem como cidadão e as optativas do quarto ano serão focadas no vestibular ou no mercado de trabalho. Não se preocuparão tanto com a formação moral. . E por que a Reforma ainda não foi implementada? . Acho que a discussão com os dirigentes de ensino e com os professores foi limitada. Eles não sabem direito por onde começar. Foi um erro estratégico. Mas estamos dispostos a fazer a implementação. Até porque não dá para fazer a reforma de uma reforma que não houve. . E como isso será feito? . Vamos qualificar os professores e ensiná-los a trabalhar de forma interdisciplinar. . A Reforma e o quarto ano melhorariam a qualidade do ensino médio? . Acho que precisamos mudar e essas mudanças precisam começar a ser discutidas agora. Temos de pensar em uma nova forma de avaliação do ensino médio - talvez tornar o exame no fim do terceiro ano obrigatório a todos os alunos para que tenhamos um raio X de cada escola, de cada rede, além de garantir que pelo menos o primeiro ano seja obrigatório, distribuir livro didático para esses estudantes, criar uma bolsa-escola para eles, atacar o problema da falta de professores, tornar a interdisciplinaridade uma prática real. O quarto ano não será um milagre. Não vai recuperar o que não foi dado nos três primeiros e é por isso que temos de melhorar a qualidade no todo. . Quanto custaria o quarto ano? . Gastaríamos um terço a mais do que gastamos hoje. Mas não tenho esse número agora. Vai ser um impacto grande nos Estados e sabemos que eles não têm esses recursos, mas o MEC está estudando formas de ajudá-los. . Quem decidirá se a extensão do ensino médio ocorrerá? E quando ela pode começar? . Vamos tomar uma atitude conjunta. O MEC vai ouvir alunos, pais, professores, secretários de Educação, especialistas. Não decidiremos nada de forma autoritária. Estudaremos os custos e montaremos uma proposta viável. É por isso que ainda não temos datas para essa proposta. (Jornal da Tarde - 17/03/03) |
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