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Preocupados com a crise de energia, alunos aprendem matemática e física calculando prejuízos e cotas de consumo. "Eles agora estão aprendendo na prática que é preciso preservar para utilizar", diz o professor de física Winston Gomes Schmiedecke. Leia mais
Por volta de dez instituições ainda estão com as inscrições abertas para os vestibulares de meio de ano. "Se eu passar agora, vai ser um alívio. Vou fazer as provas de dezembro mais relaxada, e assim posso me sair melhor", acredita a estudante Tatiana Braghini Lourenço. Leia mais
As duas matérias, vilãs antigas dos bancos escolares, estão experimentando o gostinho da popularidade com os estudantes, que andam ávidos por entender o que se passa no país e, principalmente, dentro de suas casas. "Os últimos acontecimentos foram ótimos para mim, como professora eu me realizei", diz a professora de matemática Sílvia Maria Sacramento, do Colégio Augusto Laranja, em São Paulo. "A matemática virou a estrela da escola." A crise de energia tem feito com que a rotineira hora do jantar transforme-se na agitada hora dos cálculos, o que acabou por despertar a curiosidade de filhos querendo ajudar na economia doméstica e participar do esforço compulsório no país. A estudante de 6ª série Julia Howat Rodrigues, 12, conta que aprendeu a fazer a média de consumo de sua casa e chegou ao número que seus pais terão que alcançar com o corte de 20% de energia. Agora, é ela quem policia a família para desligar os aparelhos. "Nunca ninguém imaginou que um país tropical como o Brasil, cheio de rios, passaria por uma situação destas. Mas agora estou aprendendo não só a fazer as contas, mas também a dar valor para as coisas", explica Julia. Do ponto de vista do meio ambiente, a crise ajuda os alunos a entender que recursos financeiros não garantem a continuidade dos naturais. "Eles agora estão aprendendo na prática que é preciso preservar para utilizar", diz o professor de física Winston Gomes Schmiedecke. Winston tem pedido aos seus alunos da 8ª série que tragam uma lista dos aparelhos eletro-eletrônicos que mais usam em casa, com a informação do fabricante sobre sua potência. Através de conceitos físicos e matemáticos, os alunos calculam quanto de energia consomem estes produtos e com quais deles se pode economizar mais. "Estamos formando um cara mais crítico. Depois dos exercícios, eles voltam para casa e acabam orientando pai e mãe sobre o que fazer para poupar". Heinz Hillermann, do Colégio Bandeirantes e professor de física há 30 anos, acredita que, através de discussões em sala de aula, é possível engajar os alunos, fazer com que entendam a crise melhor e dêem suas próprias sugestões. "Quero ganhar
adeptos para combater a crise", diz. Hillermann garante que suas
aulas viraram um palco de discussões que cria um "conhecimento
de grupo". "É um pouco confuso, mas vale a pena adiantar alguns tópicos para aproveitar a realidade atual", explica Cláudia Verginia Dametto Joaquim, professora de matemática da 6ª e 7ª séries do Colégio Bandeirantes, de São Paulo. Cláudia conta que seus alunos estão aprendendo a o relógio que registra o consumo de energia e a calcular quanto deveriam diminuir o uso de um microondas, por exemplo, para cumprir as cotas de corte do governo. "Depois que eles fizeram as contas, voltaram aqui e me disseram que vão passar a esquentar comida no fogo porque o microondas consome energia demais". A interdisciplinaridade é uma outra vantagem da atual conjuntura apontada pelos professores. "Outro dia um aluno me perguntou se democracia é quando o governo impõe as coisas para o povo. Conversamos sobre isso e depois fui dar um toque no professor de história para que ele discutisse o assunto com a classe", conta Cláudia. Aproveitando a inesperada mãozinha do governo, o professor Fábio Luiz Marinho Aidar Júnior, que dá aulas de física no Colégio Santa Cruz, resolveu incrementar suas próprias aulas discutindo com mais detalhes os conceitos de energia, mas também não se importando em sair um pouco da matéria. "Cada vez que o governo muda alguma regra, conversamos e procuramos entender as consequências disso". Fábio nota que o trabalho com suas classes acabou ficando mais simples, porque professores de outras matérias abordam o assunto da crise, instigando os alunos a terem uma participação cada vez maior em suas aulas e, portanto, elevando o aproveitamento da turma em geral. "Na prática, o conteúdo das matérias não é estanque e nós estamos integrando a física com química, biologia, geografia e até filosofia", diz Winston Gomes. Ele acredita que esta integração, combinada com a influência que a crise de energia exerce no cotidiano dos estudantes está, no fundo, servindo para acabar com a "má fama" das disciplinas de exatas. (Folha OnLine)
Roer as unhas, dormir sobre os livros e grudar cola na geladeira já não são cenas típicas só do final do ano. Parte da angústia do vestibular migrou para os meses de junho e julho, quando algumas faculdades promovem sua seleção de meio de ano. E ainda está em tempo: pelo menos dez instituições estão com inscrições abertas. Também dá para tentar vaga fora do Estado. A PUC-RJ e a Universidade Norte do Paraná, por exemplo, permitem que o candidato se inscreva até a metade de julho. Para muitos estudantes, o exame antecipado acaba funcionando como uma válvula de descompressão: o peso do fracasso, se houver, é menor, porque haverá sempre a alternativa do final de ano. "Se eu passar agora, vai ser um alívio. Vou fazer as provas de dezembro mais relaxada, e assim posso me sair melhor", acredita Tatiana Braghini Lourenço, 20, que já tem pronta sua estratégia. No cursinho há dois anos, Tatiana cobiça a carreira mais "traumática" de todas: medicina. Por isso, avalia, quanto mais oportunidades tiver, melhor. Em julho, ela tenta uma vaga na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Se passar, começa a cursar. "No final do ano, volto para São Paulo e tento de novo a USP, a Unifesp e a Unicamp, que são as minhas preferidas. Se passar, ótimo; se não, continuo cursando em Minas", conta. Engana-se, porém, quem só estiver atrás de facilidade. "Na maioria dos lugares, é mais difícil passar agora, porque há menos faculdades oferecendo vagas. Vou fazer mais como estímulo", afirma Daniel Esteban, 18, também candidato a medicina, que está tentando entrar na UEL (Universidade Estadual de Londrina). A dificuldade cresce principalmente nas escolas públicas -poucas adotam a "versão inverno". "A galera que presta uma universidade pública no meio do ano está muito bem preparada, sabe que tem boas chances", diz Esteban. Ou seja: além de o número de vagas ser menor, alunos qualificados estarão no páreo, disputando as faculdades mais conceituadas. Tensão Mas vale a pena ir atrás da relação candidato/vaga em todas as instituições. Na Universidade Metodista de São Paulo, que promove vestibulares em julho desde 99, jornalismo, uma das carreiras mais visadas, teve 2 candidatos/vaga em julho de 2000 (vespertino). Em janeiro de 2001, esse número cresceu para 6,45 (matutino) e 7,43 (noturno). Já publicidade, outra carreira disputada, registrou números relativamente equilibrados. Foram 6,25 candidatos/vaga em julho de 2000 (noturno), contra 6,81 em janeiro de 2001 (matutino) e 7,43 (noturno). "Nem sempre é mais fácil, mas pelo menos é uma opção a mais", afirma Samantha Filev Maia, 21, candidata a medicina, que está prestando a UEL. "Estou me sentindo menos tensa e nervosa agora do que nas provas de final de ano", ela diz, depois de cinco tentativas frustradas de passar na Fuvest. "Parece que a responsabilidade pesa menos nos ombros nessa época." Já Alessandra Cavalcante da Cunha, 20, candidata a odontologia, vai tentar a UEL mesmo achando tão complicado quanto em janeiro. "É a mesma tensão, mas eu decidi tentar tudo o que for aparecendo." Nem todos vêem a chance de passar agora como um estepe. Érica Suguiura, 17, está louca para fazer as malas em agosto -sem a preocupação de voltar em dezembro para tentar outras faculdades. "Estou estudando todo o tempo que aguento porque quero entrar logo", diz. Em seu primeiro ano de cursinho, ela está prestando veterinária na UEL, na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e na Ufla (Universidade Federal de Lavras-MG). (Revista da Folha)
O estudante de Economia Felipe Maia, da PUC de São Paulo, é o novo presidente da União Nacional dos Estudantes - UNE. Eleito com mais de 70% dos votos, ele defendeu, durante o 47° Congresso encerrado hoje em Goiânia, a formação de uma ampla frente com os partidos políticos de centro-esquerda, para "impedir Fernando Henrique de fazer o sucessor". Cerca de oito mil estudantes participaram do Congresso da UNE, iniciado na quinta-feira no campus da Universidade Católica de Goiás (UCG), sob o tema "Um Outro Brasil é Possível". A frente ampla, "contra FHC, FMI e o neoliberalismo", foi defendida pelo PCdoB desde o começo do Congresso. A oposição, dominada pelo PT e o PSTU, queria a formação de uma frente somente com partidos de esquerda. A tese não foi aceita. A UNE, segundo afirmou Felipe Maia, vai promover seminários e debates nas universidades, com participação de pré-candidatos à Presidência como Lula, Itamar Franco e Ciro Gomes. Maia diz que a UNE defenderá, em seu mandato de dois anos, a diversificação das atividades do movimento estudantil, implementação dos Jogos Universitários, e oposição ao neoliberalismo. E será contrária, entre outras coisas, ao aumento das mensalidades nas universidades particulares e ao sucateamento das universidades públicas. E anunciou que no dia 27 participa do Movimento em Defesa do Brasil. (Jornal do Brasil)
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