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Pesquisa feita pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) constatou que o Brasil está entre os países que têm as piores proporções de professores por alunos no ensino básico. São 38,6 alunos no ensino médio e 30 estudantes por professor no ensino fundamental. Leia mais
Os Estados Unidos não têm livros de ciência de boa qualidade para seus alunos de ensino básico. Essa é a opinião do pesquisador George Nelson, diretor de um projeto de reforma curricular do ensino de ciência. "O que nós descobrimos é alarmante. Há alguns poucos livros bons de matemática e zero livro de ciência aceitável", declarou. Leia mais
Sobram alunos e faltam professores. Em comparação feita pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) envolvendo 47 países, o Brasil está entre os que têm as piores proporções de professores por alunos no ensino básico. O país é o último no ensino médio -são 38,6 alunos por professor. De 1ª a 4ª séries, cada turma tem, em média, 30 estudantes. A situação do salário de docentes também é ruim: o Brasil tem a terceira pior média salarial anual para professor em início de carreira, R$ 3.758, ou R$ 313,16 por mês, superando Indonésia e Peru. O estudo da Unesco com dados de 1999, obtido pela Folha, inclui 29 países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e 18 de um grupo denominado WEI (sigla em inglês para Indicadores Mundiais de Educação). A pesquisa mostra que o Brasil tem salas de aula mais cheias que a maioria das nações pesquisadas. Enquanto o Brasil tem no ensino médio 38,6 alunos por professor, os países da OCDE têm, em média, 14,1. Entre os do WEI, todos em desenvolvimento, a média é de 21,4 crianças por professor. As turmas de 5ª a 8ª séries também estão cheias: 33,7 estudantes por professor, contra média do WEI de 21,2 e da OCDE de 15,2. Só na educação infantil (creches) o país está em uma posição melhor que a média do WEI, mesmo que ainda maior que a da OCDE. São 21,2 crianças por professor, contra média de 24,5 do WEI. "Não temos professores em número suficiente, principalmente com a qualificação necessária", diz Maria Helena Castro, presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão que fornece os dados brasileiros para a Unesco. O maior déficit está no ensino médio, mas afeta turmas de 5ª a 8ª série. Esses dois níveis exigem curso superior para lecionar; da 1ª à 4ª série, a obrigatoriedade começa a valer só daqui a nove anos. O Ministério da Educação não tem levantamento detalhado do déficit. Dados preliminares indicam que, em alguns Estados, seriam precisos 20% de professores a mais que os que estão trabalhando hoje. É o caso de São Paulo, onde a escassez é maior em matemática, física, química e biologia. "É um dado gravíssimo. O impacto é na qualidade da educação", diz Carlos Augusto Abicalil, presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação). "Sobra para os que estão trabalhando jornada extra e falta tempo para planejamento e qualificação." Segundo a presidente do Inep, um dos principais problemas para contratar professores é a falta de formandos qualificados para dar aulas. Mas há outro ponto que não ajuda: salário. Com dados de 1999, a Unesco chegou a uma média de R$ 313,16 por mês para professores em início de carreira. Em final de carreira, a média sobe para R$ 707 mensais. O último balanço do Fundef (fundo de desenvolvimento do ensino fundamental) apresentado pelo governo federal, relativo ao ano passado, apresenta um reajuste de 29,5% nos salários. As médias salariais apontadas pelo governo são maiores (no Nordeste é R$ 528, menor do país), mas o cálculo não separa professores em início ou fim de carreira. "Houve uma pequena melhoria nas regiões que recebem recursos federais do Fundef, que eram as mais pobres", diz Abicalil. "Mas os salários nacionais continuam extremamente baixos." (Folha de S. Paulo)
O Brasil investe 4,6% do PIB (Produto Interno Bruto) em educação. É o maior percentual entre os sete países da América Latina que participaram do estudo da Unesco. O índice é igual ao da Inglaterra e pouco menor do que o dos Estados Unidos e o da Itália, que investem 4,8%. A maior parte dos recursos é de gastos no ensino fundamental e médio, segundo a tabela da Unesco: 3,1% do PIB, na sua maioria investimentos feitos pelos Estados e municípios. O ensino superior consome 1,1%. A maior parte dos recursos sai do governo federal, que sustenta as universidades privadas. A média brasileira anual de gasto por aluno na faixa de ensino de 1ª a 6ª série é de R$ 653,00, aproximadamente um quarto da média da OCDE (R$ 2.796,00). O gasto por aluno no ensino médio também está abaixo da média, tanto dos países da WEI quanto da OCDE. O país investe R$ 900 por aluno, enquanto na WEI a média é de R$ 1.006,00, e na OCDE, R$ 4.615. Segundo o Ministério da Educação, o gasto brasileiro é baixo no ensino básico porque o número de alunos é muito grande. Já o gasto médio anual no ensino superior, de R$ 11.402, é maior do que a média naquele grupo de países (R$ 7.069,00). É menor apenas que o investimento por aluno dos EUA e da Suíça. Apesar dos baixos salários dos professores do ensino básico no Brasil, a folha de pagamentos consome 83% do que é investido na educação. No ensino superior, 97% do que é gasto vai para o pagamento de salários. É a maior fatia entre os países do WEI que apresentaram os índices. (Folha de S. Paulo)
Um estudante no Brasil passa, em média, 15 anos na escola, incluindo o tempo gasto com a educação básica (fundamental e média) e o ensino superior. Por outro lado, a média de anos de estudo de um brasileiro é de 5,7, segundo dados do IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 1999. "Os dados mostram o problema de aprovação no sistema. Os alunos estudam, mas não conseguem ir até o final", diz Maria Helena Castro, presidente do Inep. Entre os países usados pela Unesco para o WEI (sigla em inglês para Indicadores Mundiais de Educação), o Brasil perde apenas para o Uruguai, que tem expectativa de escolaridade de 15,2 anos. No entanto, ali a média de anos de estudo chega a 8,1. Na Argentina, cuja expectativa é semelhante à brasileira (14,2 anos), a escolaridade chega a 9,2 anos. A principal causa do pouco aproveitamento dos brasileiros é a repetência. Entre os 16 países do WEI que apresentaram suas taxas, o Brasil é o pior nesse item. A Unesco usou dados de 1999 para fazer a comparação, quando o país tinha taxa de 25% de repetência no ensino fundamental. Mesmo com dados atualizados, divulgados há duas semanas pelo Ministério da Educação, o Brasil também seria o último entre os 16 países, com índice atual de 21,6%. No ensino médio,
a taxa de 18,1%, é um pouco melhor do que a da Tunísia (23,9%). Em São Paulo, a repetência em 2000 chegou a 7,3% depois que o sistema de ciclos foi adotado para 80% dos alunos. (Folha de S. Paulo)
Os Estados Unidos, país que tem a ciência mais pujante do mundo, não têm nenhum livro de ciência de boa qualidade para seus alunos de primeiro e segundo grau. Essa é a opinião do pesquisador George Nelson, diretor de um ambicioso projeto de reforma curricular do ensino de ciência patrocinado pela AAAS (Associação Americana para o Avanço da Ciência, em inglês). Nelson fez essa afirmação em palestra no último domingo na reunião anual da SBPC, a equivalente brasileira da AAAS. "O que nós descobrimos nos EUA é alarmante. Há alguns poucos livros bons de matemática e zero livro de ciência aceitável", declarou Nelson. O norte-americano é responsável pelo Projeto 2061, que desde 1985 tem estudado currículos e livros didáticos e feito propostas de mudança. O objetivo básico é delinear modelos curriculares para o ensino de ciência no futuro. A principal crítica de Nelson aos livros atuais parece contraditória: os livros são muito superficiais porque são carregados demais de informação. Para ele, o ideal seria tirar esse peso extra que os alunos não conseguem dominar, de forma a focalizar apenas os conceitos mais importantes. "Esse é um dos capítulos mais polêmicos: tirar algumas idéias que os educadores acham importantes. É mais fácil um educador acrescentar algo do que tirá-lo de um currículo", afirma Nelson. Para ele, o educador deve agir como um cientista, enfocando a tarefa de ensinar como um pesquisador que vai iniciar um estudo: descobrindo primeiro qual o estado da arte no assunto, para em seguida começar sua própria pesquisa. E verificar o resultado: se de fato os alunos aprenderam. "Quando levamos algo para a sala de aula, já assumimos que irá funcionar", diz ele. Mas nem sempre isso é verdade. Novos estudos científicos sobre o processo de aprendizado têm iluminado aspectos de como o aluno de fato absorve o conhecimento. Uma constatação óbvia é a necessidade de adequar o conteúdo do que se ensina àquilo que os estudantes sabem previamente, sob o risco de não haver impacto sobre o conhecimento já adquirido. "Nós não achamos nenhum livro didático que ajude o professor a identificar esse conhecimento prévio", afirma o diretor do Projeto 2061. O ano é aquele em que o cometa Halley deverá passar de novo perto da Terra. Uma imagem do cometa ilustra o site do projeto (www.project2061.org). Nelson mostrou um slide com a famosa foto da Terra vista da Lua tirada pelos astronautas de uma missão Apollo. Para ele, se os educadores reformarem os currículos das primeiras décadas do século, os alunos do futuro poderão ver pessoalmente a cena. (RBN) (Folha de S. Paulo) |
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