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A partir de agora, os governos estadual e municipal terão de pagar uma multa de R$ 100, por cada criança que não esteja cursando o ensino fundamental na favela de Paraisópolis, em São Paulo. Leia mais.
Será anunciado no próximo dia 22, um projeto da Secretaria Municipal do Trabalho em parceria com a Unesco (órgão da Organização das Nações Unidas), que visa oferecer cursinho pré-vestibular gratuito para jovens carentes de São Paulo. Leia mais.
O Estado de São Paulo e a Prefeitura da capital terão de pagar multa de R$ 100 por criança fora do ensino fundamental na favela de Paraisópolis. A região tem cerca de 60 mil habitantes e 900 crianças sem escola, segundo o presidente da União dos Moradores da Comunidade de Paraisópolis, José da Silva Rolim. De acordo com o promotor Motauri de Souza, o Ministério Público recebeu ontem a sentença do Tribunal de Justiça sobre a ação pública, aberta em 2000. Desde o início do processo, a região ganhou quatro novas escolas. Hoje são seis unidades no total, sendo três estaduais e três municipais. "Mas ainda há muitas crianças com 7 e 8 anos que se cadastraram e não conseguiram vaga", diz Rolim. A favela de Paraisópolis fica no bairro do Morumbi, na zona sul. A Secretaria Estadual da Educação afirmou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que ainda não foi notificada pela Justiça, mas contesta o número de crianças fora da escola na região. Segundo ela, 6.571 alunos são atendidos pelo Estado em Paraisópolis, até o ensino médio. O governo informou que, em virtude das reclamações de falta de vagas, reabriu as inscrições nas escolas depois do início das aulas este ano, mas recebeu apenas seis novas matrículas. Já a Prefeitura atende 4.192 crianças do ensino fundamental na região, segundo a Secretaria Municipal de Educação, que também informou que ainda não foi ainda notificada pela Justiça. O promotor Motauri de Souza disse que vai pedir à União de Moradores a lista com os nomes das crianças que não estão sendo atendidas. Segundo ele, a sentença determina ainda que a Prefeitura realize um recenseamento em Paraisópolis para identificar a população na faixa etária do ensino fundamental (1.ª a 8ª série) e, então, construa escolas para que o atendimento seja completo. (O Estado de S. Paulo - 19/02/03)
Cursinho pré-vestibular grátis para jovens carentes da cidade de São Paulo. Esse é o projeto que a Secretaria Municipal do Trabalho vai anunciar amanhã, em parceria com a Unesco (órgão da Organização das Nações Unidas). A idéia é beneficiar estudantes de 16 a 29 anos, desempregados, com renda familiar de até R$ 1.000 e que morem em São Paulo. As aulas só devem começar no fim de março, com um alcance limitado. No início, um projeto-piloto vai atender 2.000 inscritos. A meta é atingir 10 mil alunos até o fim do ano. Segundo a secretaria, São Paulo tem 920 mil jovens no perfil do programa. "Queremos beneficiar um público que completou o ensino médio e precisa de ajuda para concorrer a uma universidade pública ou a uma particular de qualidade", diz Dulce Helena Cazzuni, coordenadora do programa Bolsa Trabalho. A prefeitura quer aproveitar as vagas ociosas em fins de semana e no período da tarde. O projeto será aberto para cursinhos comunitários (com professores voluntários, como o Educafro), alternativos (com professores pagos, mas com proposta educacional mais ampla, como o da Politécnica da USP) e comerciais (como o Objetivo e o Anglo). O curso vai sair de graça para os alunos selecionados. Os estudantes não recebem dinheiro nenhum. A prefeitura vai pagar diretamente para as entidades. Cazzuni afirma que serão negociados descontos de até 65% em relação ao preço normal. A secretaria avalia que o custo médio por aluno será de R$ 53 por mês. Se forem atendidos 10 mil alunos, o custo anual chega a R$ 6,36 milhões. As mensalidades dos cursinhos comunitários vão de R$ 10 a R$ 30. Nos alternativos, variam de R$ 110 a R$ 200, enquanto nos comerciais cobra-se de R$ 260 a R$ 900 (a variação é grande porque depende da área exatas, humanas ou biológicas e do período manhã, tarde ou noite). Segundo a secretaria,
o dinheiro para o projeto virá da Unesco. As inscrições vão começar amanhã e serão feitas pela Internet, num site que a secretaria ainda não divulgou. O critério de desempate para seleção deverá ser a renda. Quem ganhar menos fica com a vaga. Frei David Santos, do cursinho comunitário Educafro, dirigido por franciscanos, elogia a iniciativa. "Espero que outras prefeituras façam o mesmo." Apesar do apoio, a Educafro ainda não decidiu se vai aderir ao projeto da prefeitura. "Estamos avaliando", diz Santos. Barbara Hilsenbeck, coordenadora do Neurônio Vestibulares, da ONG Clube de Mães, que tem vagas ociosas à tarde, avalia que o projeto será "fundamental", mas ainda não falou com a prefeitura. (Folha de S. Paulo - 19/02/03) |
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