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Algumas ONGs estão treinando professores a ministrar aulas mais criativas, com recursos multimídia, atividades ao ar livre e construção de brinquedos para aprender física. Leia mais:
Terminam na próxima sexta-feira (23/05) as inscrições para o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). As provas irão acontecer dia 31 de agosto. Leia mais:
Treinamento especial de professores e aulas criativas, com uso de recursos multimídia, atividades ao ar livre e construção de brinquedos para aprender física e matemática são alguns dos elementos que ONGs, fundações, institutos e empresas usam para tornar a escola mais atraente. Os exemplos podem ser uma resposta para ajudar a melhorar o desempenho de escolas públicas, considerado fraco, conforme o MEC (Ministério da Educação) detectou pelo Saeb (Sistema Nacional de Educação Básica). Não há um levantamento oficial da quantidade de programas voltados à educação, mas as entidades se dispõem a trocar experiências. "Disponibilizamos nossa metodologia para outras empresas que queiram aplicar nosso projeto de educação", diz Maurício Bacellar, gerente de comunicação corporativa da Coca-Cola. Vários programas se tornam política pública de educação. É o caso do Se Liga e do Acelera, projetos do Instituto Ayrton Senna, adotados em Estados como Goiás e Pernambuco. Em Vespasiano (MG), o programa Ensino de Qualidade, da Fundação Belgo-Mineira, foi incorporado à rede municipal. Na Fundação Bradesco, que tem 39 escolas próprias e atende a mais de 105 mil alunos carentes, o índice de evasão escolar geral é de 2,8%. Em 2002, na rede estadual de São Paulo, foi de 2,9% (ensino fundamental) a 8,4% (ensino médio). A diretora técnica da fundação, Ana Luisa Restani, diz que o treinamento de professores é um dos focos. É usada tecnologia para ampliar os resultados há muitas oficinas feitas pela internet para atingir locais tão distantes como Macapá (AP) e Bagé (RS). Também há aulas diferentes, que tentam cativar mais os alunos: educação ambiental, coral, música, teatro e pintura. Além disso, os estudantes têm assistência médica, tratamento odontológico, alimentação, material didático e uniforme. Segundo Restani, o projeto da Fundação Bradesco se diferencia de outros porque sua atuação na área é permanente iniciou-se nos anos 60 e não provisória, o que se reflete nos resultados. "Temos alunos interessados e índices de frequência significativos." O projeto Escola na Praça, da Cidade Escola Aprendiz, usa espaços públicos no bairro de Pinheiros (zona oeste de São Paulo) para dar aulas. Numa praça, alunos têm disciplinas alternativas, como cinema, pintura e música. Segundo especialistas, boas idéias para a educação têm de ser reproduzíveis em larga escala como políticas públicas, caso contrário perdem muito de sua utilidade. "Um belo projeto de educação feito no microcosmo não passa de um belo projeto. Tem de ter ambição", diz Judi Cavalcante, diretor-executivo-adjunto do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), que lançou o "Guia Gife sobre Investimento Social Privado em Educação". Por outro lado, programas que funcionaram numa realidade não devem ser transplantados automaticamente para outra. (Folha de S. Paulo - 21/05/03)
Terminam sexta-feira as inscrições para a sexta edição do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem). As provas serão realizadas em 31 de agosto, em 605 municípios do país, incluindo todas as capitais. Em São Paulo, elas acontecerão em 122 cidades. Os exames se destinam a avaliar o nível do ensino médio. O Enem é uma prova voluntária, constituída de 62 questões de múltipla escolha e uma redação. Além de referência para o aluno avaliar o aprendizado em 11 anos de estudo e conhecer melhor suas habilidades e competências individuais, o exame serve como alternativa ou complemento aos processos seletivos para ingresso na universidade. Atualmente, 412 instituições de ensino superior de todo o país utilizam os resultados da avaliação em seus vestibulares, muitas vezes dispensando o candidato do teste ou usando as notas como parte do critério de aprovação. As inscrições devem ser feitas pelos alunos da terceira série do ensino médio matriculados na rede pública ou privada e por aqueles que já tenham concluído esse nível de escolaridade. Os estudantes que estão terminando o ensino médio em escolas públicas e os concluintes carentes de escolas privadas estarão isentos da taxa de inscrição, de R$ 32. Também terá direito à isenção quem concluiu o ensino médio entre abril de 2002 e abril deste ano e os que já terminaram o curso. Mas, nesses casos, o aluno precisa apresentar uma declaração de carência. Para os estudantes da rede pública, todo o processo será realizado no estabelecimento de ensino, assim como para os alunos carentes de escolas privadas. Já os demais concluintes de instituições particulares deverão preencher a ficha de inscrição na escola e pagar a taxa de inscrição em qualquer agência dos Correios. (Diário de S. Paulo - 21/05/03)
Um programa de TV em rede nacional vai orientar professores sobre como atender crianças com deficiência física em sala de aula. "Acesso Total", que deve estrear no próximo sábado, às 6h, no SBT, pretende alcançar 50 mil docentes de educação infantil, ensino fundamental e médio, segundo Décio Goldfarb, presidente da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). De acordo com a entidade, há 6 milhões de crianças com alguma deficiência no país. O programa será semanal e terá meia hora de duração. O SBT vai veicular o "Acesso Total" de graça, mas a AACD arca com os custos de produção, estimados em R$ 800 mil para os 70 programas previstos. Com apoio de profissionais especializados, a idéia é explicar como são algumas das principais doenças, como paralisia cerebral e hidrocefalia. Também será discutido como os alunos podem ser integrados a uma aula normal. Por exemplo, se a criança não tem os braços, ela pode aprender a escrever com a boca. Haverá um telefone de ligação gratuita para tirar dúvidas dos professores: 0800-9401141. O site é www.teleton.org.br. (Folha de S. Paulo - 21/05/03)
Em vez de projetos isolados de responsabilidade social, executivos de grandes empresas resolveram atacar juntos o problema da má qualidade da educação pública no País. Investindo nas escolas, o grupo pretende aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, que hoje ocupa a 73.ª posição no ranking mundial. "Percebemos que soluções de varejo não funcionam mais; precisamos de ações de atacado", diz o presidente do grupo chamado de Empresários pelo Desenvolvimento Humano (EDH) e presidente da Philips, Marcos Magalhães. Por "atacado", entenda-se um investimento inicial de R$ 90 milhões, provenientes de empresas multinacionais como Credicard, Nokia, Nestlé e Oracle, e nacionais, como Itaú Seguros, Unibanco e Estrela. "Normalmente, os projetos sociais visam a promover a marca de cada empresa e têm um efeito pequeno no País", diz o presidente da americana Oracle, Sérgio Rodrigues. No EDH, segundo ele, só são aceitos presidentes das corporações. "O trabalho do executivo prepondera sobre o da empresa. Se eu mudar de trabalho, com certeza continuarei colaborando." Magalhães diz que, quando o grupo resolveu juntar forças para melhorar o IDH brasileiro, constatou rapidamente que o objetivo só seria alcançado por meio da educação de qualidade. O ensino fundamental (1.ª a 8.ª séries) foi escolhido como alvo de atuação. Mesmo com a recente universalização do ensino 97% das crianças estão nas escolas, o País registra índices de 39% dos alunos com atraso escolar e apenas 59% de concluintes. O EDH começou este mês seu investimento em Pernambuco, depois de cruzamentos de dados que mostraram a situação precária do ensino no Estado. "Temos um grande problema de crianças analfabetas", diz o secretário de Educação de Pernambuco, Mozart Neves Ramos. Cerca de 150 mil alunos do ensino fundamental do Estado não aprenderam a ler e a escrever. O primeiro projeto do EDH desenvolvido pelo Instituto Ayrton Senna - combate justamente esse problema. Já capacitou mil professores da própria rede de ensino do Estado e formou salas especiais em 48 municípios para alfabetização. Segundo a presidente do instituto, Viviane Senna, o programa foi aplicado e aprovado em 240 municípios de Goiás. "As crianças que eram analfabetas passaram a ler 40 livros por ano", diz. A segunda etapa em Pernambuco será executada em 2004, com o projeto chamado de Acelera. A intenção é montar outras salas específicas para alunos em defasagem idade/série. No Estado, são cerca de 450 mil, de acordo com a avaliação prévia realizada a pedido do EDH. Segundo Viviane, os professores são treinados pelo instituto para conseguir recuperar três a quatro anos escolares em um ano. Por estar focado na solução de um problema imediato, a preocupação dos empresários é também a de garantir que haja mudanças estruturais no sistema. "Estamos lutando para que esses projetos não tenham de ser permanentes", completa o secretário Ramos. A intenção do EDH é, ao capacitar professores, mudar a maneira de ensinar. "Por isso fazemos tudo com profissionais que fazem parte da rede de ensino do Estado. Estes mesmos professores que atendem os alunos em defasagem depois vão trabalhar com os outros e mudar o sistema", diz Viviane. A intenção é garantir a alfabetização logo na 1.ª série. A duração
prevista dos dois projetos é de cerca de cinco anos. "Depois
disso, gostaríamos de evoluir para outros Estados, inclusive com
adesões de empresários locais", diz Magalhães.
Na inauguração do projeto, semana passada em Pernambuco,
com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e
do ministro da Educação, Cristovam Buarque, Magalhães
manifestou sua intenção de que os programas se transformassem
em políticas públicas. Hoje, todo o custo capacitação
de professores, material e supervisão é bancado pelos executivos
do EDH, que compram cotas mensais de, no mínimo, R$ 5 mil. |
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