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Guerrilheiros colombianos visitam escolas brasileiras e fazem palestras contra o Plano Colômbia. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo abriu sindicância para apurar as reuniões feitas em três escolas de Osasco. No entanto, um colombiano afirmou já ter visitado escolas de Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza. Leia mais
A Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), estará realizando a partir de agosto, um cursinho pré-vestibular e outro de alfabetização de adultos para pessoas carentes. As aulas serão ministradas em São Paulo e em algumas cidades do interior do Estado. Leia mais
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo instaurou há duas semanas sindicância em três escolas públicas da Grande São Paulo para apurar a participação de colombianos em palestras e debates em defesa das idéias dos dois principais grupos guerrilheiros da Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o Exército de Libertação Nacional (ELN). As sindicâncias referem-se a palestras feitas nos últimos nove meses em escolas de Osasco. A secretaria está ouvindo diretores, professores e funcionários sobre as circunstâncias em que ocorreram essas reuniões. Defendendo as guerrilhas, os colombianos rebateram as acusações de envolvimento delas com o narcotráfico e criticaram o Plano Colômbia - projeto incentivado e parcialmente financiado pelos EUA contra a indústria da droga no país e considerado pelos representantes dos rebeldes um pretexto para intervenção militar norte-americana na América Latina. O Estado apurou que as palestras são parte de uma ofensiva diplomática que vem sendo empreendida por porta-vozes ou colaboradores das Farc e do ELN no Brasil. Dois colombianos que se apresentam como porta-vozes dos grupos no Brasil afirmaram ao Estado que nos últimos dois anos "companheiros" vinculados à guerrilha estiveram em mais de 20 cidades, de pelo menos sete Estados brasileiros, defendendo seus pontos de vista em escolas públicas, universidades e sindicatos. O objetivo das visitas, segundo Milton Hernández, do ELN, é bem definido: tentar forjar uma mobilização internacional de oposição ao Plano Colômbia que conte com o apoio de brasileiros. "Os povos da América Latina precisam criar uma rede de solidariedade, organizar-se, conscientizar-se e promover manifestações. Essa é a importância do trabalho", disse. Falando um português razoavelmente correto, Hernandéz, de 48 anos (há 18 na luta armada) afirmou já ter estado em cinco debates escolares no Brasil, desde 1999. Visitou Recife, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Fortaleza. "Nós acompanhamos as palestras, atualizamos as pessoas e contamos as últimas coisas." Segundo ele, há outros seis representantes do ELN no Brasil. Mauricio Valverde, da comissão internacional das Farc, declarou já ter participado de palestras em mais de 20 cidades brasileiras desde que chegou ao País, há 11 meses. Valverde fala mal o português. "Temos convites de todo o Brasil, de Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Florianópolis, Pelotas, Caxias do Sul, Bento Gonçalves, Santos, Rio de Janeiro, São Paulo." Sua agenda é dividida com outros colombianos. Nem as Farc nem o ELN têm representação legal no Brasil. Seus porta-vozes ou colaboradores vêm participando de palestras sempre sob um regime de discrição e mesmo de certo sigilo. "Desde que o Oliverio (Medina) foi preso, passamos a ter mais cuidado com entrevistas abertas, debates muito públicos, em não deixar filmagens, gravações, fotografias porque isso ajudaria a Polícia Federal a fazer seu trabalho", disse Valverde. Oliverio Medina era até o ano passado o mais conhecido representante das Farc no País. Mas depois de ter ficado detido por alguns dias em razão de problemas com visto - conforme disse na época a PF - foi proibido de falar aqui em nome da guerrilha. "Não nos identificamos (em público), nos apresentamos apenas como colombianos", acrescentou Hernández, que, como Valverde, usa um codinome. Pela lei 6.815/80, o Estatuto do Estrangeiro, todo estrangeiro que estiver no Brasil com visto de turista não pode fazer pronunciamentos políticos ou proselitismo que envolvam questões de seu país. O artigo 107, diz que "o estrangeiro admitido em território nacional não pode exercer atividade de natureza política nem se imiscuir em negócios públicos do Brasil". Segundo o delegado Marco Antônio Veronezzi, da Divisão da Polícia Marítima e Aérea de Fronteiras, da PF, a lei determina que o estrangeiro com visto de turista (ou em situação irregular) flagrado nessas circunstâncias seja convidado a deixar o país. Perguntado sobre como os colombianos envolvidos com a guerrilha entram no Brasil, Hernández, foi econômico: "Há esquemas." Muitos dos debates são promovidos por grupos brasileiros de esquerda. Um dos mais ativos nessa missão, o Comitê Permanente de Solidariedade aos Povos em Luta, atua em São Paulo, onde desde julho de 2000 organizou mais de 40 palestras na capital e Grande São Paulo, segundo Magno de Carvalho, um dos articuladores do grupo e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da USP. Em boa parte dessas palestras, colombianos ligados à guerrilha estiveram presentes, entre eles Medina. Carvalho esteve no início de junho em um encontro escolar em Osasco ao lado de um colombiano. O visitante foi apresentado aos alunos como um "companheiro" ligado aos movimentos populares da Colômbia. Receoso, ele não quis identificar-se. Aconselhado pelo colega brasileiro, também não falou com a reportagem para evitar mais exposição. A diretoria da escola pediu que o nome da instituição não fosse revelado, ao saber das restrições legais impostas aos estrangeiros. O Comitê de Solidariedade é uma coalizão com um total de 30 grupos participantes, entre os quais o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), PC do B, PSTU, além de sindicatos e ONGs. O comitê tem também uma base no Rio de Janeiro, onde palestras sobre o tema já foram organizadas nas favelas da Rocinha, de Vilar Carioca e do Morro Dona Marta. Segundo o coordenador do comitê carioca, Roberto Magalhães, de 31 anos, esses encontros não contam com a participação de estrangeiros. Em Brasília, Fortaleza, Porto Alegre e Belém outros grupos anti-Plano Colômbia também têm organizado reuniões públicas sobre o tema. Os organizadores afirmam que não recebem colombianos nesses encontros. Em alguns casos, porém, como em Brasília, o líder de um dos grupos disse manter contato regular com membros das Farc. Os militantes brasileiros destes grupos dizem que não têm compromissos com as guerrilhas e apenas partilham posições sobre o plano. O Estado assistiu a uma palestra da colombiana Teresa (que falou à reportagem sob as condições de não ter seu nome revelado e de ser citada apenas como uma militante cristã da Colômbia). A palestra ocorreu no final de março, em uma escola de Osasco. Arranhando um portunhol, Teresa falou a cerca de 200 alunos sobre a história dos movimentos revolucionários da América Latina, lembrou o herói Simon Bolívar e criticou os "imperialistas" e as "elites" colombianas. Sobre a guerrilha colombiana, disse: "São grupos armados por uma consciência de soberania e libertação nacional." Sobre o plano, acrescentouser um pretexto para a internacionalização da Amazônia. "O que a gente vê é que a maioria das coisas a TV distorce. Na palestra, eles esclareceram que a guerrilha é uma coisa e o tráfico é outra", acredita Renato Factoricanova, de 22 anos, ex-aluno de uma escola estadual de Osasco, que assistiu no ano passado a uma palestra de Tereza. Os EUA acusam as duas guerrilhas de manterem ligação com narcotraficantes. A PF brasileira diz ter provas de que uma das frentes das Farc está ligada ao crime. A opinião de Factoricanova parece estar longe de ser exceção. Segundo Carvalho, cada vez mais professores e alunos têm-se interessado pelas denúncias contra o Plano Colômbia. Alguns, conta ele, já formaram novos comitês. Três deles, embora embrionários, funcionam em Osasco, em Mauá e em São Miguel Paulista. O secretário-adjunto da Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, Hubert Alquéires, afirmou que a lei estadual nº 10.309/99 proíbe que as escolas públicas organizem palestras que possam causar polêmica ou preconceitos sobre temas religiosos, políticos, econômicos e culturais. "Essas palestras desobedecem frontalmente a lei", disse, depois de conversar com os diretores das três escolas. "Não é adequado expor os alunos a um discurso tendencioso, que só leve para um lado", disse. "Não podem entrar nas escolas." Procurados pela secretaria, os diretores das escolas sob sindicância disseram, segundo Alquéires, que haviam sido informados pelos organizadores (o comitê) de que os vistantes falariam sobre o Mercosul e questões ligadas à América Latina, mas acabaram avançando sobre pontos não previstos. Os diretores garantiram também que não sabiam que entre os convidados estaria alguém vinculado à guerrilha. Alquéires enviou há duas semanas um e-mail para os 89 dirigentes de ensino do Estado recomendando cuidado na esolha de palestras. (O Estado de S. Paulo)
A Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), estará realizando a partir de agosto, um projeto social que vai oferecer um cursinho pré-vestibular e de alfabetização de adultos para pessoas carentes. As aulas serão ministradas em São Paulo e em algumas cidades da região, entre elas Itu. O curso é destinado a estudantes cursando ou formados no 2º grau e que não dispõem de recursos financeiros para freqüentar cursinhos tradicionais. As inscrições já estão abertas e podem ser efetivadas de segunda a sexta-feira, das 9h às 22h e aos sábados das 8h às 19h, na secretaria da Fundac - Sala CRP - Escola de Comunicação e Artes-USP (avenida professor Lúcio Martins Rodrigues, 443 - Cidade Universitária). Mais informações podem ser obtidas nos telefones: (11) 3818-4707, 3818-5019, 3818-4483. (Jornal Cruzeiro do Sul)
Por que esse sucesso, se as informações são as mesmas dadas em casa? A professora de psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Elizabeth Brandão, arrisca uma resposta: "É aquela velha história que santo de casa não faz milagre." A psicóloga observa que, nos últimos anos, a tarefa de educar os filhos está-se tornando cada vez mais difícil. Isso é atribuído tanto às características dos pais quanto das crianças. Elizabeth lembra que as relações familiares, sob um aspecto, hoje são mais igualitárias. "As crianças são convidadas a participar, a dar suas opiniões." E, nesse novo modelo, às vezes fica difícil os pais estabelecerem limites. Tanto Lígia quanto Viviane reconhecem que muitos dos ensinamentos fazem parte da tarefa familiar. "A falta de tempo e o desgaste das repreensões levaram os pais a transferir responsabilidade", diz Lígia. Viviane tem avaliação semelhante. "Quem tem filho sabe que eles só aprendem quando o tema é repetido à exaustão." Alguns pais preferem que o pouco tempo com os filhos seja marcado pelo prazer, não pela bronca. A professora de inglês Luiza Regina Zierhofer, de 45 anos, é um exemplo. Ela admite que sentiu grande alívio quando matriculou as duas filhas no curso de etiqueta dado por Lígia. A professora conta que Jéssica, de 11 anos, e Natasha, de 9, não tinham boa noção de comportamento à mesa. "Em casa, é tudo tão corrido que, quando elas cometiam algum deslize, eu fazia de conta que não tinha visto. No restaurante, não é a hora certa." As duas meninas gostaram da idéia. "Minha mãe não tem tempo de me ensinar." Natasha também gostou. "Agora sei como segurar o garfo e que não devo pôr o cotovelo na mesa." O investimento foi alto: R$ 350,00 por filha. O preço inclui um almoço num restaurante de hotel cinco-estrelas e uma manhã no cabeleireiro, onde as meninas aprendem a usar maquiagem. Além dos cursos, as informações hoje estão em livros. Entre eles está Não Fale de Boca Cheia e Outras Dicas de Etiqueta para Crianças, de Suzana Doblinski e Albertina Costa Ruiz, da Editora Mundo Cristão. Lançado em fevereiro, o livro já está na segunda edição. "O mais importante é ter bom senso, mas, mesmo para isso, é preciso que a criança tenha noções básicas", afirma Albertina. A professora de história Ana Cristina Figueiredo, de 37 anos, mãe de Carolina, de 7, e Thiago, de 3, acha que a educação dos filhos ainda é função dos pais. Mas ela compraria o livro para ajudar nessa tarefa. "Seria bom para reforçar as orientações que dou em casa." A psicóloga Ana Cristina Monterio Fernandes, de 38 anos, também não pensa em matricular seus filhos em cursos de etiqueta. "Acho um exagero. As crianças atualmente já estão sobrecarregadas com atividades extra-curriculares." Ela argumenta ainda que os ensinamentos dados em aulas de etiqueta estão muito relacionados ao dia-a-dia. Seus filhos Fernando, de 6 anos, e Martina, de 4, aprendem com exemplos dos pais e com pequenas orientações. "Não há nada de extraordinário em ensinar o filho como segurar um garfo, não apontar para outra pessoa ou falar baixo. Educar é uma das funções dos pais e não me sentiria à vontade em abrir mão desse papel." (O Estado de S. Paulo)
O sucesso dos cursos de etiqueta para crianças é visto por especialistas como um sintoma da desorientação dos pais. Excessivamente preocupados com o desempenho profissional e com a estabilidade financeira, muitos adultos, sem perceber, deixam de lado seu papel de orientadores. "A função de educador é essencial e tem de ser desempenhada pelos pais", afirma a psicóloga Heloísa Marton, especialista em relação entre pais e filhos. A professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Lisandre Castello Branco, concorda. Ela acredita que o antigo modelo de família, patriarcal, com funções previamente definidas, deu lugar a uma nova estrutura, mais democrática. "Com a mudança, a tarefa de educar e orientar os filhos foi pouco a pouco sendo delegada a outros profissionais: professores, psicopedagogos, instrutor de esportes e professores de idiomas." Sem tempo disponível e com o intuito de preencher as horas vagas dos filhos, o que se formou, na avaliação de Lisandre, foi um grande distanciamento. "Hoje há um desencontro. Tarefas básicas, que só são possíveis quando há algum tempo de contato, hoje não são mais cumpridas pelos pais." Para Heloísa, a máxima de que o que importa é a qualidade do tempo de convivência e não a quantidade, precisa ser revista. "Para sabermos das dificuldades das crianças, suas apreensões e necessidades é preciso o mínimo de tempo de convivência. Elas não podem ser programadas para dizer tudo em 20 minutos." O medo de tornar o pouco tempo de convívio em algo desagradável também é questionado. A professora de psicologia Silvana Rabelo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, lembra que as críticas e os limites não precisam, necessariamente, vir acompanhados de conflito. "Talvez o sucesso dos cursos de etiqueta esteja justamente aí. Eles fazem com que as orientações sejam dadas de forma agradável. Isso é possível, mas é preciso que os pais estejam dispostos e sensíveis." Para a psicóloga Elizabeth Brandão, outro aspecto importante é avaliar as razões que fazem as crianças, sistematicamente, desrespeitarem o que é dito por parentes. "Muitas vezes, é a forma que os filhos encontram para expressar seu descontentamento com a relação." Embora seja uma tarefa cada dia mais difícil, especialistas são unânimes em afirmar a importância de os pais fixarem limites em casa. "Os filhos precisam saber até onde podem ir. Essas regras, ao contrário do que possa parecer, trazem para crianças e jovens uma grande sensação de segurança." E o exemplo dos pais, diz Silvana, é sempre muito mais importante do que qualquer outra referência. "Há famílias que atribuem a falta de educação dos filhos à convivência com a empregada, à avó ou a outros parentes", afirma. "É uma posição cômoda. Aos pais também cabe selecionar por quem a criança será cuidada nos momentos de ausência. Se a empregada não age de forma adequada, por que não procurar outro profissional ou orientá-la a não se comportar daquela maneira?" A psicóloga Maria das Graças Palmegiane tem opinião semelhante. "O exemplo que mais importa é o dos pais. Eles são a referência e isso nunca vai mudar." Lisandre lembra que, no aprendizado, é muito importante haver o comprometimento emocional. "Não há nada pior do que tentar transformar tudo em orientações de manual." Recebidas de maneira impessoal, muitas das informações acabam sendo ignoradas mais tarde. "Os cursos podem ser ótimos para trazer noções de etiqueta para criança. Mas nunca devem ser usados como um substituto da função familiar. Pais devem lembrar-se que limites e, muitas vezes, os conflitos, fazem parte de qualquer relação. Ao evitar essas situações, o máximo que conseguem é uma relação familiar fria, distante e artificial", completa Elizabeth. (O Estado de S. Paulo) |
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