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O Teorema cursinho pré-vestibular está oferecendo vagas para estudantes de baixa renda. Os alunos pagam no máximo R$ 49 e têm um plantão de dúvidas a disposição. Leia mais.
O Teorema está inovando quando o assunto é a preparação para o vestibular. Com metodologia simples, baseada em experiências bem sucedidas de países da Europa e América do Norte, a escola ministra aulas teóricas e práticas para estudantes de baixa renda divididas em dois blocos. O primeiro é composto de aulas teóricas, ministrado às segundas e quartas-feiras e o segundo, somente de aulas práticas voltado à resolução de exercícios, de quinta a sábado, sob a orientação de professores. "Esse método permite aos estudantes que trabalham durante o dia, ou que têm pouca base de formação no segundo grau, concorrer às vagas das melhores faculdades em igualdade de condições com os mais privilegiados", afirma o coordenador do curso, Hamilton Aragão. Os alunos que quiserem estudar à noite pagarão mensalidade de R$ 39 e os que preferirem o período da manhã pagarão R$ 49. O cursinho oferece plantão de dúvidas diário, das 8h às 22h, e conta com o apoio de psicólogas para dar. O curso Teorema fica na Avenida Amador Bueno da Veiga, 1.380, próximo ao metrô Vila Matilde. Informações pelo telefone: (11) 6098-3521. (Diário de S. Paulo - 24/02/03)
Os estudantes que estão concluindo o ensino médio em escolas públicas e os concluintes carentes de escolas privadas vão contar com a gratuidade da taxa de inscrição, de R$ 32,00. Também terão direito à isenção aqueles que concluíram esse nível de ensino na modalidade de jovens e adultos (supletivo) entre abril de 2002 e abril de 2003 e os que já terminaram o ensino médio mediante declaração de carência. A prova será realizada no dia 31 de agosto em 605 municípios, incluindo todas as capitais. O Enem é um exame voluntário, que oferece uma referência para auto-avaliação e serve como modalidade alternativa ou complementar aos processos seletivos para ingresso no ensino superior. Atualmente, 412 instituições de ensino superior já utilizam os resultados da avaliação em seus vestibulares. Os alunos que estão concluindo o ensino médio devem se inscrever na sua própria escola. Para os estudantes da rede pública, todo o processo será realizado no estabelecimento de ensino, assim como para os alunos carentes de escolas privadas. Já os demais concluintes de instituições particulares deverão preencher a ficha de inscrição na escola e pagar a taxa de inscrição em qualquer agência dos Correios. Todo o processo de inscrição para aqueles que já terminaram o ensino médio, mesmo os que têm direito à isenção da taxa, será nos Correios. Eles também poderão, no caso dos pagantes, utilizar a Internet para efetuar a inscrição. Mais informações estão disponíveis no endereço: http://www.inep.gov.br/basica/enem. (Agência Ponto Edu - 24/02/03) O Brasil das ruas é, em grande parte, negro ou pardo. O Brasil das universidades é quase que integralmente branco. É um dos resultados mais visíveis e vergonhosos do apartheid social que ainda vitima os descendentes de escravos africanos. Para tentar reverter esse quadro de injustiça, foi estabelecido recentemente em algumas universidades do país o regime de cotas. Por esse sistema, fica reservado a estudantes negros e pardos um determinado número de vagas. Alunos provenientes de escolas públicas, teoricamente mais pobres do que os de escolas particulares, também foram contemplados com essa garantia. Uma das instituições que adotaram as cotas foi a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), por força de leis aprovadas pela Assembléia Legislativa fluminense. No vestibular deste ano, reservaram-se 40% das vagas para candidatos negros. Outra cota, de 50%, foi destinada aos da rede pública. A princípio, os dois critérios não deveriam somar-se. Mas, quando foram divulgados os resultados dos exames, confirmou-se a previsão feita pelos críticos do sistema: houve uma certa superposição de ambos, o que fez com que 57% dos aprovados no vestibular da Uerj entrassem pelo sistema de cotas. Em alguns cursos, como o de medicina, um dos mais disputados, esse número atingiu 76%. A superposição ocorreu porque, entre os aprovados provenientes de escolas públicas, não havia negros suficientes para atingir a cota de 40%. A fim de preenchê-la, a universidade foi buscar na lista de candidatos, por ordem de classificação, os negros que haviam ficado de fora. Desse modo, acabaram
entrando na Uerj candidatos com notas bem aquém da linha de corte
dos diferentes cursos. E, conseqüentemente, foram reprovados estudantes
que, sem pertencer a nenhuma cota, obtiveram uma pontuação
magnífica no vestibular. Até o fim da semana passada, três
liminares já haviam sido concedidas pela Justiça, obrigando
a universidade a aceitar a matrícula de alunos prejudicados. É louvável que se procure minorar os estragos causados por séculos de racismo e discriminação. Mas as cotas do jeito que foram estipuladas no Rio não são a melhor forma de fazer isso. Na verdade, trata-se de um regime que cria uma nova forma de discriminação - a discriminação contra o mérito. Nos Estados Unidos, o primeiro país a colocar em prática políticas compensatórias para amenizar as desigualdades entre brancos e negros, o sistema de cotas foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte. Não ontem, note-se, mas em 1978. O que existe em muitas instituições universitárias americanas são pontuações que, no processo de admissão (lá não há vestibular), visam a bonificar candidatos que fazem parte de minorias. Dessa forma, compensa-se quem se viu prejudicado pela origem étnica ou social, sem criar vagas cativas. "Venho de uma
família simples, estudei em escola particular com bolsa e em colégio
público. Se tivesse me inscrito como pardo, estaria entre os primeiros
lugares." O imbróglio
das cotas na Uerj teve mais um fermento. Para ser considerado negro ou
pardo, bastava que o candidato se autodeclarasse como tal. Isso proporcionou
uma série de abusos, que vieram à luz depois que saiu a
lista dos aprovados. Um dos casos mais surpreendentes é o de Rachel
Grynszpan, que passou no vestibular para o curso de medicina. Judia de
origem polonesa, na hora de inscrever-se no vestibular da Uerj, ela resolveu
incluir-se entre negros e pardos. Para tirar proveito do regime de cotas,
vários candidatos brancos recorreram a longínquos antepassados
negros. Ao mesmo tempo, muitos estudantes pardos, ao se declararem brancos,
deixaram de usufruir do benefício que a lei lhes deu. A cota reservada a alunos de escolas públicas também causou distorções na lista de aprovados da Uerj. É uma bobagem imaginar que todos os estudantes de escola particular são privilegiados. A maior parte deles pertence a famílias de classe média baixa, que se esfalfam para manter seus filhos em estabelecimentos de ensino privados. Inúmeros candidatos que se enquadram nesse perfil foram prejudicados. "Só estudei em escola particular porque consegui uma bolsa. É inacreditável que tenha sido reprovado por isso", diz Wagner Alves Pimenta, que conseguiu fazer 91 pontos no vestibular da Uerj, uma marca excelente, e mesmo assim não entrou em medicina. Os especialistas em educação realmente sérios são unânimes em afirmar que a única política compensatória efetiva é o investimento pesado na escola pública. É numa escola pública que proporcione formação sólida que negros, pardos e pobres poderão encontrar a base necessária para ascender profissional e socialmente. O abandono da escola pública perpetua a discriminação e dá margem a iniciativas demagógicas como a que colocou a Universidade do Estado do Rio de Janeiro no noticiário. "Cotas ajudam apenas a mudar a cor na universidade, não a classe social. Os pobres continuarão excluídos", resumiu o ministro da Educação, Cristovam Buarque. (Veja - 24/02/03) |
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