|
||||||||||||||||||||||
|
A Faculdade Trevisan encerra na próxima quarta-feira (26/06) as inscrições para o vestibular do segundo semestre de 2003. Os interessados devem se inscrever na própria instituição. Leia mais:
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) anunciou que irá aplicar no dia 31 de agosto o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2003. Leia mais:
A Faculdade Trevisan está com as inscrições abertas para o vestibular do segundo semestre de 2003 até a próxima quinta-feira, dia 26. (Folha Online - 24/06/03)
O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) anunciou que manterá a data de aplicação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2003, apesar da polêmica em torno da empresa que aplicará a prova. O exame está previsto para ser realizado em 31 de agosto. (UOL Educação - 23/06/03)
Com a parceria, Fiep e MEC vão instituir convênios por setores. O primeiro que está sendo elaborado é o da construção civil, uma área de alta incidência de analfabetismo. A federação já identificou 2,5 milhões de trabalhadores que poderão fazer parte das turmas de alfabetização. A indústria de calçados e a associação de supermercados também mostraram interesse em participar da parceria com a Fiep. (Agência Ponto Edu - 24/06/03) Ao telefone, a professora do ensino fundamental Rosangela Basilli Beraldo Mendes, 41, está tão rouca que fica até difícil entender o que diz. Diferentemente do que se poderia imaginar, porém, a rouquidão não é o subproduto de uma classe indisciplinada, mas de alunos empolgados e participativos, disputando a atenção dela, mesmo numa aula cujo tema (a boa e velha tabuada) é proverbialmente chato. Toda essa empolgação, afirma a professora, se deve ao uso do RPG ("roleplaying game" ou "jogo de interpretação", na sigla inglesa) como forma de motivar as crianças a aprender. Apontado há tempos como um potencial instrumento pedagógico, só agora o jogo parece estar saindo do armário escolar no Brasil. Iniciativas de professores, empresas e organizações não-governamentais, assim como a publicação de RPGs com o propósito declarado de serem usados na sala de aula, estão levando o jogo além das fronteiras às quais se restringia (em geral, o universo dos adolescentes fascinados pela temática medieval e fantástica). Ao mesmo tempo, a técnica ainda precisa enfrentar o fato de ter sido associada à fuga da realidade, à violência e até ao satanismo (leia mais aqui). Para o editor Douglas Quinta Reis, da Devir (principal editora do gênero no Brasil), o jogo já tem, de saída, uma vantagem: toma partido da tendência natural para brincar de faz-de-conta. "A criançada já faz isso naturalmente, eles não têm freio na imaginação", afirma. Em essência, o RPG é uma elaboração coletiva desse tipo de brincadeira e do hábito ancestral de contar histórias. O grupo de jogadores é coordenado por um mestre, que propõe a eles um cenário e uma história na qual as ações do grupo acontecem. Cada jogador, que representa um personagem à sua escolha, é co-autor da história: as decisões que os personagens tomam afetam o rumo da aventura (nome dado à sessão de jogo), que pode ter este ou aquele final dependendo dessas escolhas. Ações em que há um elemento de sorte envolvido, como combates ou manobras arriscadas, são em geral decididas com os dados. O mais comum é que o jogo aconteça em volta de uma mesa, mas há também o estilo "live action" (ação ao vivo, em inglês), mais teatral, com jogadores fantasiados. Não há vencedores nem perdedores: o grupo trabalha em equipe, e os antagonistas são representados apenas pelo mestre. Em princípio, qualquer cenário se presta a uma aventura de RPG, da Grécia de Platão ao universo da saga "Guerra nas Estrelas", passando por uma favela moderna no Brasil. Mesmo assim, a associação com cenários medievais fantásticos (como o do romance "O Senhor dos Anéis") ainda é forte, sendo contrabalançada nos últimos anos por temas góticos (como o do RPG "Vampiro - A Máscara"). O principal obstáculo para que o sistema dê certo na sala de aula, por enquanto, é o próprio desconhecimento da imensa maioria dos professores. Por enquanto, o enfoque educativo do RPG tem se concentrado no ensino de história há versões simplificadas do jogo que abordam as Cruzadas, o quilombo dos Palmares e os bandeirantes. Mas, para seus defensores, a tática é interdisciplinar por natureza. Os alunos da quarta série de Rosangela Mendes, na Escola Municipal D. Pedro 1º, em São Paulo, misturaram ambiente e matemática ao interpretarem arqueiros élficos (inspirados nos elfos de "O Senhor dos Anéis") que tentam proteger a Amazônia. "Eles tinham de encontrar 12 flechas mágicas, que eram a tabuada", conta a professora. Cada aluno cria seu personagem desde o começo do ano e acompanha sua evolução atualizando sua ficha de personagem no caderno, o que ajuda a burilar também o português, segundo ela. "Eu tinha uns 15 alunos que não liam e não escreviam direito", conta Mendes. "O jogo mudou isso. Os pais às vezes não entendem o que é aquilo, mas sabem que o filho está fazendo a lição de casa e está lendo." O professor de educação física Gilsmy Malaquias Boscolo, 30, que introduziu o RPG como atividade suplementar em suas aulas na Escola Estadual Dr. Elias Massud, em Monte Mor (região de Campinas, interior de São Paulo), notou a mesma mudança: "O interesse pela escrita e pela leitura aumentou diretamente por causa do jogo", conta. Hoje em outra escola, Boscolo está incentivando seus colegas a adotarem a prática. Ambiente e cidadania estão entre os temas mais procurados por alunos e professores, diz Marcos Tanaka Riyis, 31, da Jogo de Aprender, uma empresa de Sorocaba (interior de São Paulo) que aplica principalmente os "lives" em escolas particulares e públicas. Para evitar a complicação de personagens demais para poucos mestres, o professor de educação física sugere dividir as classes em grupos de cinco a sete alunos, cada um sob o cuidado de um "submestre", realizando tarefas específicas. "No final, os grupos, que achavam estar competindo entre si, descobrem que só conseguirão seu objetivo se se juntarem, o que enfatiza o aspecto cooperativo", explica. Nos "lives" ambientais, alunos da sétima e da oitava séries precisam recuperar artefatos mágicos (sob a guarda de seres mitológicos brasileiros como o saci-pererê ou o curupira) para derrotar o vilão alienígena Zargon, que quer destruir o ambiente global. Para conseguir os objetos místicos, os alunos realizam uma tarefa cooperativa e respondem a uma pergunta do ser mitológico que encontraram sempre sobre um tema ambiental tratado previamente, como o aquecimento global ou os alimentos transgênicos. Questionários aplicados depois do jogo revelaram que todos os alunos acertavam pelo menos metade das questões sobre o tema tratado contra 67% dos alunos que não participaram do jogo. "É preciso ter em mente que o RPG não é um título, é uma forma de narrativa", diz o educador e escritor Carlos Klimick, 34, um dos criadores de "Desafio dos Bandeirantes", o primeiro RPG com temática brasileira. Klimick está usando o jogo com deficientes auditivos de seis a oito anos de idade no Ines (Instituto Nacional de Ensino de Surdos), no Rio de Janeiro, além de ter o RPG como tema em seu projeto de mestrado em design de jogos educativos na PUC-RJ. Klimick diz preferir a aplicação do RPG fora da sala de aula, mas considera que a transmissão de conteúdos difíceis pode ser facilitada pela dinâmica do jogo. "Um aluno me disse uma vez que só conseguiu entender o que era um mecenas [os patrocinadores endinheirados dos artistas da Renascença] interpretando um artista do Renascimento e tendo de procurar um", conta. Reis afirma ser possível transmitir conceitos de qualquer disciplina com criatividade. "O jogo no qual estamos trabalhando agora tem como tema Líbero Badaró [jornalista e ativista político cujo assassinato ajudou a derrubar D. Pedro 1º]", diz. "Pouca gente sabe, mas ele veio ao Brasil para estudar ervas medicinais. A idéia é que ele teria achado uma cura para a varíola, que ficou perdida e é redescoberta pelos jogadores nos dias de hoje." De uma tacada só, seria possível trabalhar história do Brasil, biologia e até geopolítica, já que a varíola está na lista dos patógenos que poderiam ser usados por bioterroristas. "O importante é não cair na obviedade", ensina Maria do Carmo Zanini, da ONG Ludus Culturalis, que procura promover o RPG como ferramenta educativa. "Não dá para o professor dizer: 'Vocês são um grupo de cavaleiros, bruxos etc. que entra num labirinto. Lá vocês encontram uma esfinge, que só vai deixar vocês passarem se responderem um enigma. O enigma é: sabendo que 2x+5 = 10, qual o valor de x?'", brinca. Criatividade do professor e dos alunos é sempre indispensável. (Folha de S. Paulo - 24/06/03) Era para ser um dia como outro qualquer. O carioca A.E. acordou cedo e iniciou sua rotina matinal. Vestiu-se para ir à escola, tomou café e despediu-se da avó, com quem morava na zona sul do Rio de Janeiro. Ao sair, checou se o cigarro de maconha que costumava esconder na mochila estava lá. Antes de ir para a sala de aula de um dos colégios religiosos mais tradicionais da cidade, foi ao banheiro. Ali, deixou o baseado cair. Foi denunciado e expulso. O episódio ocorreu há três anos, quando A.E. tinha 12 anos. Hoje, ele faz parte de uma dupla estatística, ambas alarmantes. É um dos 92 mil jovens que fazem uso regular de drogas e um dos cerca de um milhão de estudantes brasileiros que admitem a existência de entorpecentes nas escolas. Os números estão no recente levantamento da Unesco, que mostra em detalhes estarrecedores essa triste realidade apresentada na pesquisa Drogas nas Escolas. Foram recolhidas informações de 50.049 alunos da 5ª à 8ª série e do ensino médio de 14 capitais. Num total de 9.270 colégios públicos e privados, a pesquisa usou uma técnica conhecida como probabilística, o que permitiu aos pesquisadores projetar o universo originalmente pesquisado para 3,7 milhões de alunos. Foram ouvidos ainda 3.099 professores e 10.225 pais de alunos. Com mais de 700 horas de entrevistas, o estudo gerou um calhamaço de 500 páginas e é o primeiro trabalho dessa natureza feito pela Unesco na América Latina. "Ilusão pensar que é o traficante quem oferece drogas nas escolas. São os próprios amigos do colégio que fazem esse papel", analisa uma das coordenadoras da pesquisa, a socióloga carioca Mary Castro. Foi exatamente isso
o que aconteceu com A.E. Um colega da escola Não é
incomum que o uso de drogas gere distúrbios de comportamento como
o de A.E.: 92% dos alunos pesquisados afirmaram já ter cometido
algum tipo de transgressão. Tirando uma média das 14 capitais pesquisadas, concluiu-se que cerca de 92 mil alunos, de ambos os sexos, fumam maconha. Muitos dos usuários de hoje tiveram seu primeiro contato com os entorpecentes na sala de aula. A paulista A.P.O. fumou pela primeira vez aos 12 anos; um ano depois, usou cocaína e aos 14 anos já estava dependente. "Parei de estudar, já que era na escola que sempre voltava a usar drogas", lembra ela, hoje com 24 anos. Porto Alegre lidera o ranking do consumo de drogas. Enquanto o consumo médio nacional de maconha é de 2%, na capital gaúcha é de 4,7%. Esses jovens são também os maiores consumidores de cocaína e inalantes. Só perdem para Brasília quando o assunto é merla (uma espécie de pasta de cocaína misturada a querosene e gasolina). Em relação às drogas injetáveis, os estudantes gaúchos seguem a média nacional. "Demorei a aceitar essa realidade", admite o psicanalista gaúcho José Outeiral. Autor de uma dezena de livros sobre o tema, o médico tenta explicar o fenômeno no sul do País. Seria o alto poder aquisitivo local e a proximidade das fronteiras. "Costumo dizer que a droga se matriculou na escola." Não importa a classe ou o sexo. A droga vem se aproximando mesmo da infância. Num passado recente, o jovem debutava no mundo das drogas aos 14 anos; hoje, aos 11 anos. Isso não significa que todos esses jovens evoluam para a dependência, assim como nem todo adolescente que usa drogas está envolvido com o tráfico. "Os mais vulneráveis são aqueles oriundos de famílias cujos limites não são claros", analisa o psicanalista carioca Luiz Alberto Pinheiro de Freitas. A ausência do "não" na vida desses jovens cria uma espécie de ideal maníaco pela felicidade eterna e ininterrupta. A Unesco confirma esse diagnóstico: 63,7% dos alunos ouvidos pela pesquisa responderam que usam drogas para anestesiar as dificuldades. "Acho ridículo minha mãe me chamar de maconheira. Meu pai é alcóolatra. Se ele pode, por que eu não posso?", questiona a jovem T.H., 15 anos. "Fumo baseado desde os 12 anos. Já cheirei lança-perfume, mas não sou dependente." Segundo a pesquisa da Unesco, o consumo de drogas entre as meninas é 30% inferior ao dos meninos estudantes. A exceção fica por conta de Belém lá o consumo de drogas entre meninos e meninas é igual. Além de problemas familiares, o modismo e a necessidade de auto-afirmação são apontados pelos jovens como motivações importantes para iniciarem-se nas drogas. No caso de T.H., o uso regular das drogas já está interferindo na vida escolar. Aluna de uma escola pública do Rio, ela sempre tirou boas notas. Mas, desde que passou a fumar diariamente, seu rendimento escolar despencou. Ela não associa as notas baixas ao uso regular de drogas. "É uma
fase da minha vida. Era boa aluna, hoje não sou mais." Segundo "As drogas, sobretudo a maconha, provocam prejuízo cognitivo. Elas atuam no lobo frontal", comenta o médico Jorge Jaber, dono de uma clínica de recuperação de dependentes químicos. Cerca de 30% dos seus pacientes são meninos e meninas menores de 18 anos. Por terem ainda o sistema nervoso imaturo, as drogas nessa faixa etária podem causar danos irreparáveis. Só que, ao contrário do que se pensa, não é a maconha a porta de entrada para o mundo das drogas ilícitas, mas o álcool e o cigarro. L.S., por exemplo, é a personificação dos números da Unesco. Ele iniciou nas drogas pelo álcool. Hoje, aos 18 anos, ele já repetiu de ano algumas vezes e cursa a 8ª série. As agressões passaram a fazer parte de sua vida quando começou a fumar maconha diariamente. Já agrediu a mãe e costuma roubar: "Meus alvos preferidos são velhinhas indefesas." As escolas públicas, sobretudo as localizadas em áreas de risco, são as que sofrem a maior pressão do poder coercitivo dos traficantes. "Até a Igreja e os postos de saúde estão sendo obrigados a abandonar esses locais", comenta a diretora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Maria Thereza de Aquino. Em muitas dessas escolas impera mesmo é a lei do silêncio, que vem acompanhada do medo e da ameaça, o que demonstra as tênues fronteiras entre a droga e a violência nas escolas. "O assunto drogas dentro da sala de aula é praticamente um tema proibido. Temos que falar sobre ele com muito cuidado", admite uma professora de um Ciep da zona norte do Rio, localizado numa área conflagrada e dominada pelo tráfico. (IstoÉ - 25/06/03) |
|
||||||||||||||||||||