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Estudantes do ensino médio escrevem livro que relata os problemas de Santos (SP) sob a ótica jovem. Os alunos entraram em contato com diversas realidades e, segundo a coordenadora, produziram um dos relatos mais completos sobre a cidade. Leia mais. Comentário de secretária da Educação deixa mães indignadas Mães revoltam-se ao ouvir a secretária de Educação, Rose Neubauer, relacionar a baixa qualidade do ensino público com o aumento de crianças de classe baixa na rede. Leia mais.
Analisar os problemas das grandes cidades sob a ótica do jovem é um dos principais objetivos do livro Vozes de Santos. Durante um ano, dez alunos do ensino médio do Colégio Santa Cecília, em Santos (SP), entraram em contato com realidades bem diferentes das suas para produzir um livro. "A princípio o trabalho seria uma discussão dos temas do livro Cidadão de Papel, do jornalista Gilberto Dimenstein. Porém, com o passar do tempo montamos talvez um dos maiores bancos de informação da cidade", conta Jauranice Rodrigues Cavalcante, coordenadora do projeto. O livro trata de diversos temas que pertencem, diretamente, ao cotidiano de Santos e de muitas outras cidades. Os alunos visitaram instituições que trabalham com meninos em situação de rua, dependentes químicos, aidéticos, e assim construíram uma análise tanto da realidade vivida pelos diversos grupos quanto de suas próprias impressões. Muitos deles, segundo Jauranice, mudaram de atitude frente aos temas trabalhados durante todo o projeto. "Uns ficaram mais tolerantes, outros mais atentos. Mas a principal mudança foi a quebra de estereótipos e o fim de análises maniqueístas." Luciana Rodrigues de Oliveira, uma das alunas envolvidas, conta que a melhor parte foi descobrir que a aprendizagem não se dá, apenas, pela educação formal oferecida pelas escolas. "Foi legal fazer algo totalmente diferente do que é a escola", diz. O lançamento do Vozes de Santos acontecerá no dia 30 de novembro, às 19 horas, na Chancelaria da Universidade Santa Cecília, em Santos. (Hellen Santos)
Um grupo de mães de alunos da rede estadual de São Paulo pretende ingressar com pedido de ação no Ministério Público contra a secretária de Estado da Educação, Rose Neubauer. Elas estão indignadas com o fato de a secretária ter atribuído a queda do desempenho dos alunos no Sistema de Avalição da Educação Básica (Saeb) à "enorme quantidade de crianças incluídas na escola pública" - ou seja, crianças das classes mais baixas voltando às salas de aula. A pontuação média nacional em língua portuguesa e matemática caiu entre 2% e 8% na comparação de 1999 com 1997. A expectativa de Rose e de outros educadores é a de que a queda seja temporária e o processo seja revertido em alguns anos, por meio de políticas de melhoria da qualidade. "A secretária está culpando as crianças pela baixa qualidade do ensino", diz Elisa Toneto de Carvalho, representante do movimento Pró-Educação. "Ela atinge a auto-estima das crianças", completa. A presidente do Núcleo de Apoio a Pais e Alunos (Napa), Cremilda Estela Teixeira, atribui à escola a responsabilidade pelo fracasso dos alunos. "Os professores não querem lidar com esse tipo de aluno, que acaba sendo discriminado", diz. A discriminação não se restringe ao cotidiano da sala de aula, na opinião da presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, Maria Lúcia Prandi (PT). "Esses meninos não sairão da escola em condições de conseguir um lugar no mercado de trabalho", diz a deputada. "Estão condenados ao subemprego, o que é uma forma de exclusão tão cruel quanto ficar fora da escola." A secretária Rose Neubauer esclarece que não teve a intenção de dizer que as crianças pobres prejudicam a qualidade de ensino, nem que elas não têm condição de aprender. "Muitas vezes, as crianças pobres têm habilidades que as ricas de classe média não possuem, como atravessar a rua sozinha, atender a porta", afirma. O que falta a elas é uma "experiência acadêmica" por pertencerem a classes econômico-sociais desfavorecidas. "Diversas pesquisas mostram que falta estímulo em casa." Mas, em dois ou três anos de convivência no ambiente escolar, essas crianças se recuperam, conclui Rose. (O Estado de S. Paulo) |
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