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Estudo realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais)comprovou que no ensino fundamental e no ensino médio não há professores suficiente para atender todo o Brasil. Leia mais:
Os educadores brasileiros ainda não aprenderam a lidar com o descompasso entre ensino e avaliação que vem se instalando nas salas de aula. Leia mais:
A exemplo do que aconteceu no setor de energia elétrica, o país está se arriscando a viver um não menos traumático apagão em uma área vital para o futuro brasileiro: a educação. Um estudo realizado pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) projeta a falta de aproximadamente 250 mil professores da quinta à oitava série do ensino fundamental e de todo o ensino médio no Brasil uma realidade que só tende a se agravar, com o crescente aumento de matrículas nessas etapas escolares. De acordo com os dados do Inep, para atender ao número de alunos hoje existentes na rede pública que corresponde a 90% do número total de matrículas, são necessários 235 mil professores no ensino médio e 476 mil nas turmas da quinta à oitava série. Nos últimos 12 anos, no entanto, formaram-se em cursos de licenciatura 457 mil professores. O problema atinge mais intensamente as áreas de ciências e matemática, mas também já é preocupante na de geografia, por exemplo. Em física, conforme o Inep, o número de alunos indica que deveria haver 23,5 mil professores apenas para as classes do ensino médio. Nos últimos 12 anos, formaram-se apenas 7.200 professores na área. "As projeções não são completamente precisas, pois faltam informações atualizadas e completas nessa área", ressalva José Marcelino de Rezende, diretor de tratamento e disseminação de informações do Inep. Para ter subsídios concretos para enfrentar o problema, que pode ser mais grave, o Inep está anunciando para este ano a realização de um Censo do Professor ainda mais detalhado que o anterior, de 1997. Para chegar à projeção atual, os pesquisadores levaram em conta condições ideais de trabalho, ou seja, sem sobrecarga de horários, e consideraram os profissionais formados nos últimos 12 anos. Partiram, também, da premissa de que todos os estudantes formados efetivamente seguiram carreira docente, o que cada vez menos é verdade. "Há duas explicações principais para a falta de professores", afirma Rose Neubauer, do Conselho Nacional da Educação. Em primeiro lugar, há o explosivo crescimento do ensino médio. Apenas em São Paulo, as matrículas saltaram de 545,3 mil, em 1985, para 1,7 milhão, em 2002. Em segundo lugar, outros mercados de trabalho vêm atraindo os formados. A difusão tecnológica e a sofisticação do mercado financeiro vêm recrutando, com maiores salários e melhores perspectivas de carreira, por exemplo, os estudantes recém-saídos dos cursos de graduação nas áreas de ciências e matemática. Foi o que tirou das salas de aula a consultora da IBM Elaine Aparecida de Jesus, 42. Elaine se formou técnica em química, graduou-se e fez pós-graduação em matemática. Começou dando aulas, mas trocou a escola pela empresa assim que recebeu uma proposta de trabalho. "Eu gostava muito de dar aula, e essa era minha opção, mas o salário não compensa, e acabamos desistindo", conta. "Não me lembro de nenhum colega de faculdade que ainda hoje dê aulas. Não encontramos as portas abertas para isso", diz. O problema chegou a tal ponto que, em 1999, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo realizou um concurso de professores para o qual havia, na área de física, mais vagas do que candidatos. Na área de matemática, o número de aprovados foi insuficiente para as vagas existentes. De lá para cá, segundo a coordenadora Sonia Maria Silva, da Cenp (Coordenadoria de Normas Pedagógicas da Secretaria), o problema vem sendo solucionado com a realização de novos concursos. Hoje, em São Paulo, há 2.300 professores sem licenciatura dando aulas na rede pública na área de ciências, o que representa cerca de 3,7% do total. Em química, no entanto, quase 10% dos 5.700 professores são profissionais de nível superior sem formação pedagógica ou estudantes que ainda não terminaram a graduação. Foi assim que o professor Cleber Faustino dos Santos, 24, começou a trabalhar na rede pública. "Tão logo passei no vestibular de matemática, comecei a dar aulas", conta. Sua formação o habilitou para ensinar matemática e física. Hoje, aguarda o próximo concurso público, enquanto trabalha em três escolas da rede estadual. Formado na Fundação Santo André, Santos viu metade de seus amigos dedicarem-se a outras atividades, mas ele ainda não pensa em mudar de idéia. Idealista, desenvolve vários projetos. "Meu objetivo é trabalhar com a formação de professores, e não posso perder de vista a sala de aula", explica. A pouca oferta de professores, especialmente nas ciências, atinge muitos países e, embora seja mais sentido na rede pública, afeta também o ensino privado. De acordo com o secretário de Educação Média e Tecnológica, Antônio Ibañez Ruiz, o Reino Unido chega a importar professores da Austrália e da Nova Zelândia. Nos Estados Unidos, em 2000, o Senado aprovou uma proposta para incentivar o retorno de professores aposentados na área de física para as salas de aula. Mas, como na questão do apagão, o problema da falta de professores não está na imprevisibilidade, e sim no planejamento. No Brasil, segundo os especialistas, ainda se fez pouco para acelerar a formação de professores e prevenir um colapso que, para alguns, é iminente. Um estudo recente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) alerta para a urgência do desafio, indicando que metade dos professores brasileiros que estão trabalhando tem entre 40 e 59 anos e caminha para a aposentadoria. Para Ibañez, que estuda medidas emergenciais, a questão passa pela motivação do professor, o que significa a melhoria das condições de trabalho. Segundo dados da CNTE, o salário médio do professor no país situa-se na faixa de R$ 500 a R$ 700 por mês. É por esse motivo que os colegas do químico Edson Izidro dos Anjos, 28, formado pela Universidade de São Paulo, estranharam quando ele disse que queria ser professor. Formado em 1997, viu todos os seus amigos encaminharem-se para a indústria ou ficarem como pesquisadores na universidade. Ele, no entanto, deu aulas em escolas estaduais logo no primeiro ano de faculdade e gostou da experiência. "Infelizmente, as pessoas fazem idéia de que só há descaso na área da educação, mas me sinto um privilegiado", diz. Especialistas na área apontam outras opções para estimular o interesse pela carreira de professor, como a simplificação dos procedimentos de qualificação profissional cursos de nível superior de duração mais curta, educação a distância e flexibilização da formação são bons exemplos. O economista Cláudio de Moura Castro, ex-diretor da área de educação do Banco Mundial, encontrou soluções semelhantes em outras partes do mundo e acredita na flexibilização. "Quem faz engenharia está mais do que habilitado para ensinar física", diz. Nos últimos anos, o Brasil esboçou passos, que ainda não se consolidaram, na qualificação dos professores. Uma das principais iniciativas tomadas foi a criação dos Institutos Superiores de Educação, especialmente destinados à formação dos professores, com flexibilidade curricular. Para a pesquisadora Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, é preciso repensar os cursos de licenciatura, principalmente na área de ciências. "O acesso é difícil, o aluno passa pelos vestibulares, mas será que depois valerá a pena?", pergunta. "Só vale se for em escolas particulares top", responde o biólogo Humberto Luís Tommaro, 30, professor de ciências do colégio Oswald de Andrade-Caravelas, em São Paulo, que pensa em dividir seu tempo dedicando-se a um mestrado em educação ambiental. O excessivo número de aulas que precisaria dar em diferentes escolas o fez desistir de continuar na rede pública. (Sinapse - 27/05/03) Os educadores brasileiros ainda não aprenderam a lidar com o descompasso entre ensino e avaliação que vem se instalando nas salas de aula. No ensino, conceitos modernos de pedagogia, baseados em competências e habilidades, são incorporados ao discurso e à prática das escolas. Na avaliação, porém, ainda impera o modelo desenvolvido pelos jesuítas no século 16. Embora haja divergências sobre o que fazer em relação ao problema, o diagnóstico do desajuste é endossado por muitos professores. Cipriano Carlos Luckesi, 60, da Universidade Federal da Bahia e estudioso do assunto, é um dos que identificam a falta de sintonia entre os dois momentos do aprendizado. "Apesar de estarmos no século 21, as escolas não conseguiram superar o modelo de exame de alguns séculos atrás", diz Luckesi. "Num documento de 1599 o 'Ratio Studiorum', os jesuítas descrevem desde a forma em que dispomos os alunos em classe na prova, distantes um dos outros para evitar a cola, até o tempo predeterminado para responder às questões", afirma. Desde então, as mudanças foram poucas e pequenas. No século passado, na década de 30, o educador americano Ralph Tyler (1902-1994) desenvolveu um sistema que previa a realização de outro exame para dar nova oportunidade àqueles com desempenho insatisfatório. "Mas mesmo esse processo foi fragilizado no dia-a-dia das escolas", diz Luckesi. "O que o aluno tem documentado em boletins que serão referências eternas de sua vida escolar é uma média de dois ou mais exames, o que não quer dizer absolutamente nada." O raciocínio do educador é simples como uma operação aritmética básica. Um aluno que tenha tirado nota dois, por exemplo, volta aos livros e faz novo exame. Se tirar dez, sua média será seis, o que não reflete nem o mau resultado do passado nem o bom desempenho do presente. Para Luckesi, as condições de ensino são uma das maiores barreiras à renovação do processo de avaliação. "Não dá para um professor acompanhar o desenvolvimento de cada aluno em classes de, no mínimo, 30 crianças, mesmo que ele ganhe bem e tenha sido bem preparado." Até em escolas particulares de maior prestígio, nas quais há investimento em atualização pedagógica, não se abre mão da avaliação formal. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, diretor-geral de ensino do Santa Cruz, em São Paulo, afirma que o colégio insiste em avaliar a retenção do conhecimento, seja por meio da observação cotidiana do aluno, seja por meio de provas formais, com conceitos que variam de A a E. "Há uma exigência de aprendizado de um mínimo do conteúdo transmitido nas aulas", afirma. A preocupação de Magalhães é compartilhada por vários de seus pares. "Tem de haver uma avaliação mais formal para que haja uma sistematização do ensino, senão a coisa se perde", diz Paulo Henrique Camargo Rinaldi, 49, diretor-geral do Colégio Rio Branco, também na capital paulista. "Não dá para descartar o tradicional se não existe o ideal", afirma Cinília Gisondi Omaki, professora de história e subcoordenadora do projeto Cidadania do Colégio Bandeirantes. Ela não acredita que os novos métodos pedagógicos contemplem uma forma competente de avaliar o aluno. Ex-(bons)alunos admitem o descasamento entre o aprendizado real e a avaliação formal. O clínico-geral Rodolfo de Farias Gomes, 45, que sempre ostentou notas excelentes no boletim escolar e esteve entre os 50 primeiros colocados no vestibular da antiga Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp), não se considera um profissional feliz com sua carreira. "Era péssimo aluno, mas sempre consegui decorar fórmulas, nomes de autores e teorias com facilidade, por isso sempre me dei muito bem em provas", diz. Escalado para inúmeros plantões em hospitais da cidade, Gomes vem garantindo seu sustento. "Mas não consegui dar uma forma à minha carreira. O modelo de avaliação da escola acabou reforçando meu lado competitivo e, hoje, tenho muita dificuldade em trabalhar em equipe e desenvolver relacionamentos de trabalho sadios", afirma o médico. Attico Chassot, 63, professor do programa de pós-graduação e pedagogia da Unisinos (RS), também se ressente do tipo de informação que um arcaico sistema de avaliação ajudou a fixar em sua mente. Mas não perde o humor. Diz usar até hoje a tabela dos números primos maiores de cem ou alguma taxinomia da botânica para chamar o sono. "Eu e a maioria dos estudantes aprendemos um grande número de fórmulas e tabelas que não servem nem servirão para nada." Chassot, no entanto, percebe um princípio de evolução. Ele vê em escolas de hoje uma tendência em avaliar como o aluno trabalha com a informação em vez de se fixar na quantidade de conhecimento acumulado. "Mas isso ainda é uma exceção. Nossa estrutura de ensino continua baseada na suposição de que o professor deve transferir conhecimentos aos alunos e aferir que quantidade desses conhecimentos os alunos adquiriram", diz ele. "Isso é obsoleto", concorda Eduardo Chaves, 60, professor da Faculdade de Educação da Unicamp. "O mercado de trabalho vai exigir desse aluno, futuramente, que ele prove que sabe trabalhar com o que aprendeu na escola e não se ele sabe este ou aquele teorema", diz. A situação esquizofrênica do ensino, oscilando entre o moderno e o tradicional, é detectada pela educadora Regina Mendes Zaidan, 47. "Estou o tempo todo em contato com os educadores das escolas de ponta de São Paulo e percebo que todos têm grande preocupação em desenvolver habilidades e competências em seus alunos, mas, na hora do vamos ver, ainda contam as lógicas matemáticas e linguísticas, medidas em exames com data marcada e em salas fechadas", diz ela. O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o vestibular ainda são, segundo Zaidan, o maior foco das escolas. "Preocupados em manter a clientela, o ensino médio das escolas é totalmente voltado para o vestibular, e as instituições de ensino ainda são locais de pressão para o aluno, com inúmeros livros para ler e aulas expositivas", afirma. O vestibular, maior símbolo da avaliação massificada, é alvo de duras críticas. Por estar no topo da educação pré-universitária, suas exigências acabam determinando, e distorcendo, todo o processo de aprendizado até então. É comum, até mesmo no nível fundamental, o ensino voltado para fazer o aluno passar no vestibular. Uma enquete realizada neste mês pela versão eletrônica do Sinapse mostra que, na avaliação da maioria, o vestibular seria reprovado. Quase três quartos (74%) dos que responderam à enquete que não tem metodologia de pesquisa disseram que o exame é ineficiente por não avaliar o processo de raciocínio. Há também os que acreditam (17%) que, embora não seja o ideal, o vestibular é o exame possível. Para uma minoria (9%), o vestibular consegue avaliar o conteúdo. O que parece ser consenso é o fato de exames não refletirem o potencial dos estudantes para a vida profissional. O caso de Bruna Puoli, 18, é ilustrativo. Sem apresentar boas notas nos boletins do Santa Cruz, onde cursa o terceiro ano do ensino médio, Bruna tem uma clara definição, rara em sua idade, de seu futuro profissional. A estudante já
engatinha no próprio negócio. Hábil no corte de panos,
ela faz, há dois anos, bolsas bordadas e camisetas. "Nos meses
que antecedem os desfiles, produzo até 40 bolsas", diz. Com
a expansão da demanda, a empresa cresceu. Hoje, ela tem uma sócia
e contrata bordadeiras. Mas sabe que esse não é seu futuro.
"Vou trabalhar para investir em boi", afirma. Para ajudar o
pai na administração de uma fazenda de gado sul-africano
bonsmara, Bruna estuda o assunto e participa de leilões. "Estou
sempre atrás de novos cursos sobre o tema." Na escola, porém,
o entusiasmo não é o mesmo. "Tenho concentração
zero, uma borboleta tira com facilidade meus olhos da frente dos livros",
conta. Na mesma época, a guerra do Iraque também o interessava. "Ele fala com desenvoltura dos conflitos no Oriente Médio e da estratégia militar norte-americana", diz sua mãe, Rafaela Ferreira Andrade, 38. Na hora de falar de escola, porém, ele torce o nariz. "Não tenho paciência para prestar atenção numa aula inteira. Preferia estar lendo um livro ou um jornal, que me ensinam mais", diz ele. Alunos como Frederico e Bruna ainda não têm espaço nas escolas, segundo a psicóloga Rogéria Freire, 45, especializada em adolescentes e pré-adolescentes. "Apesar de as escolas apresentarem currículos com uma série de atividades pouco comuns dez anos atrás como elaboração de projetos, o aluno nota dez continua sendo aquele que vai bem nas provas", afirma Freire. Nem todos os defensores
de uma pedagogia moderna, no entanto, descartam por completo a avaliação
nos moldes existentes. Em constante contato com educadores franceses,
a diretora-geral do colégio Carlitos, de São Paulo, Manuela
de Castro Anabuki, 52, não desautoriza totalmente o modelo de avaliação
usado no vestibular. "O aluno tem de saber ler, escrever e a tabuada
de cor. O que o vestibular avalia é um conhecimento que o aluno
também tem de ter", diz Anabuki. Em que pesem opiniões como a do empresário, as escolas mais antenadas com os avanços da pedagogia procuram dar mais dinamismo ao aprendizado e à avaliação. O Colégio de Aplicação, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tem feito tentativas nesse sentido desde que foi criado, em 1961, em Porto Alegre. Com uma carga horária semanal superior à das escolas tradicionais, o colégio aposta em oficinas para estimular a curiosidade dos alunos. "Temos reprovação na escola, mas a avaliação de cada pupilo é feita juntamente com ele, num longo processo que toma toda uma tarde do aluno e da equipe de professores", diz Adalberto Breier, o vice-diretor. Incentivar o aluno a criar um portfólio de suas "realizações escolares" foi uma das formas encontradas pelo Centro Paula Souza, que administra 103 escolas técnicas em todo o Estado de São Paulo, de inserir o estudante no processo de sua avaliação. "Na pasta em que o aluno coloca todo tipo de documento e informação referente às atividades escolares e extracurriculares que executa, pode-se avaliar de forma globalizada sua evolução", afirma Julia Falivene Alves, professora responsável por projetos da coordenadoria do ensino técnico do centro. Seguidora do método da educadora italiana Maria Montessori (1870-1952), a Prima Escola, de São Paulo, também incentiva projetos e auto-avaliações, além da cooperação entre alunos de diferentes idades. "Fazem parte das atividades semanais do aluno aulas de trabalho pessoal, em que crianças de diferentes faixas etárias dividem um espaço com acesso a internet, jornais diários, revistas e uma boa biblioteca para fazer pesquisas ou mesmo deixar que o aluno se aprofunde em um tema de seu interesse pessoal", explica Angelina Brandão, 47, diretora da escola. "O professor, ali, é alguém que observa o grupo para buscar a forma ideal de cada um aprender", diz. A Prima Escola não tem provas. "O aluno é avaliado todos os dias e precisa estar preparado para o que der e vier. O primeiro contato dos alunos com provas acontece só na oitava série, por meio de simulados, quando os alunos têm de entrar em escolas de ensino médio e terão de enfrentar avaliações mais formais", afirma a diretora. Apesar de basear parte da avaliação do aluno em uma prova formal, a Escola Viva, de São Paulo, também atrela a aprovação do aluno a duas outras avaliações igualmente importantes na contagem geral. "Somada ao desempenho do aluno em provas pontuais aplicadas no final de cada bimestre, temos uma avaliação da postura do aluno dentro da sala de aula que inclui a participação em classe, a execução de lições de casa e uma nota dada para o grupo todo", diz Silvia Viegas, 42, coordenadora pedagógica da escola. Prestes a formar a
primeira turma de oitava série do ensino fundamental, a escola
passa por um momento de reflexão sobre avaliação.
Incluir o aluno no processo de sua avaliação é uma
das preocupações. "Estamos formando um grupo de estudos
para discutir nosso método de avaliação, pois temos
tido uma grande cobrança dos pais sobre o aprendizado desse ou
daquele conteúdo formal a partir da quinta série",
afirma Viegas. Para descobrir o que os pais de alunos de diferentes idades esperam das escolas, a psicóloga Renata Rubano, 38, foi a campo no final do ano passado e fez uma pesquisa. "Descobrimos que, na contramão das escolas que tentam inovar, os pais ainda são muito conservadores", diz ela. Eles querem instituições que prometam formar, informar e colocar o aluno em uma boa universidade. Uma preocupação comum a pais e alunos é o mercado de trabalho. Consultora de recursos humanos da PBJ, uma empresa de recolocação profissional, Flávia de Albuquerque da Rocha, 51, acha que as escolas serão cada vez mais cobradas pelo mercado de trabalho nos próximos anos. "O modelo de avaliação de um profissional numa empresa é totalmente diferente dos exames escolares que vemos nas escolas atualmente", diz Rocha. "Por enquanto, as empresas estão topando arcar com os custos dessa formação alternativa que o mercado exige e que a escola não dá, mas o dinheiro é cada vez mais escasso e racionalizado no mercado de trabalho, e isso tende a mudar." É um aspecto que não pode deixar de ser levado em conta. A avaliação pode ser moderna ou tradicional, mas não pode trombar com a realidade. (Sinapse - 27/05/03) |
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