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Criador de um método educativo muito conhecido nas escolas da Bahia, o educador romeno Reuven Feuerstein visitou o Brasil pela primeira vez e encantou os alunos que já estudam sob o método. Leia mais.
Desde o início do ano, a Polícia Federal já prendeu 15 pessoas acusadas de pedofilia na Internet. O órgão não divulgou quem são essas pessoas, porém, o perfil dos pedófilos não é amplo. Em geral, são homens de classe média e alta, de 20 anos até a meia idade. Leia mais.
Há duas semanas,
enquanto o educador romeno Reuven Feuerstein, 81 anos, fazia sua apresentação
no I Fórum Internacional sobre o Programa de Enriquecimento Instrumental
(PEI), em Salvador (BA), 420 adolescentes vindos de várias partes
do Estado sentiam um friozinho na barriga. Eles estavam vendo de perto
o idealizador do método de construção da inteligência,
que tem ajudado a reescrever a história escolar de muitos jovens
baianos. Desde abril do ano passado, quando o governo da Bahia fechou
um convênio para incluir o programa no currículo do ensino
médio nas escolas públicas, os alunos têm curtido
o gostinho de ver superadas dificuldades que vão da nota baixa
à timidez excessiva. Eles não negam certa resistência
e descrédito ao programa no início, mas, hoje, apostam no
sucesso. (IstoÉ)
A Polícia Federal, em São Paulo, decidiu fechar cerco contra os pedófilos na Internet. Desde o início do ano, já prendeu e indiciou 15 pessoas no Estado acusadas de divulgar fotos eróticas de crianças na rede mundial de computadores. A prisão mais recente ocorreu na semana passada. O delegado e chefe da Divisão de Direitos Humanos da Polícia Federal em São Paulo, Gilberto Tadeu, se recusa a citar nomes. Relata que o último pedófilo descoberto pelos agentes da PF é um bancário de 20 anos, morador do bairro do Tremembé (zona norte da capital paulista). Há um mês, segundo Tadeu, a polícia também prendeu um economista de 48 anos em sua casa na Granja Viana, condomínio de classe média alta da região oeste da cidade. Nos próximos dias, de acordo com o delegado, a PF pretende indiciar mais 30 pessoas. Segundo o artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, é crime "fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente". O condenado por essa prática criminosa pode pegar de um a quatro anos de prisão. A operação de caça aos usuários da Internet que trocam informações ou divulgam sites de pedofilia começou no final de 1999. Os sites geralmente contêm fotos de crianças nuas em poses eróticas ou praticando sexo, entre elas ou com adultos. A maioria dos indiciados, de acordo com Tadeu, é de homens pertencentes às classes média alta e classe alta. Vão de jovens de cerca de 20 anos a pessoas de meia idade. Até hoje, nenhuma mulher foi presa no Estado de São Paulo. A maioria dos indiciados não está presa porque eles são liberados mediante pagamento de fiança, que é definida pelo juiz. "Não podemos prender alguém por visitar os sites. O crime acontece quando a pessoa os divulga", informa o delegado. A divulgação geralmente ocorre nas chamadas salas de bate-papo (os chats). Nesse serviço oferecido pelos provedores de Internet, os usuários podem "conversar" por escrito e mandar, uns aos outros, material como fotos, textos, jogos, na maior parte das vezes, extraídos da própria rede mundial de computadores. A reportagem conseguiu ter acesso a alguns sites de pedofilia por meio da sala de bate-papo de um grande provedor. A maioria deles é estrangeira. Mas também há brasileiros. Em alguns países do leste europeu, diz Tadeu, não há lei que os proíba. Para chegar até os usuários, a PF utiliza um programa de rastreamento de computadores cujo nome não pode ser revelado. Detalhes das investigações também não são divulgados. Além de indiciar os pedófilos, a polícia apreende os equipamentos utilizados por eles. Para Tadeu, é essencial a colaboração dos provedores que abrigam os sites com o fornecimento de informações que permitam identificar os responsáveis pela publicidade de material pornográfico que envolva a presença de crianças e adolescentes. O delegado da Polícia Civil de São Paulo Mauro Marcelo Lima e Silva, responsável pelo Setor de Investigações de Crimes de Alta Tecnologia, considera que "a pornografia infantil na Internet está diminuindo", graças ao aumento das denúncias e campanhas de combate a essa prática. (Folha de S. Paulo)
O caso de pedofilia que alcançou maior notoriedade neste ano no Brasil foi o que envolveu o ex-vice-cônsul de Israel no Rio de Janeiro. Arie Scher foi acusado de participar de uma rede de exploração de menores. O suposto envolvimento
do ex-diplomata com menores passou a ser investigado após a prisão
do professor de Hebraico Georges Schteinberg, em 3 de junho. Desde março de 99, a Polícia Federal recebeu pelo menos 1.800 denúncias de uso da Internet na distribuição de imagens de pornografia infantil em todo o país. A central de denúncias da PF em Brasília recebe, em média, dez denúncias diárias. Em agosto, dois suspeitos foram presos pela PF na região de Campinas. Um homem de 27 anos foi preso em Itatiba com computadores e CDs de imagens de crianças. O outro foi detido em Santa Bárbara d'Oeste. Com ele foram apreendidos computadores e imagens pornográficas divulgadas pela Internet. Em janeiro do ano passado, o biólogo e monitor de acampamento Leonardo Chaim foi preso em Atibaia acusado de divulgar pela rede de computadores pornografia infantil. (Folha de S. Paulo)
Os pedófilos têm em comum o fato de terem sido vítimas de algum tipo de abuso por parte de adultos quando eram crianças, diz Rosane Schiller, psicóloga do setor de saúde mental da Universidade Federal de São Paulo. "Não é necessariamente um abuso sexual", afirma a psicóloga. Qualquer espécie de maus-tratos sofrido durante a infância pode fazer com que a vítima, ao tornar-se adulta, acabe tornando-se um praticante de pedofilia. Quando a criança sofre sob o poder de um adulto, informa a psicóloga, ao crescer, ela sabe que pode exercer o mesmo tipo de poder sobre as crianças. A pedofilia seria uma espécie de poder. "Um poder exercido pela via sexual", segundo Rosane. A pedofilia é classificada como uma perversão sexual e enquadrada como crime por ser uma violência contra crianças. Alguns especialistas, como a psicóloga e terapeuta Margareth Arilha, da Comissão de Cidadania e Reprodução, observam que a pedofilia, que "fica no limite do que é prazer e do que é violência, ainda é pouco estudada e visibilizada". Há outras formas de violência contra as crianças que, apesar da mesma gravidade, são aceitas, diz Margareth Rago, professora e historiadora da Unicamp. "Estamos num país onde a pedofilia é generalizada e aceita, desde a prostituição infantil até o consumo de crianças sexualizadas muito cedo", afirma a professora. "A TV mostra
o tempo todo crianças incentivadas pelas próprias mães
a imitarem adultos dançando na "boquinha da garrafa",
como prostitutas mirins. Toda forma de violência contra a criança
é inaceitável, mas essas são práticas pedófilas
do nosso cotidiano e sobre isso ninguém fala nada." (Folha de S. Paulo)
Embora a Internet tenha feito da pedofilia um problema sem fronteiras, o modo de enfrentar a exploração sexual de menores ainda varia de país para país. A cooperação entre polícias permitiu, em setembro deste ano, que a polícia italiana prendesse oito suspeitos de vender vídeos de pornografia infantil procedentes da Rússia na Internet. Com eles, foram apreendidos 3.000 fitas de vídeo, CDs e DVDs, numa investigação que durou 19 meses. Outras três pessoas que integravam a rede foram presas em Moscou. Na ocasião, a polícia italiana informou que mantinha investigações sobre mais 1.700 pessoas. O anonimato permitido pela Internet também ajudou a polícia a solucionar casos. Em julho, nos EUA, Jonathan Wood, 53, foi pego em uma armadilha para caçar pedófilos. Um agente do FBI (polícia federal dos EUA) entrou em um bate-papo oferecendo crianças para prostituição. Wood foi detido após ter pago US$ 12 mil ao policial pelo pedido. No último dia 20, no Camboja, foi preso o educador inglês Jon Keeler, acusado de produzir vídeos pornográficos. Na Inglaterra, em agosto passado, o cerco a pedófilos levou milhares de pessoas à histeria depois da publicação, por duas semanas consecutivas, do nome e dos endereços de suspeitos de pedofilia no tablóide sensacionalista "News of the World". A experiência foi condenada pela polícia britânica e causou ainda mais violência. James White, 54, que tinha audiência na Justiça marcada por causa de abuso sexual de crianças, tomou uma overdose de calmantes e morreu. O professor universitário Raymond Cullens, 51, teve sua casa apedrejada. Sua mulher foi demitida. Na Bélgica, a Justiça proibiu a publicação no país de uma lista de pedófilos "notórios, condenados ou suspeitos" que havia sido publicada no semanário luxemburguês "L'Investigateur". (Folha de S. Paulo) |
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