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O desempenho dos estudantes do ensino fundamental está melhorando. Mas os dados do Censo Educacional 2000, divulgados ontem (27/06) pelo Ministério da Educação (MEC), revelam que alguns problemas crônicos da educação brasileira, como o atraso escolar, ainda persistem. Leia mais
Os indicadores de desempenho dos estudantes do ensino fundamental estão melhorando. Mas os dados do Censo Educacional 2000, divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC), revelam que alguns problemas crônicos da educação brasileira ainda persistem. Um deles é o atraso escolar, sobretudo da 5.ª à 8.ª série. Dos 2,4 milhões de estudantes que concluíram o ensino fundamental em 1999, 66,6% tinham entre 15 e 17 anos, ou seja, acima dos 14 anos considerados ideais para os alunos da 8.ª série. Jean Rocha justifica seu atraso na escola com as várias mudanças de casa que a família enfrentou desde que saiu do Ceará. Ele já repetiu um ano, ficou outros dois sem estudar e hoje, com 14 anos, ainda está na 5.ª série. "Não me lembro quantas vezes mudei de escola." No ensino médio, a situação é parecida: a ampla maioria (96,8%) dos 1,7 milhão de alunos que terminam a 3.ª série tem 17 anos ou mais - a maior concentração, (45%) situa-se na faixa de 17 a 19 anos. Mariana de Moraes, de 7 anos, está na 1.ª série e sonha em um dia ser "repórter". "Gosto de tudo na escola e só falto quando acordo atrasada", conta a menina. Ela e Jean exemplificam a situação de atraso escolar no País. Na 1.ª série apenas 27,8% dos alunos estão fora da idade ideal, enquanto na 5.ª série, a taxa salta para 50,4%. A análise por Estados mostra que São Paulo é a unidade da federação com menor distorção idade/série (19,1%). Apesar disso, percebe-se uma melhora. O número de concluintes do ensino fundamental aumentou 4,3%, o que gerou um crescimento das matrículas do ensino médio. Além disso, considerando o ensino fundamental como um todo, em 2000, 41,7% dos matriculados estavam fora da série ideal. Em 1995, eram 47%. O mesmo pode ser observado em outros indicadores. A repetência caiu bastante entre 1995 e 1999 - de 30,2% para 21,6%. "Adoro escrever sobre a natureza nos meus cadernos", diz Aelton de Oliveira, que tem 9 anos e está na 3.ª série. Ele se orgulha de nunca ter repetido de ano. Para o ministro da Educação Paulo Renato Souza, o avanço constatado pelo Censo 2000 nos índices de repetência não se deve à adoção crescente do sistema de ciclos - em que só há retenção de alunos na metade ou no fim do período de oito anos de estudo. Segundo ele, apenas 23% dos alunos do País freqüentam turmas nesse sistema. A ressalva, no entanto, não vale para São Paulo, onde 80% dos matriculados estudam em ciclos e a repetência caiu de 18% para 7% em quatro anos. A evasão continua estável: em 2000, caiu de 5,3% para 4,8%. A exemplo do que ocorre com a distorção idade/série, a evasão também aumenta conforme as crianças ficam mais velhas: enquanto na 1.ª série é de 1%, na 8.ª chega a 8,6%. "O processo de correção vai-se acelerar e chegaremos ao fim da década com menos de 10% de distorção", disse o ministro. (O Estado de S. Paulo)
Estudar numa escola equipada com laboratório de ciências está longe da realidade da maioria dos alunos brasileiros do ensino fundamental e médio. Novos dados do Censo Escolar 2000 divulgados ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que apenas 20% dos estudantes de 1.ª a 8.ª séries freqüentam estabelecimentos com esse tipo de recurso. No 2.º grau, cujas principais disciplinas incluem física, química e biologia, os laboratórios só atendem 52% dos matriculados. Realizado no ano passado, o levantamento revela que até o acesso a computadores - esforço iniciado nos últimos anos - está mais disseminado no País do que os laboratórios de ciências. No ensino fundamental, 22% dos estudantes freqüentam escolas com salas de informática, recurso disponível para 56% dos alunos do ensino médio. O acesso à Internet está disponível para 22% dos alunos de 1.ª a 8.ª séries, atingindo 37% do matriculados no 2.º grau. A histórica falta de investimentos em educação foi apontada pelo ministro Paulo Renato Souza como responsável pela carência de laboratórios de ciências. "Não se tinha dinheiro para investir nessas questões", disse ele. Segundo a secretária de Educação Fundamental do MEC, Iara Prado, as escolas de 1.ª a 8.ª bem equipadas ocupam, em geral, os mesmos prédios onde há turmas de ensino médio. Mas a reorganização das redes de ensino definida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação deu início à separação física das escolas de 1.º e 2.º graus ou, pelo menos, das turmas de 1.ª e 4.ª séries em relação aos demais níveis de ensino. "É preciso haver uma política de construção de laboratórios", defendeu ela, indicando os governos estaduais e municipais como responsáveis pela iniciativa. O censo levantou dados também sobre energia elétrica, que beneficia mais de 99% dos estudantes. Mesmo assim, no ensino fundamental, 32% das escolas não têm luz. Na zona rural, 51% delas enfrentam o mesmo problema. Segundo Paulo Renato, esses estabelecimentos mantêm, em média, uma ou duas turmas e funcionam apenas durante o dia. No ensino médio, 99,9% dispõem de energia elétrica. Já o abastecimento de água atende mais de 99% dos estudantes. Apesar disso, há 10 mil escolas sem água. (O Estado de S. Paulo) |
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