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Depois de investirem em reality shows que exploram a degradação financeira e social do povo argentino, premiando com empregos temporários os vencedores, as emissoras do país estão procurando nichos ainda não explorados. E quem saiu na frente foi o canal América, que aproveitou a atual crise de credibilidade dos políticos argentinos para formular o programa "O candidato das pessoas". A idéia do reality show é eleger um candidato a deputado ao gosto dos telespectadores. Para o polêmico programa, serão convocados todos os que queiram iniciar uma carreira política e não se sentem representados pelos partidos tradicionais. E, tendo em vista a as opiniões do povo argentino sobre seus políticos, haverá filas de candidatos. Pesquisa elaborada pela consultora Hugo Haime e Associados mostra que dois em cada três argentinos não confiam em nenhum político para ocupar a cadeira presidencial. A confiança é a mais baixa de toda a história do país. Quando se pergunta a um grupo de argentinos quem é o político mais confiável para comandar a Argentina, dois terços respondem enfaticamente "ninguém". Outro reflexo da completa desconfiança com os representantes do povo foi a resposta do presidente Eduardo Duhalde aos que exigem, em passeata, "que se vayan todos" (algo como, que vão todos embora). O líder máximo do país simplesmente surpreendeu a todos anunciando que criará um registro para que os políticos em exercícios se inscrevam e se comprometam a não se apresentar para competir nas próximas eleições - em março de 2003, quando além de presidente, os argentinos renovarão metade da Câmara e um terço do Senado. Que tal? De qualquer forma, até que a idéia do reality show não é de todo má. Afinal, os participantes apresentarão suas metas de governo para seus prováveis eleitores durante os dias que o programa for ao ar, em vez de em diminutas - e risíveis - participações em programas eleitorais gratuitos, tal como acontece no Brasil. (Rodrigo Zavala - 03/09/2002) Leia
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