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Nada parece tão imoral quanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, exigir "humanidade" ao exército iraquiano. Tal como é impensável levar a sério o secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, que pede às TVs para não mostrar imagens de americanos capturados. Para piorar, nesse imbróglio ainda há espaço para censura e intimidações por parte das grandes agências de imprensa aos jornalistas de plantão em Bagdá. A guerra claramente já vitimou a cobertura jornalística há algum tempo. Exemplo claro é o do repórter Peter Arnett. Perdeu o emprego por dar sua impressão da guerra aos noticiários árabes. Quando o pessoal dos EUA (aqui, no caso, NBC) soube que o jornalista havia dado uma entrevista em que disse não compactuar com os ideais da guerra, sua cabeça rolou mais rápido do que os mísseis que destruíram um hospital de Bagdá. Pior para a rede NBC, e sua concorrente CNN, que já vêm sofrendo protestos em seus escritórios em Los Angeles. Manifestantes acusam as emissoras e jornais americanos de não estarem dando espaço em seu noticiário às várias reações contrárias à guerra em todo o pais. A explicação é simples: proporcionalmente ao volume de notícias relacionadas ao conflito, o espaço dado aos manifestantes é, efetivamente, mínimo. As TVs, com dezenas de enviados especiais junto às tropas, têm mantido um tom patriótico e sentimental. Ao se identificarem, os jornalistas que acompanham os soldados informam sempre a situação dos batalhões em que estão com o objetivo, segundo os apresentadores dos noticiários, de mostrar "às pessoas e familiares amados" que tudo vai bem. Enquanto o exército americano afirma ter conseguido importantes vitórias em solo iraquiano, o canal de TV libanês Al Manar mostrou durante estas semanas, que as forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha estavam retrocedendo no sul país, "humilhadas pela forte resistência do povo iraquiano". Fato apenas comentado pela inglesa BBC, país que ainda possui jornais contra a ação bélica. O pior é a cobertura da guerra feita no Brasil. Se a produção de matérias não sai de um hotel de Bagdá, está refém das grandes agências de notícias, grande parte americana. Exceto, claro, Marcos Uchôa, enviado especial da Rede Globo, que passa o dia em Kwait, fazendo matérias (com video-fone) sobre como as pessoas dessa cidade vão se proteger em uma possível retaliação de Sadam Russein. Como se o exército do tirano tivesse algum poder bélico para isso. Nesta guerra, uma das primeiras consequências sérias é que essa história de jornalismo isento, plural e independente, que se aprende na faculdade, é muito bom para vender jornal. Principalmente daqueles, cujas as propagandas falam sempre da boa e velha "credibilidade". (Rodrigo Zavala - 04/04/03) |
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