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Em pouco mais de cinco anos, a cobertura da mídia impressa sobre crianças e adolescentes brasileiros cresceu 608%. E o aumento não é apenas quantitativo, a qualidade das matérias também evoluiu, ao privilegiarem denúncias e a busca de soluções para os problemas diagnosticados nas reportagens. No entanto, ainda há muito a ser melhorado. Os dados fazem parte da 12º edição da Pesquisa Infância da Mídia, elaborada pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), em parceria com o Instituto Ayrton Senna e a Unesco. A ANDI monitora 49 jornais de 24 estados brasileiros e 10 revistas de circulação nacional. A clipagem, realizada diariamente, classifica toda notícia que cite, ao menos uma vez, infância e adolescência. Um dos pontos mais interessantes do trabalho da Andi é a análise do tratamento jornalístico dos crimes sexuais, assunto em voga no momento, a exemplo de pedófilos confessos como Eugênio Chipkevitch e Lawrence Stanley. O especial "O Grito dos Inocentes" constata que os jornais e revistas tratam a exploração e o abuso sexual de crianças e adolescentes qualitativamente melhor do que a analisada em outras formas de violência. Segundo Rubens Amador, diretor-executivo da Andi e coordenador da pesquisa, a cobertura se diferencia principalmente pelo números de fontes ouvidas nas reportagens. "Diferentemente do que foi constatado em outras variações da violência, os jornalistas não de contentam apenas com os boletins de ocorrência das delegacias", informa. A explicação para essa diferenciação é complexa. Vai desde a gravidade do tema, tabu em muitas regiões brasileiras, à falta de informações e pesquisas sobre o assunto. "Por um lado, os jornalistas acabam tratando com certa delicadeza. De outro, como não há material pronto, eles acabam procurando um maior números de fonte", argumenta. Para Amador, grande parte da responsabilidade é do Estado. "Há muito poucos dados referentes a esse tipo de crime, os hospitais não estão em rede para diagnosticar os casos e as entidades de assistência fazem muito menos do que poderia ser feito". Resultado: como não há caminhos, todos (família, Estado, imprensa e, principalmente, a vítima) se silenciam, e, claro, esse tipo de violência se mantém na penumbra. (Rodrigo Zavala
- 12/02/2002) Leia
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