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No final do mês de abril, quase cinco milhões de pessoas nos Estados Unidos optaram ficar sem ver televisão por uma semana, quando se engajaram na campanha TV Turnoff Week (algo como, Semana da TV Desligada). Promovido por um grupo de Ongs do país, a iniciativa é um protesto contra a sociedade de consumo e a alienação provocada pela televisão. No entanto, segundo especialistas brasileiros, esse tipo de campanha dificilmente poderia dar certo no Brasil. Laurindo Leal Filho, por exemplo, é um deles. Para o sociólogo e jornalista, essas iniciativas "demonizam" o meio e, por isso, seus organizadores acreditam que a única solução viável é não assistir aos seus programas. Nesse sentido, em vez de passar suas horas de lazer em frente ao aparelho, a pessoa deve optar por atividades mais interativas como, ir ao teatro, ler bons livros, passear, ente outras. Isso pode dar certo em determinados países, na visão de Leal Filho, mas o Brasil possui uma grande deficiência de espaços de lazer alternativos para a população. "Pedir para a população não ver TV seria uma forma de penaliza-la, afinal, não possuem outra forma de entretenimento", afirma. O que seria mais cabível à atual situação dos brasileiros é lutar contra a programação de má qualidade. "Essas iniciativas lutam contra um meio de comunicação, não contra seu conteúdo, esquecendo-se que ele deve estar a serviço da sociedade", lembra. Um exemplo de ação que já obtém relativo sucesso no país é a iniciativa "Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania", promovida Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Câmara dos Deputados, e pela Ong Tver, associação que defende os direitos dos telespectadores e a educação crítica para os meios de comunicação. O objetivo da campanha é pressionar empresas a não patrocinarem programas que desrespeitam os direitos humanos. "A televisão se tornou geradora de outra forma de sociabilidade. Engrossamos as campanhas que melhorem o controle público sobre sua programação", explica psicóloga social Rachel Moreno, presidente da Ong Tver. Segundo ela, diga-se, controle público é diferente de censura, pois se a Constituição diz que a TV, como meio, deve estar a serviço da população, nada mais natural que ela opine sobre seu conteúdo. Ao ser questionada sobre iniciativas que peçam aos telespectadores uma semana sem TV, Rachel não apenas concorda com Leal Filho, como também desconstrói o velho discurso que se não gosta da programação, mude de canal. "Quando se diz para mudar de canal, entende-se que existe alguma alternativa com qualidade. Mas, isto não acontece, visto que os programas são bastante similares", critica. (Rodrigo Zavala - 13/05/2003) |
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