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"Quem financia a baixaria é contra a cidadania". Esse é o novo slogan da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, criado para conter a apelação em vários programas da televisão brasileira. Desta vez, o objetivo é incentivar as pessoas a não consumirem produtos de empresas que veiculem seus anúncios durante programas considerados "de baixo nível". A ação vai contar com um site na Internet, que trará a classificação dos programas e uma lista de empresas patrocinadoras. O raciocínio é simples: mexendo no bolso dos produtores pode-se chegar a algum lugar. Afinal, são anos de tentativas frustadas para regulamentar a programação televisivas. Sequer a auto-regulamentação, que privilegiava o bom senso das emissoras, foi vista com bons olhos. "Isso é censura", bradavam e, provavelmente ainda alegam, os canais de TV abertos, fazendo, claro, alusão às táticas da ditadura. Na última quarta-feira, houve a primeira reunião para estruturar o andamento da campanha, que será lançada oficialmente no início de setembro. Representantes da comissão alegaram que a TV Câmara fez uma pesquisa em Brasília, e, nada menos que 100% dos entrevistados foram favoráveis à campanha contra a baixaria televisiva. Ao atacar o "outro lado", ou seja, os telespectadores, a campanha pode burlar o gigantesco lobby televisivo agregado ao Congresso. Além disso, dá munição a audiência, que, espera-se, consiga impedir os excessos habituais. Principalmente os que desrespeitam e expõem o ser humano ao ridículo ou que banalizam a violência. E não há porque não mudar. Pesquisa recente realizada Ibope e pela Unesco mostra que os telespectadores brasileiros consideram a programação da TV violenta, pornográfica e prejudicial à educação das crianças e jovens. "Valores sociais e meios de comunicação de massa", como foi chamado o estudo, foi elaborado com base em 4.000 entrevistas, envolvendo homens e mulheres das mais variadas idades, classes sociais e regiões do país. Segundo a pesquisa, 68% dos entrevistados admitem que ela exerça algum tipo de influência na formação das crianças e dos jovens. Mais: 41% afirmam que a TV mais atrapalha do que ajuda na educação de jovens e crianças e, 71% rejeitam cenas de sexo e a apelação sexual para obter audiência. (Rodrigo Zavala - 13/08/2002) Leia
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