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A lista negra com os piores programas de televisão, divulgada esta semana pelo site Ética na TV, é um bom exemplo do que acontece quando se fala em regulamentação da TV aberta no Brasil. No ranking encontram-se nomes como João Kléber, Ratinho, Gugu Liberato, Sérgio Malandro, entre outros claros expoentes do lixo do entretenimento de massa. No entanto, no frigir dos ovos, o saldo da lista deixa muito a desejar, ao trilhar os fáceis caminhos da simplificação. Primeiramente, esses nomes, apesar de continuarem sendo referências de audiência na TV, são alvos confortáveis demais para as críticas serem levadas a sério. Em abril de 1999, esses fenômenos da mídia brasileira ganharam páginas na imprensa européia, que se divide entre a diversão e a análise sociológica. O programa do Ratinho, por exemplo, foi chamado pela revista inglesa Bizarre de "o talk-show mais insano da TV mundial". Já o jornal francês Libération dedicou uma reportagem a analisar a contradição de um povo que idolatra a musa do sadomasoquismo Tiazinha ao mesmo tempo que reza nas missas do popstar de Cristo Padre Marcelo Rossi. Dessa forma, como se pode chegar a uma real análise da programação televisiva se continuamos a bater nas mesmas expressões incontestáveis de "cretinismo popular"? Entenda-se aqui o cretinismo popular baseado nos discursos inflamados de intelectuais, os quais dizem que a decadência da TV acabará quando a população souber mudar de canal. Um embuste, que esconde críticas limitadas, que sequer se dignam a falar do nível educacional dos brasileiros. Do ponto de vista da Comissão de Direitos Humanos (CDH), da Câmara dos Deputados, que elaborou a campanha "Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania", a idéia de um ranking é excelente. Como seu projeto é pressionar TVs e patrocinadores de programas que desrespeitam os direitos humanos, uma lista é o que falta para criar uma espécie de selo de qualidade. Com isso, esse tipo de atração acabaria ou então deveria mudar para algo melhor. Porém, quem traçaria a linha maniqueísta da qualidade da TV. Seriam os congressistas, que detêm quase 80% das concessões de TV e rádio? Muito improvável. Outro fato fundamental que deve ser levado em conta em toda essa discussão, é o lobby das comunicações que encalha há décadas os 300 projetos de lei sobre regulamentação e auto-regulamentação da TV brasileira. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo (13/02), o presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade e também da Ogilvy & Mather, Sérgio Amado, afirmou: "Estamos invertendo as bolas, rotulando o que vem a ser baixaria. Não faz sentido num País livre como o Brasil. Temos de tomar cuidado para não caminharmos para a censura". Uma saída fácil para evitar a discussão é falar de censura. Antes de condenar esses programas, deve-se analisar o que os faz fenômenos de audiência e, assim dissecar o cretinismo da intelectualidade, da elites culturais e, claro, dos donos dos meios em que essa escória midiática criam o famoso "circo de horrores" da TV. Se isso não for feito logo, também perdem os leitores de jornais, que se gabam de serem bem informados, mas que estão no meio de um tiroteio de discursos ocos que não levam a lugar algum. (Rodrigo Zavala - 14/02/2003) |
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