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Fortalecer a cultura local ao mesmo tempo em que se ensina português, matemática e história. Tudo isso, se divertindo ao som de Luiz Gonzaga, um dos pilares da música nordestina. Essa é a proposta colocada em prática pelo grupo pernambucano Quinteto Violado em seu projeto Cidadão da Arte. Trata-se de uma brincadeira envolvendo as letras do compositor. Os alunos recebem uma música do “Rei do Baião” com palavras marcadas. Mais tarde, devem compor novas melodias com essas palavras, utilizando suas histórias pessoais, aprendendo com isso métrica e rima. “Luiz Gonzaga era um grande contador de história e a criançada aprende a estudar preservando a essência de sua identidade”, explica. A proposta faz parte de um leque de diferentes iniciativas do conjunto, que desde 1997, reúne experiências culturais por meio do Fundação Quinteto Violado. “Criamos a instituição com o objetivo de incentivar de diversas formas o desenvolvimento da cultura nordestina”, afima Toinho Alves, baixista do grupo e vice-presidente da fundação. Todas as experiências desenvolvidas por meio da instituição devem ter, necessariamente, convênios com instituições governamentais ou particulares. Desta forma, para implantar o Cidadão e Arte, o grupo conta com o apoio da Unesco. “Nós estamos dentro do Escola Aberta e vamos, até o fim do ano, implementar o trabalho em mais de 70 escolas ”, acredita Marcelo Melo, presidente da Fundação e integrante do quinteto. O Projeto Escola Aberta funciona há dois anos e tem um público de 120 mil, em 350 escolas públicas do Estado. Reconhecida internacionalmente, a inciativa abre as portas das escolas aos fins de semana para dar lazer aos jovens e suas comunidades. Entre as atividades e oficinas do Escola Aberta destacam-se: teatro, dança, música, coral, artesanato, artes plásticas, esportes, incentivo à leitura e reciclagem. O projeto do Quinteto Violado está dando resultados. Há pouco menos de duas semanas, o ministro da Educação Cristovam Buarque acenou que poderia implementar a experiência em escala nacional. “Coordenaríamos um grupo de apoio para fazer o trabalho em cada Estado. Mas, em vez de Luiz Gonzaga, cada região elegeria seu ícone musical. Assim, continuamos a fortalecer a cultura local”, comemora Melo.
(Rodrigo Zavala – 15/07/2003) |
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