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Em uma atitude inédita, algumas das mais prestigiosas revistas científicas do mundo decidiram unir-se à luta contra o terrorismo. Em Denver (EUA), diretores de várias publicações reunidos num encontro da Associação Americana para o Progresso da Ciência se comprometeram a não mais publicar informações científicas que possam ajudar terroristas a fabricarem armas biológicas. E, ao que parece, não se trata de uma postura histérica ou alarmista. No último ano, dois artigos só foram publicados porque seus autores aceitaram mudanças. Para se ter uma idéia, um dos detalhes suprimidos demonstrava como modificar um micróbio de modo que, em lugar de matar 10 mil pessoas, pudesse matar um milhão. Ao todo, 32 publicações aderiram às novas diretrizes, entre elas a "Science", a "Nature", a "New England Journal of Medicine" e a "Lancet". Os cientistas expuseram na reunião a dificuldade de encontrar-se no meio de um fogo cruzado: por um lado, há a necessidade de divulgar as descobertas científicas; por outro, existe o risco de as informações serem usadas em ataques terroristas. Colocado na balança, venceu o medo. Pior: o medo de que radicais possam chegar a enfrentar os EUA em uma guerra, munidos com amas tão destrutivas quanto as americanas e mais baratas. Uma questão de fragilidade e poderio. No entanto, um detalhe que não pode ser esquecido é que a definição de terrorismo que está nos manuais militares dos EUA serve também para as políticas antiterror do governo George W. Bush. Isto quer dizer que, por exclusão, a comunidade científica - no caso aqui, os cientistas que descobriram como um micróbio pode matar, em vez de 10 mil, um milhão de pessoas - deveria tirar férias prolongadas até que ninguém mais seja contra os Estados Unidos. Ou seja, é melhor se aposentarem e partirem para redutos tropicais. (Rodrigo Zavala - 18/02/2003) |
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