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"Big Issue! Big Issue!" É o que você escuta onde quer que você ande em Londres. Em estações de metrô, parques e esquinas da cidade, há um sem-teto com um punhado de revistas debaixo dos braços gritando para quem passa. Criada em 1991, a revista "Big Issue" (grande assunto) tornou-se um dos maiores fenômenos editoriais no Reino Unido e começou a ser exportada para o mundo. O que a faz diferente é que, além de ser vendida, a revista é pensada e produzida com ajuda dos sem-teto da cidade. A revista, que hoje já é editada em 21 países, ganhou agora sua versão tupiniquim. Lançada no Rio e em São Paulo, a revista Ocas, como foi chamada, mantém a proposta da versão inglesa. "É uma revista de interesse geral, com enfoques em cultura, política, movimentos de rua e questões sociais. Não vamos mudar isso", afirma Sérgio Gwercman, sub-editor da revista. A publicação não só cria oportunidades de emprego, como também utiliza a renda obtida na realização de cursos profissionalizantes para os sem-teto. Sob a responsabilidade da ONG Organização Civil de Ação Social, a revista custa R$ 2 e é vendida pelos moradores de rua cadastrados pela entidade - que ficam com R$ 1,50 de cada exemplar. Com a diferença, cria-se um fundo para ampliar o apoio da instituição aos participantes da empreitada. "Nós temos um grupo educativo formado por jornalistas, fotógrafos, pedagogos, que promovem oficinas de capacitação para essas pessoas." Os cursos oferecidos não são apenas de formação de vendedores. Há todo um processo de acompanhamento dos atendidos, como conta Gwercman. "Há reuniões periódicas em que o principal objetivo é a troca de experiências e o resgate da auto-estima. É um aprendizado mútuo." No entanto, a publicação não é escrita pelos moradores de rua. Há um grupo de profissionais responsável pelas edições. Detalhe que a diferencia do modelo inglês, qual possui uma seção específica para eles, chamada "street lights" ("luzes das ruas"). Nela os sem-teto escrevem, contam suas histórias e fazem reportagens. Segundo o coordenador da prefeitura Carlos Alberto Luz, que atende à população de rua, o projeto é uma esmola disfarçada. Exagero ou não, a Revista Ocas já conta com mais de 80 colaboradores nas duas cidades e tem tudo para cair no gosto da classe média, principal consumidora da publicação nos demais países em que é editada. (Rodrigo Zavala - 18/07/2002) |
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