|
||||||||||||
|
A revista Ocas fez um ano de aniversário e não faltam motivos para comemorar. Desde julho do ano passado, a ONG Organização Civil de Ação Social, responsável pela publicação, já reverteu mais de R$80 mil para as mãos de moradores de rua das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. A Ocas inspirou-se na revista inglesa "Big Issue" (grande assunto), que desde 1991 é um dos maiores fenômenos editoriais no Reino Unido e começou a ser exportada para o mundo. O que a faz diferente é que, além de ser vendida, a revista é pensada e produzida com ajuda dos sem-teto da cidade. Em estações de metrô, parques e esquinas de Londres, há um sem-teto com um punhado de revistas debaixo dos braços gritando para quem passa. No Brasil não foi diferente. A revista Ocas manteve a proposta da versão inglesa e repetiu seu sucesso. A publicação não só cria oportunidades de emprego e de geração de renda, como também utiliza o capital obtido na realização de cursos profissionalizantes para os sem-teto. A revista custa R$ 2 e é vendida pelos moradores de rua cadastrados pela entidade - que ficam com R$ 1,50 de cada exemplar. Com a diferença criou-se um fundo para ampliar o apoio da instituição aos participantes da empreitada. “Nós temos um grupo educativo formado por jornalistas, fotógrafos, pedagogos, que promovem oficinas de capacitação para essas pessoas”, afima Sérgio Gwercman, sub-editor da revista. Os cursos oferecidos não são apenas de formação de vendedores. Há todo um processo de acompanhamento dos atendidos, como conta Gwercman. Há reuniões periódicas em que o principal objetivo é a troca de experiências e o resgate da auto-estima. “Não dá para mensurar o impacto desse trabalho. Mas percebemos que já nos primeiros dias eles mudam seu comportamento, comprando roupas e tomando banhos diários.” Além de seu respaldo social, o sucesso da publicação pode ser explicado pela ampla cobertura de temas trazido pela publicação. "É uma revista de interesse geral, com enfoques em cultura, política, movimentos de rua e questões sociais. Não vamos mudar isso", explica. A Revista Ocas conta com mais de 40 colaboradores nas duas cidades que atua. Embora pareça pouco, Gwerman explica que isso se deve a rotatividade das pessoas atendidas pelo programa. “Muitos saem porque arrumam trabalhos ou outros bicos. Outros usam a Ocas para se virar por um par de meses. É uma fase. E ajuda-los é a idéia do projeto.” (Rodrigo Zavala – 18/07/2003) |
|
||||||||||