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Com pouco mais de 8% da população conectada à Internet, o Brasil vive um paradoxo. Possui uma exclusão digital mais acentuada do que a vizinha em crise, a Argentina (23% de conectados), porém conta também com uma excepcional infra-estrutura de governo eletrônico. Ou seja, os recursos online que podem tornar a vida menos complicada na solicitação de informações ou serviços e aproximar os cidadãos das decisões governamentais, esbarram na desigualdade social para concretizar-se. Segundo estudo realizado PricewaterhouseCoopers, o governo federal já conseguiu tornar disponíveis na internet 72% dos serviços que presta. O país ainda, de acordo com pesquisa feita pela Divisão de Administração Pública das Nações Unidas, ocupa o 18.º lugar no ranking mundial sobre a performance do governo na Web. Em uma lista de 132 países estudados, o Brasil aparece acima de nações desenvolvidas, como Japão e Itália, além de ser o líder da América Latina. No entanto, o Brasil não consegue levar os serviços aos rincões, onde vivem 56% da população brasileira. O relatório da PricewaterhouseCoopers aponta essa discrepância. Apenas 350 dos 5.561 municípios brasileiros possuem provedores locais de acesso à rede. Comparativamente, porém em menor escala, a maior cidade do país, São Paulo, serve como exemplo. A população da periferia não sabe como usar um computador. O nível de exclusão é tão alto, que os números falam por si: 75% dos integrantes de classes D e E, com renda média familiar de R$ 540, nunca usaram computador e 89% nunca acessaram a Internet. Os dados são da Secretaria do Governo do Estado. O que diferencia São Paulo do resto do país são as experiências bem sucedidas de políticas públicas que, não apenas pretendem capacitar pessoas de baixa renda a usar a Internet, como navegar nos sites do governo eletrônico. Os telecentros, criados pela prefeitura, ministram cursos de informática e utilizam os sites de serviços ao cidadão para ensinar os preceitos de interatividade e participação popular na Web. "As benesses não podem ser exclusivas de uma minoria que possui acesso à Internet", afirma Sérgio Amadeu da Silveira, coordenador do Governo Eletrônico da Prefeitura de São Paulo. O projeto já conta com 19 telecentros, todos localizados na periferia da cidade. Segundo Silveira, cada um deles beneficiam cerca de três mil pessoas. "Temos a meta de construir outros 80 centros até o fim do ano", promete. Se os planos se concretizarem, pelas contas do coordenador, a prefeitura irá assistir 300 mil pessoas de baixa renda. Os espaços estão sendo estudados, principalmente aqueles ocupados por organizações não-governamentais. "Já estão mais próximos à população", explica. (Rodrigo Zavala
- 21/06/2002)
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