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Da mesma forma que inclusão digital não significa instalar computadores com acesso à rede em locais com poucos recursos, estar conectado à Internet não se limita a ter acesso a e-mails e sites. E, ao contrário do que se imagina, a interatividade não representa unicamente seres, de diferentes lugares, comunicando-se por meio da rede. Ela pode e deve ir além disso. A Internet pode ser um espaço de criação livre, onde o conceito de autoria simplesmente poderia não existir. Mais: web também pode ser arte. Abstratos e confusos para os menos envolvidos numa discussão mais profunda sobre o que são as conexões e redes sociais surgidas com o crescimento da Internet, tais temas foram levantados sobre “pensadores da mídia” no evento Geração Digital 2003: Acesso e Inclusão Digital 2003, realizado durante a Comdex 2003 pela Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo. “O contato estabelecido entre as pessoas pela Internet ainda é individual. Parece que vivemos um momento de ‘interpassividade’, não de interatividade, como se crê. Não há trocas de idéias, mas de informações que já vêm prontas ao leitor, telespectador ou internauta”, disse Marcelo Coelho, jornalista e colunista do jornal Folha de S. Paulo, no momento intitulado de “Momento Socrático – diálogo filosófico sobre a futura sociedade em rede” durante o evento. Mas as limitações da interatividade na Internet devem ser analisadas em diferentes níveis. Para Rogério da Costa, professor de pós-graduação da Departamento de Computação da PUC-SP, a troca de informações na rede exerce um papel fundamental para a sobrevivência de uma determinada sociedade. “Todo grupo tem um determinado capital cultural, que seria um documento que traduz o acervo de uma certa cultura. Com a Internet esse acervo não fica estocado e a intercomunicação entre as pessoas é mais ativa, reflexiva e se mantém viva”, disse Costa. Dessa forma, pode-se concluir que a rede exerce um papel fundamental na relação entre as pessoas, por mais ou menos interativo que seja. O problema, na visão dos “pensadores”, é a forma estanque como a Internet tem se constituído atualmente. “Interatividade é sinergia de idéias. Quanto maior a interatividade, maior é a rede de inteligência”, afirmou Costa. Gisele Beiguelman, artista digital e professora de multimídias da PUC-SP, critica a estrutura que se formou na Internet no que diz respeito aos site de busca, por exemplo. “Os documentos encontrados e expostos na rede seguem a mesma forma de arquivo de uma biblioteca do século XVII. A fonte é copiada integralmente, não existe criação e dessa forma não se constituem novas linguagens e formas de pensamento”, afirma. Para Marcelo Coelho, “a Internet vive hoje um momento de caos, de certa forma público, semelhante ao surgimento da imprensa no século XVII, quando não havia nada concreto, apenas manifestos”. Apesar de ter levantado muitas questões e poucas respostas, um grande mérito não pode ser negado ao evento: o de ter levado discussões sobre inclusão e exclusão digital, futuro da Internet e empregabilidade dentro da maior feira comercial de tecnologia da América Latina. O evento esteve sob o comando de Gilson Schwartz, diretor acadêmico da Cidade do Conhecimento. Mais informações sobre a Cidade do Conhecimento estão no site www.cidade.usp.br (Bianca Justiniano – 22/08/03) |
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