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Para sua primeira edição, lançada no mês de março, os editores da revista Viração resolveram inovar: deixaram o tratamento editorial nas mãos de jovens de escolas públicas de São Paulo. Isto é, antes da publicação ser distribuída, estudantes de 12 a 18 anos (público alvo da revista) discutiram e avaliaram a qualidade editorial da revista, dando dicas de pautas e linguagem. "O qualidade das publicações para adolescentes é muito pobre. Dessa constatação surgiu a Viração", lembra Paulo Lima, editor da revista. Segundo ele, a grande diferença é fazer do jovens leitores não meros consumidores, mas protagonista da publicação, fazendo parte de cada etapa de produção. Além de fazer parte de uma revista, os jovens participantes discutem todo o seu conteúdo. "O projeto, feito por uma equipe de jornalistas e pedagogos, é suprapartidário e tem com eixo teórico os Parâmetros Curriculares Nacionais, direitos humanos, pluridade cultural, trabalho e educação à paz". Para esse trabalho a revista conta com um apoio de peso. Além da Unicef e da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi), a Educom.rádio, que capacita alunos de escolas municipais de São Paulo a criar programas radiofônicos, também colabora com a iniciativa. "São parcerias que completam a Viração." E o trabalho com os estudantes não parou por aí. Paulo Lima explica que as demais edições também estavam na mira dos jovens convidados a participar do Conselho Editorial Jovem, que norteia a produção. "Eles sugerem pautas, enviam perguntas para entrevistados, além de participarem de colunas em que dão suas opiniões sobre diversos temas", explica Lima. Além das escolas, a Viração também dialoga com jovens de diversas ações sociais de São Paulo, como o projeto Quixote e a Assossiação de Apoio de Meninos e Meninas da Região Sé. "Além de um projeto editorial novo, esperamos fazer da revista um trabalho social, quando serão oferecidas oficinas de arte-educação em escolas e entidades." Um dos trabalhos já pode ser visto. Para a terceira edição, jovens participantes do programa Histórias de Vida, da Cidade Escola Aprendiz, foram convidados a escreverem uma coluna mensal na revista "O Histórias tem entre seus objetivos melhorar a expressão de seus participantes e esse exercício, de contar suas histórias e publicá-las em uma revista, é benéfico ao programa", afirma Judith Terreiro, coordenadora do programa. A coluna piloto ocupa uma página da Viração e contou com a participação de dois jovens. Nela, contam um pouco de como entraram no Histórias de Vida e explicam seu trabalhos. "Preferimos colocar os jovens falando mais do programa para os leitores saberem do que se trata essa iniciativa", lembra Judith. A Viração não tem fins lucrativos. Por isso, só pode ser adquirida por meio de assinatura. Toda a renda é revertida para a produção e para um fundo que tornará mais tarde a revista em uma Organização Não-Governamental (ONG). Daí, pode-se concluir uma das possíveis explicações para o seu nome. (Rodrigo Zavala - 26/06/2003) |
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