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Há anos cresceu no Brasil o conceito de Responsabilidade Social Empresarial, principalmente, após a implementação do Instituto Ethos. Criado em 1999, a instituição tornava realidade a idéia de que as empresas deviam seguir critérios éticos de gestão, sem esquecer de sua responsabilidade no desenvolvimento social. Durante os anos que se seguiram, o Instituto engajou 643 empresas - que representam 27% do PIB do país -, mas não conseguiu disseminar esses mesmos ideais na imprensa brasileira. Por isso, o Ethos lança agora duas cartilhas voltadas para jornalistas: "O Balanço Social e a Comunicação da Empresa com a Sociedade" e "Conceitos Básicos e Indicadores de Responsabilidade Social Empresarial". As publicações são produtos de uma constatação do instituto de que a idéia de responsabilidade social, apesar dos esforços, ficou reduzida à filantropia de algumas empresas e práticas de promoção de ações sociais pontuais em comunidades de baixa renda. "E isso não só é um erro dos empresários, mas dos jornalistas despreparados para cobrir as áreas", assegura o presidente do Instituto, Oded Grajew. Ou seja, em vez de questionarem os empresários sobre sua postura na gestão de seus negócios, e perceberem brechas em seus discursos politicamente corretos, reduzem as matérias aos investimentos em projetos sociais. "Não perguntam, por exemplo, para um empresário que tem um programa de educação em alguma comunidade, se os seus funcionários concluíram o Ensino Médio ou se os filhos destes estão estudando. É uma questão de ética", critica. Afinal, segundo o Ethos, responsabilidade social da empresa envolve a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio-ambiente) e conseguir incorporá-los no planejamento de suas atividades, buscando atender às demandas de todos e não apenas dos acionistas ou proprietários. "A idéia vai além da obrigação legal. O jornalista deve exigir a transparência das ações da empresa", alerta. Nesse sentido, Grajew espera pressionar cada vez mais as empresas a incorporarem esses valores. "Estamos em um momento de risco no que se refere ao conceito de responsabilidade social empresarial. Ou a idéia dá um salto qualitativo, ou perderá sua credibilidade. E o papel crítico da mídia irá cooperar para essa mudança", explica. Ele dá como exemplos as empresas americanas como a Enron, WorldCom, entre outras acusadas de fraudes bilionárias, que dilapidaram as aposentadorias de seus funcionários e deixaram milhares de profissionais desempregados. "Todas essas empresas tinham trabalhos sociais e eram consideradas pelos rankings de jornais econômicos como as melhores empresas para se trabalhar. Por isso, é preciso que os jornalistas procurem transparência". (Rodrigo Zavala - 29/08/2002) |
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